Na rede

segunda-feira, setembro 03, 2007

Wireless municipal: o hype, a bolha, e o futuro

MuniFi - EarthlinkMuito se falou semana passada sobre as dificuldades que os projetos de implementação de conexão wireless pelas municipalidades estão enfrentando. O barulho maior aconteceu em função da desistência da Earthlink em dar continuidade à parceria com o Google para implementação de wifi grátis em toda a área de San Francisco. Muitos se regozijam com a notícia anunciando o fim do 'ideal' do wireless municipal, mas em meio às argumentações pró e contra, qual a relação de tais fatos com o futuro dos arranjos locais para provimento de acesso público à rede?

A derrapada do projeto Municipal Wireless da Earthlink implode os planos da turma que pôs fé no modelo de negócio da empresa como alternativa para o duopólio das teles e das operadoras de TV a cabo na infraestrutura de acesso à rede -- algo assim como uma 'terceira via'. Alguns especialistas afirmam que as projeções de custos iniciais surfaram no hype da tecnologia wifi, e subestimaram os gastos de implementação da malha de 'access points' necessária para prover cobertura wireless total em um ambiente cheio de obstáculos como o de uma grande metrópole. Outros sugerem que o erro foi 'viajar' na idéia da conectividade como um direito do cidadão, o qual deveria estar livre do controle das grandes empresas de telecomunicações, apostando assim em um confronto aberto com o modelo tecnológico e de negócio das 'incumbents'.

Seja qual for o motivo, parece que estamos vendo o estouro de mais uma bolha. Como em outras situações semelhantes, é hora de tirar boas lições para o futuro. O momento é oportuno pois todos estamos querendo 'adivinhar' a melhor forma de implementar extensivamente a tal da banda larga. Mas me parece necessário transcender o vácuo existente entre as teles, que insistem em tratar a questão como mera transmissão rápida de pacotes de informação em seus dutos, e os nativos da rede, para quem parece intolerável depender da intermediação das empresas de telecomunicações para alcançar o nirvana do acesso universal em banda larga. Parece oportuno que facilitemos a conversa entre as partes, e alarguemos o alcance do debate para incluir os outros muitos interessados.

Banda larga pode ser tudo isto e muito mais. A princípio podemos ver a questão pela fatia do mercado que cada um dos players vai levar, mas isto é apenas a superfície. Na verdade estamos falando de oportunidades para inovação e novos modelos de negócio nas múltiplas camadas da integração vertical da rede -- conectividade, aplicações, conteúdo, hardware e formas de remuneração -- e sua separação em componentes modulares, que podem assim se tornar mais competitivos. Neste caso, os melhores modelos de implementação serão aqueles que promoverem a diversificação dos atores e a competitividade nas diversas camadas, além de boas estratégias para ações do poder público e aplicações específicas.

As pioneiras experiências brasileiras de Cidades Digitais, que tem como referência o projeto Piraí Digital -- Top Seven Intelligent Community em 2005 --, vêm há algum tempo demonstrando eficácia em lidar com as especificidades locais em projetos de implementação de acesso banda larga. Franklin Coelho (UFF) , coordenador do projeto Piraí Digital, tem indicado em suas apresentações recentes o caminho do sucesso de tais iniciativas:

Apresentação Franklin

A conexão de alta velocidade, em geral, chega a um ponto do município via link de satélite ou de fibra óptica. O arranjo específico da rede local se encarrega de distribuir o acesso entre os usuários e áreas como escolas, postos de saúde e órgãos da administração municipal, utilizando a opção mais interessante entre o mix Wi-Fi, Mesh, WiMAX, Rádio e PLC (Power Line Connection).

Franklin Coelho - ApresentaçãoDistintas arquiteturas para distintos territórios com distintas identidades, e a definição tecnológica determina o arranjo institucional, o qual deve estar apoiado por um novo marco legal que contemple os vários modelos possíveis (veja ao lado).

Neste âmbito, a implementação de políticas públicas / aplicações específicas como a conexão das escolas públicas, quiosques de serviços governamentais, modernização da administração local, projetos de segurança pública, telecentros como agências de desenvolvimento local, pontos de cultura, rádios e TVs públicas, integração da rede de serviços e informações em saúde, etc... constituem as iniciativas estruturantes que podem pautar a formatação da rede pública local e induzir seu desenvolvimento integrado.

Outra dimensão deste arranjo da banda larga local são os projetos de acesso wireless comunitário (Fon, Meraki, etc), que se fundamentam no desejo de cidadãos / organizações da sociedade civil em compartilhar seus recursos privados de acesso à rede. O conceito está sendo chamado de 'user generated infrastructure', e pode idealmente complementar as políticas públicas de banda larga abrindo novas oportunidades de colaboração público-privadas.

Enfim, o tema é da maior importância e interessa à todos. O Ministério da Cultura está lançando um blog que vai explorar o tema BandaLarga em suas múltiplas dimensões, e que se inaugura com a visita do Ministro Gilberto Gil à Piraí, no estado do Rio de Janeiro. O objetivo é auxiliar na interlocução e no intercâmbio de informações para articular, disseminar e impulsionar as soluções e arranjos institucionais locais que as Cidades Digitais brasileiras vêm promovendo com sucesso.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Comentando o 'post' do Estadão

[Eu juro que tentei postar estas linhas como comentário na matéria que o estadão publicou em seu 'portal' sobre o imbroglio com a campanha publicitária, mas o tal novo portal'ão' apesar de apresentar boas soluções de customização para usuários com base em tags, é uma lástima em termos de acessibilidade inter-browsers. Não consegui logar para comentar com o Firefox, e no IE6 o site simplesmente não funciona (assim fica fácil de implementar, né galera?). Portanto o recado é direto para o Estadãoão, e agora vai em hipertexto ;-) ]

"Olá,

Interessante e louvável a proposta de debater o tema aqui no portal.

Sou editor de língua portuguesa do Global Voices Online, e assino o post de onde foi retirada a citação do último parágrafo. Cabe esclarecer que a missão do GVO é realizar o bridge-blogging, cabendo a editores e colaboradores fornecer o contexto para que um público internacional possa acessar as 'vozes' locais. Nossa contribuição é retratar este contexto através de reportagens na blogosfera local sobre temas de interesse global, traduzindo citações de blogs nos diversos idiomas para o inglês.

Sob o tema do post em questão, devo dizer que considero que as peças da campanha são de alta qualidade em seu aspecto de comicidade, e acredito ser este o principal motivo do efeito viral. Um sinal claro disto é o fato do vídeo do anúncio do macaco , que publiquei no dotsub para legendar em inglês, já haver sido a esta altura traduzido para outros 5 idiomas -- alemão, holandês, espanhol, esperanto, e interlíngua(!) --, e figurar como destaque principal do site desde o dia em que foi postado. Ou seja, a criatividade embutida na peça em si já é o viral, independentemente da campanha.

Quero destacar aqui que, diferente do que publiquei então, não me parece agora tão óbvio que o efeito viral na rede tenha sido previsto e desejado pela Talent - principalmente pelo fato de não haver peças produzidas para a web. O comentário da Teca no Alex Primo (via Deak) a meu ver acerta em cheio na avaliação. Por outro lado, é incrível que os executivos do jornal responsáveis pela aprovação das peças não tenham detectado o alto grau de provocação à blogosfera contido na mensagem da campanha, e as repercussões possíveis.

O resultado final soou inapelavelmente como uma desqualificação generalizada dos blogs, e a proliferação de interpretações na blogosfera sobre as verdadeiras intenções da campanha são, no mínimo, compreensíveis. Principalmente neste momento em que os blogs ocupam de forma legítima os territórios de livre conversa proporcionados pela rede, e conquistam espaços importantes no olimpo dos formadores de opinião, o que há muito era exclusividade dos grandes veículos e seus luminares.

Mas já que a conversa está aberta, e até que está boa, vou aqui sintonizar o caboclo blogueiro e passar 3 dicas quentes para o colega estadão (olha a intimidade!):

  1. A rede são os links e os links são a rede, como bem lembrado pelo colega wainermartins, e portanto falar da blogosfera sem linkar é falta de respeito. E lembre-se que blogueiros redigem em hipertexto, portanto, seção de comentários sem links trata-se de interface defeituosa.

  2. Esqueça a web 2.0 e se ligue na web ao vivo. Esta é a rede que pode ser descrita através de verbos como escrever, ler, atualizar, postar, editar, assinar, taguear, sindicar, xemelizar e linkar. A web ao vivo está sendo construída por sobre a web estática, a qual se traduz em substantivos como website, endereço, localização, tráfego, arquitetura e construção. A web ao vivo é esta acontecendo agora, de forma dinâmica, e compreende o conteúdo que pode ser encontrado via Technorati e Google BlogSearch (esqueça o google padrão), máquinas que irão indexar em minutos o que estou postando aqui, e o que outros postarão sobre estes meus 'dois palitos' nesta conversa.

  3. Esta vem do Código Aberto: "A notícia está deixando de ser um produto para se transformar no ponto de partida de um processo, que começa com os jornalistas, que depois cedem o papel principal para os leitores. Os profissionais deixam de ser os donos da notícia." Eu diria: não pense em blogueiros como produtores de 'conteúdo'. Não encaro o meu ato de blogar como produção de informação para ser consumida por outros, e sim como escritos que podem vir a informar outros interessados. Digo 'informar' neste sentido mais básico de 'formar', alargar o espaço interno que define a minha humanidade: aquilo que eu sei. Autoridade na blogosfera é o direito que eu concedo a outros de me informar, de alargar os horizontes do que conheço. Nesta ecologia, reputação é tudo. E o 'Bruno' é bemvindo.
Para terminar, fechando o comentário, saúdo os 60 anos de Doc Searls (agora em novo blog), agradecendo por tanta generosidade, e pela (in)formação de qualidade.

Saudações,
José Murilo"

terça-feira, agosto 14, 2007

Metaversos: o 'hype', a bolha, e o futuro

A wikipedia nos diz que o termo METAVERSO surge pela primeira vez na ficção do Neal Stephenson, Snow Crash (1992). Devidamente disseminado na rede, o termo hoje serve para nomear o conceito de 'espaços 3D virtuais totalmente imersivos'. Metaversos são ambientes onde humanos interagem (como avatares) entre si (socialmente e economicamente) e com personagens-software, em um ciberespaço. Ou seja, trata-se de um universo virtual moldado em metáforas do mundo real, mas que ignora as limitações físicas deste.

De nossa parte, sempre estivemos atentos ao desenvolvimento do conceito metaverso. Afinal, metaversos virtuais são intuitivamente conexos à idéia de uma ecologia digital. O exemplo mais presente é sem dúvida o Second Life do Linden Labs, que surfou uma onda alta de hype -- com filial local e tudo... -- e hoje parece estar passando por uma reavaliação de suas premissas básicas. No último fim de semana o tema esteve presente em vários artigos nos principais veículos da grande mídia, e a maioria menciona o fracasso do projeto em realizar as expectativas geradas pelo entusiasmo dos 'early adopters' na época do lançamento. Veja abaixo:

Devo dizer que chegamos a discutir as possibilidades de exercitar os conceitos do metaverso no âmbito das ações de cultura digital do MinC. Afinal, o projeto Second Life apresentou algumas propostas inovadoras em relação ao gerenciamento da propriedade intelectual do conteúdo criado em seus servidores, ao contrário de outros jogos famosos na rede como por exemplo o World of Warcraft. Entretanto, ao tempo em que detectamos um esforço de seus criadores em ajustar a proposta do Second Life aos princípios de liberdade e flexibilidade da rede -- chegando a disponibilizar o cliente como 'open source' e formular estratégias para também 'abrir' a aplicação do servidor --, até o momento são evidentes as características monopolistas do 'business model' definido pelo Linden Labs para a implementação global da idéia.

Exemplo 01: todos os usuários do SL assinaram um termo de uso que concede à empresa grande poder de avaliação sobre o que constitui "comportamento aceitável". Caso você esteja do lado errado das leis do Linden Labs, não há a quem recorrer -- seus avatares e objetos não poderão, neste momento, ser transportados para outro mundo que funcione com outros governantes ou com um conjunto de regras diferente.

O que podemos observar neste momento, do ponto de vista da 'ecologia digital', é que o processo de reavaliação das premissas de um projeto de metaverso em escala global como o Second Life pode proporcionar insights interessantes sobre as possibilidades reais do conceito. No rastro da tarefa de 'desconstrução do hype' ora assumida pela big media, blogs estão mergulhando mais fundo na discussão do presente cenário e de futuros possíveis. Os links abaixo fornecem bom combustível para o pensamento e o debate, especialmente o post "Morte à 'Snow Crash'", que sugere que ultrapassemos a perspectiva ideal de um metaverso unificado na web. Explore os links:

Em síntese
, a visão conceitual de um metaverso 3D unificado na web está calcada no passado, no século XX. As inovações trazidas pela web 2.0 demonstram que a visão da rede como 'algo singular' é uma continuidade equivocada de estratégias centralizadoras. O futuro aponta para uma descentralização flexível, e portanto é muito mais interessante pensar em uma rede constituída de muitos 'mundos' distribuídos, alguns interativos em 3D e outros para leitura 2D. Nossa tarefa é desenvolver aplicações e modelos de negócio que possam combinar tais mundos em um mosaico de items, sites e lugares independentes mas potencialmente interligados.

Exemplo 02: eu acharia o máximo ter no meu blog uma aplicação que disponibilizasse uma sala de estar virtual particular, de preferência com vista para o mar -- ou melhor ainda, vista customizável conforme os humores do dia --, onde os visitantes pudessem entrar com seu próprio avatar e fosse possível rolar um bate-papo em 3D imersivo, com som ambiente direcional. Cá entre nós... tal aplicação poderia significar um definitivo adeus à confusão analógica causada pelas interfaces de video-conferência que utilizamos hoje.

sexta-feira, junho 08, 2007

Global Voices: o mundo está falando... como colaborar no processo?

Há tempos venho querendo escrever um post aqui no ecodigital dedicado ao projeto Global Voices Online, no qual venho desempenhando a função de editor de língua portuguesa desde maio de 2006. Apesar de já haver mencionado de passagem minha participação no projeto, faltava ainda uma abordagem que refletisse a influência que tal experiência vem exercendo na minha percepção sobre o ambiente digital -- o que diz respeito diretamente a este blog.

Recentemente o Tiago Dória me entrevistou sobre o tema -- por e-mail, publicando a versão original na íntegra (VIVA os blogueiros!) -- e considero que o resultado ilustra muito bem o que é o projeto, como fui parar lá, e as implicações do que estamos realizando no desenvolvimento de conceitos como 'jornalismo cidadão' e 'mídia alternativa'. A introdução ao tema colocada pelo Tiago é também muito boa:

O Global Voices Online é o que chamam de "bridge blog", um site que faz a ponte entre pessoas de culturas diferentes. Ele registra e traduz para outras línguas as discussões mais significativas que estão acontecendo em diversas blogosferas do mundo. [o debate no Brasil sobre 10 anos dos blogs ficou em destaque]. É uma troca constante de informações e opiniões que você não vê na chamada "grande mídia".
Entrevista com José Murilo Jr, do Global Voices Online - Tiago Dória Weblog
O fato é que desde que me juntei à comunidade GVO minha atividade como blogueiro, que ocupa os períodos em que não estou cumprindo expediente no MinC, foi dirigida para esta nova e fascinante experiência como 'bridge blogger'-- que trata de explorar a dinâmica dos blogs para conectar diferentes culturas. Portanto, espero que esteja apresentando aqui bons motivos para os meus sumiços neste pedaço ;-).

Para fazer a 'ponte', muito importante é a noção de 'contexto': cabe aos GVOers fornecer a 'moldura' capaz de auxiliar uma audiência global a acessar as narrativas locais, e o objetivo mais amplo é fornecer uma plataforma compartilhada para a promoção do diálogo entre as diversas culturas. Neste sentido, merecem destaque
algumas iniciativas recentes do projeto como o GV-Lingua e a ação Rising Voices.

O GV-Lingua é a implementação de sites Global Voices nos diversos idiomas: da mesma forma que já temos o site em português funcionando, também
em espanhol, chinês tradicional, chinês simplificado, russo, bangla e francês já se pode acompanhar o que o mundo está falando via Global Voices. A iniciativa tem gerado efeitos surpreendentes nos conceitos que fundamentaram o projeto, alimentando a descentralização de processos editoriais em rede e diminuindo a ênfase na anglofonia como default necessário para o diálogo inter-cultural. Neste projeto, estamos buscando colaboradores que estejam interessados em participar como tradutores -- do inglês para o português. Interessados devem entrar em contato -- estudantes de tradução e / ou relações internacionais, são especialmente bem vindos.

Quanto ao 'Rising Voices', trata-se de um recém criado programa de microcrédito para apoiar projetos de ensino de técnicas de publicação web em comunidades carentes e afastadas, com o objetivo de demonstrar o potencial de ferramentas como blogs, videoblogs e podcasts. Configura-se como parte importante no movimento de 'dar voz' àqueles que ainda não tiveram a oportunidade de experimentar diretamente as possibilidades de expressão na rede. Os interessados em concorrer a esta primeira chamada devem se apressar pois o prazo para entrega de projetos vai até 15 de junho. Vejo esta iniciativa como uma grande oportunidade de aprimorar os conceitos de inclusividade difundidos pelo GVO e aposto em seu sucesso -- não apenas por estar sendo coordenada pelo grande colega e amigo David Sasaki.

Em síntese, da mesma forma como o trabalho no Ministério da Cultura tem criado oportunidades formidáveis para o exercício dos conceitos do 'ambientalismo para a rede', também a experiência no projeto Global Voices tem demonstrado valor inestimável para o amadurecimento de uma perspectiva mais ampla sobre as transformações que o ambiente digital está promovendo no âmbito no diálogo entre culturas. E tudo começou neste singelo blog que um dia ousei denominar Ecologia Digital. Sigo agradecendo a todos pelas boas oportunidades.

terça-feira, junho 05, 2007

Interatividade no MinC: Fóruns virtuais, debates online e blogs culturais

Este é o título de uma entrevista que foi realizada comigo pela assessoria de comunicação social aqui do Ministério da Cultura. Para aqueles que aqui transitam e ainda não sabem (ou não lembram), trabalho na área que cuida da infra-estrutura de publicação web do MinC -- Gerência de Informações Estratégicas. Apesar do nome do setor levar alguns a me conectar com 'serviços de inteligência', seja lá o que isso possa significar, de fato cuidamos da contínua atualização das ferramentas (e procedimentos) de comunicação e interatividade web utilizados pela gestão Gilberto Gil no desempenho de seus programas e ações.

Ao aceitar conceder a entrevista, tive que convencer os colegas jornalistas a aceitarem as respostas por e-mail, argumentando que estaria recheando o texto com hiperlinks. O episódio me recordou do recente imbróglio entre Jason Calacanis, Dave Winer e o jornalista Fred Vogelstein da revista Wired, muito bem narrado pelo Jeff Jarvis ("The Obsolete Interview") e outros, e que acabou em um podcast -- uma conversa telefônica gravada entre Calacanis e Vogelstein. Tudo começou com a insistência de Calacanis em só conceder entrevista a Volgestein por e-mail, mas o debate evoluiu para análises sobre o formato entrevista no ambiente digital, e ainda recentemente foi destaque no "On the media" da NPR.

De minha parte só posso acompanhar a tendência e publicar aqui (abaixo) a 'entrevista original', que sofreu algumas edições por parte das colegas da Ascom -- as quais considerei úteis -- para chegar ao resultado final, mas é bastante ilustrativa sobre as movimentações que desenvolvemos aqui no ministério.

1) O MinC vem experimentando novas formas de promover, através da Internet, uma maior participação do público em suas ações. Como isso vem acontecendo?
Começou ainda em 2004, quando montamos a interface do 1. Concurso de Idéias Originais e Demos de Jogos Eletrônicos. A idéia do ministro foi promover a criação de games baseados em idéias originais de jovens brasileiros, e para isso criamos uma interface que convidava os participantes a abrirem suas criações à colaboração de outros, fomentando um processo de facilitação para o surgimento de narrativas emergentes e propondo um exercício de utilização dos então recém criados conceitos de licenciamento Creative Commons. Foi apenas o início, mas já contou com experimentações radicais nos conceitos de Cultura Digital.

Em 2005, o Seminário sobre Indústrias Criativas e o programa Cultura & Pensamento incorpororaram as idéias de utilização da web para alargar o alcance dos debates em que reuniu pensadores da cultura em torno de temas contemporâneos. Em 2006, além da re-edição do C&P, vários eventos como o Seminário sobre Mídia e o sobre Capitalismo Cognitivo também estiveram disponíveis em transmissão ao vivo pela Internet. Na sequência, já em 2007, o Fórum de TVs Públicas foi também contagiado pela utilização da web como efetivo instrumento de facilitação para o acompanhamento remoto e para o debate online em tempo real.

2) Quais os resultados obtidos até agora?
Webcast, publicação de conteúdo em áudio e vídeo, e a disponibilização de fórum para abrigar os debates não chegaram a alcançar o resultado desejado em termos de ativa participação online, entretanto propiciaram um eficiente modelo de documentação multimídia dos eventos, o que certamente vem multiplicando o efeito de tais reflexões na rede.

O que viemos perceber agora com a realização do Fórum de TVs Públicas, é a importância fundamental de se mobilizar efetivamente o público interessado no debate através da aglutinação abrangente de representações legítimas dos setores da sociedade pertinentes ao tema, e ao mesmo tempo facilitar a utilização das ferramentas de interatividade online por parte deste público.

3) Com a experiência adquirida, o que o MinC está propondo em termos de participação online para os próximos eventos?
Para o Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural estamos propondo a realização de oficinas temáticas online, as quais estão tomando o formato de blogs a serem lançados antecedendo o evento presencial. A idéia é que tais oficinas, que contam com um curador especialista para orientar o debate e um 'blogueiro' para pilotar o blog e facilitar a experiência de interatividade do público interessado, antecipem a mobilização dos atores pertinentes aos temas que serão debatidos no Seminário, tratando de aquecer o debate. A oficina do tema Cultura Digital está a 'pleno vapor'.

Acreditamos que os "oficineiros", incluídos ai todos os que se sentiram de alguma forma atraídos pelo tema e se engajaram no debate na rede, passam a ter um papel fundamental na oxigenação do evento presencial. Trata-se de uma variação do formato de ' desconferência' (unconference), que parte da premissa de que na audiência pode / deve existir pessoas mais interessantes para a qualidade do debate do que a suposta autoridade do conferencista. O sucesso de tal iniciativa pode transformar o evento presencial em mera etapa de um processo que ganha então impulso próprio. Mas isto é apenas o nosso desejo... No momento resta-nos trabalhar pelo sucesso do projeto.

4) De que forma esta estratégia se relaciona com o conceito de Cultura Digital como difundido pelo ministro Gil?
O ministro Gil costuma falar deste novo contexto no qual a convergência tecnológica torna-se fato cultural, onde capacitar e instrumentalizar a sociedade para o uso das tecnologias digitais livres é fundamental para a realização plena da cidadania. Os pontos de cultura vem cumprindo este objetivo ao propor modelos efetivos de apropriação comunitária de conteúdos e dispositivos digitais, ao mesmo tempo em que promove a autonomia dos criadores e a auto-gestão política de seus processos.

Mas Cultura Digital é também a possibilidade de se eliminar a exclusão ao acesso público à informação, à tecnologia, e à possibilidade de livre expressão. Estamos falando de uma verdadeira revolução. O debate sobre estas novas realidades deve ter lugar no ambiente governamental, e também na sociedade, e a Cultura Digital prospera na construção destas inúmeras novas interconexões. Temos trabalhado no desenvolvimento de procedimentos e aplicações que possam constituir ferramentas efetivas de alargamento do alcance e de facilitação do livre fluxo da comunicação neste debate, no qual todos nós somos potenciais interlocutores. Nisto estamos trabalhando.
Encerro o post sugerindo visita aos blog-oficinas que estão aquecendo o debate que irá desembocar no "Seminário Internacional sobre Diversidade Cultural: práticas e perspectivas". O evento pretende alargar nossa compreensão sobre a recém ratificada Convenção da Unesco sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais , e desenvolver linhas internacionais de ação a partir de seus "princípios fundamentais de diversidade e liberdade para o avanço da compreensão mútua".

Os nomes ao lado indicam respectivamente o curador / animador (blogueiro) de cada oficina:
Uma das últimas colaborações na oficina de Cultura Digital, apresentada pelo Pedro Paranaguá (Diversidade e Copyright) , reflete bem a importância deste debate:
"Vemos as grandes indústrias, como a Hollywoodiana, por exemplo, que domina 85% do mercado global de filmes, tentando impor seus produtos para o restante do planeta. Por ısso que foi criado recentemente o acordo sobre diversidade cultural da UNESCO: para garantir que o poder de tais indústrias não aniquile outras culturas. Para garantir que a globalızação nao acabe com a riqueza da dıversidade cultural que aında existe no planeta. Para garantir que não sejamos massificados por uma única cultura. E para garantir que nem sempre as produções culturais sejam tratadas como produtos puramente comerciais."
Vale à pena acompanhar!

sexta-feira, março 30, 2007

SaferNet, Governança da Internet, e .XXX

O evento em Campinas foi bem interessante, principalmente pela troca de idéias com meus colegas panelistas Thiago Tavares, da SaferNet, e João Tranchesi, da Abranet. Não pude deixar de insistir para que o Thiago nos brinde com um blog onde possa compartilhar com a rede suas movimentações e observações no sentido de tornar a Internet um local mais seguro. Fiquei bem satisfeito em tê-lo como ponta de lança desta ação absolutamente necessária de dotar os usuários da rede com ferramentas ágeis que possam corrigir de forma razoavelmente segura as distorções engendradas pelo ambiente coletivo da rede.

"Onde há sociedade, há crime": foi com esta citação de Durkheim que o Thiago iniciou sua apresentação, o que para mim diz muito sobre os conceitos que norteiam a atuação da SaferNet. Ou seja, parte do princípio de que os crimes na rede são fruto esperado da convivência humana, e que tais ocorrências não podem ser utilizadas como justificativas para a redução das liberdades que fizeram da Internet este formidável espaço de compartilhamento de recursos para a sociedade global. Não foi obra do acaso que o Thiago tenha sido uma das principais vozes contra a famigerada 'Lei Azeredo', que segundo ele está sendo preparada para 'voltar' com apoio total da FEBRABAN. Portanto, Thiago, estamos todos esperando pelo seu blog para ser nossa referência nesta importante frente na batalha pela Ecologia Digital.

Outra informação interessante que captei com o Thiago foi sobre um processo contra o Google por causa da comunidade 'Bregas Assumidos' do Orkut, movido no ano passado pela socialite Yara Baumgart. A digníssima senhora teria se ofendido por ter seu nome associado a uma comunidade 'brega'. Em raro e extremo gesto de complacência o Google diligentemente forneceu, neste caso, os IPs dos fundadores da citada comunidade para a 'brega', digo, para a socialite ofendida. A pergunta que fica é: como se justifica que, alguns meses depois, o Google se recuse a ter o mesmo procedimento para casos comprovados de atividades ligadas à pedofilia?

18/04/2006 - A Google Brasil Internet Ltda. fornece à Justiça Estadual do Estado de São Paulo todas as informações relativas aos usuários que criaram perfis falsos de uma conhecida socialite paulistana que foi caluniada e difamada no Orkut, e teve o seu nome indevidamente inscrito numa comunidade chamada "Bregas Assumidos". Esse caso é a prova definitiva e irrefutável que a empresa Google Brasil tem todas as condições de colaborar com a Justiça Brasileira e cumprir as ordens judiciais a ela endereçadas. Leia uma parte do processo público, arquivado na 38 Vara Cível da Comarca do Estado de São Paulo.
Crimes do Orkut Timeline - SaferNet.org

VEJA TAMBÉM: Saiba como foi o 3º Simpósio Regional de Inclusão Digital - CDI / Campinas

O painel "Governança e Direitos Humanos (Quem é o dono da Internet?)" (no simpósio do CDI) foi uma boa oportunidade para falar um pouco sobre como foi o IGF em Atenas, e sobre a boa possibilidade que representa a realização do IGF 2007 no Rio de Janeiro em novembro (apresentação em pdf). Pude perceber que os interlocutores tradicionais do debate sobre a governança da Internet no Brasil, de uma forma geral, consideram o formato proposto para o IGF como um problema, já que o evento não se propõe a apresentar decisões ou recomendações em seu encerramento.

Eu, particularmente, acredito que o formato geral proposto para o processo IGF -- fórum aberto, heterogêneo e não hierarquizado, debate sobre os impasses da WSIS em pé de igualdade, livre troca de informação e conhecimento, ampla representação, propostas de participação online, coalizões dinâmicas e (principalmente) o aspecto não decisório -- ainda é o ideal para o debate que se faz necessário no âmbito da Internet global. Estive no IGF em Atenas representando o Min. Gil e o Ministério da Cultura, mas não pude abandonar a perspectiva de blogueiro que carrego sempre comigo, e por este ângulo pude perceber que alcançaremos mais e melhores resultados tanto mais consigamos alargar o alcance das várias linhas de ação e debate propostas pelo fórum.

Portanto sem querer polemizar sobre as propostas que outros setores estão preparando para o IGF, estarei divulgando e defendendo a proposta original e pretendo estar atualizando as informações pertinentes na seção IGF do setor de Cultura Digital no site do MinC. É importante desde já estar acompanhando as 'coalizões dinâmicas' em andamento, e sobre o tema estarei postando um informativo em breve.

Um outro assunto deste post, ainda na esfera da governança da Internet, é o recente veto da ICANN ao domínio .XXX. Como bem colocado pelo Joi Ito, não é atribuição da ICANN determinar se um conteúdo específico é apropriado ou não, e portanto a decisão cria um precedente estranho. Instituído como um conselho, os membros da ICANN não podem atuar como se fossem representantes 'eleitos' pela comunidade global da Internet. Na medida em que a aplicação para implementação do domínio .XXX não apresenta nenhum problema de ordem técnica para a rede, o 'Board' não tem nenhuma base para justificar o seu veto.

São tais distorções na compreensão do significado de Governança da Internet que me fazem acreditar no processo do IGF como uma boa proposta para o futuro. Precisamos urgentemente alargar o debate, e o Brasil tem papel importante nesta parada.

quinta-feira, março 22, 2007

Governança da Internet e Inclusão Digital

Recentemente fui contactado pelo pessoal do CDI de Campinas (SP) para participar, no próximo dia 27/03, de uma mesa de debates no 3. Simpósio de Inclusão Digital sobre o tema Governança da Internet e Direitos Humanos. Avaliei que informações sobre a minha participação no Internet Governance Forum (IGF) em Atenas em novembro passado poderiam ser uma boa colaboração ao debate proposto, principalmente pelo fato de ter representado o ministro Gilberto Gil no Workshop Internet Bill of Rights. E fiquei especialmente animado em poder abordar as possibilidades de participação ativa dos coletivos de ativismo digital brasileiros na próxima edição do IGF entre os dias 12 a 15 de novembro deste ano, no Rio de Janeiro.

Entretanto, confesso que tenho tido pouco tempo para refletir sobre a melhor abordagem a apresentar no evento, e hoje, no meio do expediente no ministério, fui surpreendido por um telefonema da rádio CBN de Campinas para uma entrevista ao vivo. Assim assim a repórter já mandou a pergunta: "como a questão da governança da Internet interfere com a inclusão digital?"

Eu cá comigo, em meio às limitações orçamentárias que sistematicamente tolhem o alcance de programas importantes de apropriação de tecnologia do MinC como o 'Cultura Viva', busquei ali no calor do momento uma correlação interferente da governança da Internet no dia-a-dia do front da inclusão digital conforme o encaramos aqui no âmbito da cultura. Acabei respondendo de bate-pronto, meio à contra-gosto (pois a pergunta merecia maior reflexão), que não identificava uma 'interferência' direta da governança da Internet nos processos de inclusão digital.

A repórter insistiu no questionamento: já que eu iria participar de um evento sobre inclusão digital, em um painel sobre governança da Internet e direitos humanos, ela queria saber de mim como "o fato da Internet ter um dono" pode se constituir em obstáculo para a inclusão digital. Mais uma vez me pareceu que eu não tinha resposta para o que estava sendo colocado pela repórter, mas desta vez ficava claro que a indagação partia de uma forte premissa conceitual com a qual eu absolutamente não concordo: a de que a Internet tem dono (sobre isto, veja 'World of Ends', ou o 'O Mundo de Pontas').

O meu desconforto ao final da entrevista me levou a sentar para escrever este post, que serve como ponto de partida da reflexão que espero estar levando para o painel no próximo dia 27 em Campinas. A origem do mal estar deu-se exatamente porque considero absolutamente pertinente o debate da governança da Internet no âmbito dos movimentos de Inclusão Digital, ao contrário do que minhas respostas à repórter da CBN podem levar a crer. Mas discordo da abordagem que, à priori, busca identificar no que se convencionou chamar 'governança da Internet' obstáculos ou, mais precisamente, adversários aos movimentos de Inclusão Digital. De onde observo, enxergo diferente: a governança da Internet constitui o conjunto de acordos e consensos internacionais para a resolução de problemas e /ou gerenciamento de novas situações globais criadas pela Internet.

Quando estava ainda em Atenas participando do IGF, fui contactado pelo Carlos Yoda da Carta Maior com algumas perguntas sobre o evento. Acabei blogando a íntegra das minhas respostas, que resultou depois em uma matéria bem documentada e interessante, mas com um título peculiar: 'Fórum cede a pressões e gerenciamento da rede fica fora da pauta'. Minha observação em relação ao título ocorre porque a matéria é bem ampla, enfocando vários aspectos do tema específico e também do evento, o qual explorou formas inovadoras de promover o debate presencial. No entanto, o título fixou-se na visão reduzida do 'gerenciamento da rede' -- que estratégicamente enfatiza a pressão à favor da internacionalização da função hoje desempenhada pela norte-americana ICANN. Ao refletir sobre a pergunta feita hoje pela repórter da CBN não posso deixar de identificar um certo padrão na abordagem da mídia sobre o tema.

É importante esclarecer que não é minha intenção desmerecer a luta pela internacionalização da instância (ICANN) que estabelece as regras de uso e distribuição de protocolos IP -- front no qual, diga-se de passagem, nós brasileiros somos ponta de lança --, mas ao reduzir o debate da governança da Internet a este aspecto sinto que estamos ao mesmo tempo politizando em demasiado e também restringindo um debate que de outra forma é extremamente rico e produtivo. A experiência do IGF em Atenas provou que ao promover um fórum aberto, heterogêneo e não-hierarquizado para o debate sobre políticas públicas para a rede global, temas variados emergiram naturalmente: custos de conexão, spam, multilingualismo, censura, cybercrime, cybersegurança, questões de gênero na rede, privacidade e proteção de dados, padrões abertos, liberdade de expressão, direitos humanos, direitos autorais, etc. Todos os temas tem interface com os processos de inclusão digital, e a premissa de que 'a Internet tem dono' não nos ajuda a compreender as nuances que cada um dos temas apresenta em suas peculiaridades regionais.

A questão do 'acesso à rede', por exemplo, em minha opinião é mais importante e urgente que a internacionalização da ICANN -- ou de se entrar no mérito conceitual de quem é 'o dono' da rede. Na prática significa conceber e implementar modelos econômicos e tecnológicos para promover o livre acesso de cidadãos dos países em desenvolvimento à rede -- algo que estamos chamando aqui no MinC de 'Política Pública de Banda Larga'. Apesar do destaque que o tema recebeu nas conversas em Atenas pouco se avançou em termos de soluções viáveis, e confio que o IGF Rio 2007 pode ser palco de avanços mais significativos.

Por outro lado, pude observar em Atenas que um enorme contingente de representantes nacionais, especialmente de países africanos, estavam simplesmente encantados por terem a oportunidade de conhecer alguns kits anti-spam básicos. Os colegas relataram sobre o pouco tempo de conexão (lenta) de que dispõem para acessar seus e-mails (praticamente o único recurso que usam na web), e como os minutos preciosos que perdem baixando spam praticamente inviabiliza o uso da rede. Ou seja, até que ponto a ênfase ou redução da questão da governança da Internet ao /no processo de internacionalização da ICANN pode suprimir o fértil e diversificado debate que o mundo deseja ter sobre a rede e suas variadas implicações técnicas, sociais, culturais, econômicas, etc., nas mais diversas regiões do planeta?

O debate sobre este tema é da maior importância para nós, especialmente porque vamos abrigar a próxima edição do IGF em novembro deste ano. Existe já uma grande expectativa internacional sobre o evento com base no sucesso da edição em Atenas, e vale à pena conhecer e acompanhar as chamadas 'coalizões dinâmicas' (GTs temáticos) que lá se formaram e estão em atividade. O aprofundamento deste estudo pode fundamentar propostas concretas para a edição do evento no Brasil, e acredito que a partir daí poderemos articular e integrar ações locais conjuntas que irão efetivamente contribuir para tornar o IGF Rio um marco na evolução da Internet como um bem global comum. Está em nosso alcance.

De fato, gostaria de ter outra oportunidade com esta repórter da CBN... Caso estejam em Campinas no próximo dia 27 e se interessem pelo tema, apareçam.

PS: Para os interessados em acompanhar o processo do IGF, recentemente (13/02) foi realizada uma reunião em Genebra para avaliar aspectos positivos e negativos do evento em Atenas, o que significa subsídios para a definição da programação do IGF Rio. A transcrição da sessão, a íntegra e a síntese das colaborações, além de formulário online para captação de novas colaborações são boas referências e ferramentas para a participação efetiva. Outros links interessantes aqui e aqui.

sábado, março 10, 2007

Cultura & Pensamento + Redes = Possibilidades para 2007


Estive novamente em Recife para participar do último da série de eventos do programa Cultura & Pensamento 2006, dessa vez um fórum de debates sobre 'Organização Colaborativa da Produção e do Conhecimento - a cultura das redes de informação compartilhada'.

Para mim foi uma novidade pois pela primeira vez participei como moderador em dois painéis, e como colaborador participante do evento fiquei bem satisfeito com o nível do debate e com a participação do público presente à Livraria Cultura no Paço da Alfândega no dias 26 e 27 de fevereiro último.

O evento aconteceu como uma reflexão sobre o próprio Cultura & Pensamento em sua potencialidade / capacidade de difusão em rede, pois desde sua concepção o programa trazia como idéia estruturante alargar o alcance dos debates propostos com o auxílio da web. Apesar das iniciativas de difusão dos debates presenciais através de webcast, disponibilização do registro integral do áudio dos eventos em arquivos mp3 (agora também vídeos), e da criação de foruns eletrônicos no site do Programa, o nível de participação não atingiu os níveis desejados. A meu ver, nada mais adequado do que induzir o C&P a curvar-se sobre si para avaliar e debater como melhor aliar a cultura das redes à realização de seus objetivos.

O primeiro painel, onde pude coletar anotações, reuniu Eugênio Bucci (Presidente da Radiobrás), César Bolaño (UFSE / Revista Eptic), Giuseppe Cocco (UFRJ / Universidade Nômade / Revista Global-Brasil) e André Lemos (UFBA / Carnet de Notes), teve como tema Produção, reprodução, interferência e consumo virtual, e contou com a moderação do colega Afonso Luz. Bucci saudou a iniciativa do MinC em realizar o C&P, pois só mesmo quem atua dentro do governo tem noção dos obstáculos burocráticos para se concretizar projetos que fogem ao padrão da ação chapa-branca. Arriscou filosofar em torno do tema do painel, destacando a influência que o 'real-time' da rede tem desempenhado na alteração da noção corrente de tempo, declarando que 'o tempo é uma construção da história. Expressou seu espanto com a revolução pela qual estamos passando, a qual 'estamos enxergando através de lunetas', e destacou que neste momento 'as tentativas são mais importantes que os resultados'. Aproveitou a ocasião para apresentar as inovações implementadas no site da Agência Brasil, que é hoje, sem dúvida, a agência de notícias online que melhor utiliza as novas ferramentas da web no país.

Cesar Bolaño apresentou-se como participante do C&P na categoria 'periódicos eletrônicos', pois sua Revista Eptic encarregou-se de produzir o 'Dossiê Especial Cultura e Pensamento', e obviamente também destacou o papel do programa para a 'socialização de um debate que, em geral, fica restrito às suas próprias redes'. Empenhou-se também em apresentar a necessidade de se realizar uma profunda crítica da economia política do conhecimento atual, onde enxerga o capitalismo atingindo limites em sua efetividade em um momento em que o jogo político e econômico torna-se mais complexo. Como defesa, o sistema estaria gerando uma reformulação na lógica de direitos de propriedade intelectual vigente. Segundo ele, 'na impossibilidade de alavancar mudanças de caráter progressivo, o sistema passa a desenvolver formas regressivas de organização social'. Em síntese Bolaño criticou a supervalorização da revolução das redes, afirmando que uma inovação tecnológica por si não alavanca a liberalização.

Giuseppe Cocco, como era de se esperar, sentiu-se ao mesmo tempo instigado pela abordagem de Bucci sobre a subjetividade do 'tempo' e provocado pela abordagem marxista clássica desenvolvida por Bolaño. Reforçou a tese da mudança de paradigma, onde ocorre 'uma heterogeneidade dos tempos, que não são lineares, não é mais o tempo dos relógios, e nem o tempo do poder e do capital', e criticou o uso de antigos conceitos para analisar novas ocorrências históricas. Mencionou a crise da representação (schwazenegger, berlusconi, maluf e clodovil) e buscou demonstrar a transformação das estratégias do poder para capturar as dinâmicas de liberação. 'Não há mais separação entre a vida e o trabalho, entre a produção e o consumo, a mais valia não existe mais, e não há perspectiva de futuro para o trabalho assalariado: o que se acumula agora é a forma de vida, o excedente de ser'. Sua argumentação chega à conclusão de que 'a condição de se construir o espaço comum onde a vida não seja capturada é a remuneração da própria vida enquanto tal'. Segundo Giuseppe Cocco, nesta abordagem, direita e esquerda tem apresentado o mesmo discurso pela manutenção do paradigma de uma sociedade salarial.

André Lemos em sua apresentação tratou de trazer o discurso das alturas filosóficas para o mundo da vida: 'somos seres do discurso, o homem se define por seus artefatos de comunicação'. Neste sentido lançou um modelo de classificação destes 'artefatos' que fez sucesso no evento e foi repetidamente citado nos painéis posteriores: 'massivos' e 'pós-massivos'. Enquanto os meios massivos (nossa conhecida mídia tradicional) informam e são fundamentais para a constituição da esfera pública, as funções pós-massivas exploram 3 dimensões: (1) liberação da emissão; (2) compartilhamento, web 2.0; (3) transformação, reconfiguração e remixagem. Lemos destacou também que os processos sociais são os principais eventos da nova mídia, 'não o livro eletrônico, mas o livro que vai circular além de limites anteriores -- como a biografia não autorizada de Roberto Carlos'. Segundo Lemos, o consumo na rede sofre inúmeras transformações pois o produto passa a ser algo modular, criando remanejamentos infinitos. 'O consumo não é mais consumo, pois o produto não mais se extingue com o uso -- ao contrário o produto tende a aumentar seu valor exatamente pela sua circulação'. O desafio no momento é pensar a função pós-massiva, e adaptar as teorias da comunicação de massa para analisar os novos elementos da ecologia da mídia.

O debate final ficou bastante polarizado entre Bolaño e Cocco e suas distintas abordagens sobre a análise marxista da história. O primeiro afirmou existir um mascaramento, uma aparência de liberdade na rede que oculta o processo de concentração de poder, e considera 'uma ilusão imaginar que a TV que iremos produzir amadorísticamente na rede irá causar qualquer problema à Rede Globo'. Ilustra sua afirmação com o dado de que apenas 5% dos blogs concentram 90% dos acessos. Giuseppe rebateu lembrando que o fenômeno do software livre, fator viabilizador da web (e do próprio Google) em termos de infra-estrutura, não é de forma alguma uma construção teórica -- aconteceu, continua acontecendo, e esta fazendo história. Eugênio Bucci suavizou o debate afirmando que 'vivemos hoje uma concentração de temporalidades', onde 'o tempo do salário ainda existe, e convive com outros, inclusive estes onde acontecem o casamento de direita e esquerda e no paradigma onde se encontra produção'. Apontou também a contradição de termos a sensação de uma pluralidade crescente de centros de emissão, e por outro lado observarmos uma concentração sem precedentes dos meios pelos quais isto acontece. Bom debate... o tempo foi curto.


Nos outros dois paineis, 'Blogosfera e Jornalismo Cidadão' e 'Gestão de Redes Digitais de Colaboração', atuei como moderador e portanto vou aguardar a publicação do áudio (ou vídeo) pela turma do C&P para poder recuperar o que se passou. No painel 'Autoria Individual e coletiva / A web e o saber compartilhado' exercitei minha veia audiovisual brincando com uma mini-dv emprestada por um amigo, e depois 'brinquei' de editar as imagens que consegui capturar. Apresento o resultado abaixo em nome da 'cultura das redes de informação compartilhada', pedindo aos colegas que relevem o amadorismo do resultado. Vale à pena conferir a apresentação da Heloísa Buarque de Holanda sobre o papel do autor através da história.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Vamos falar de VRM?

Enquanto grande parte das conversas atuais sobre o ambiente digital lidam com o DRM, nós aqui do ecodigital vamos falar de uma outra sigla ainda não muito conhecida da moçada, mas que pode inspirar idéias interessantes em toda a turma que enxerga na rede o espaço e a possibilidade de se realizar (r)evoluções estruturais na forma como interagimos em sociedade. Trata-se do VRM - Vendor Relationship Management, ou 'Gestão do Relacionamento com Fornecedores'. O termo surge como um contraponto ao CRM - Customers Relationship Management, que define o conjunto de ações das empresas em gerenciar o relacionamento com seus clientes. Mas o que temos aqui além desta sopa de letrinhas? Vamos lá...

Quem de nós não está acostumado a ter experiências frustrantes com atendentes de call-centers? (use a seção de comentários para responder esta). Pois o atendimento que o pobre realiza na ponta da linha é o resultado final de processos de CRM, ou 'Gestão do Relacionamento com Clientes', que podem ser definidos como procedimentos automáticos usados para gerar marketing personalizado baseado em informações sobre o cliente mantidas no sistema. Eu diria que o lado 'automático' do atendimento ao qual nos acostumamos a receber das empresas é exatamente o que nos leva à loucura, e o que esvazia o sentido da palavra 'relacionamento' contida no termo.

Qualquer cidadão enlouquecido após um inferno ocasional vivenciado em um atendimento de call-center fica a se perguntar: eu mereço? O VRM diz: merece. Enquanto as empresas montam seus procedimentos para nos gerenciar como itens de bancos de dados concebidos de acordo com os interesses corporativos, nós clientes não dispomos de nenhum meio tecnologicamente sofisticado para nos relacionar com nossos fornecedores, ou com qualquer instituição. Sim, estamos falando de informações pessoais utilizadas na intermediação de relações na rede, ou seja, estamos falando de identidade digital. A relação automática das empresas conosco supõe quem somos com base em seu banco de dados. Como alternativa, o VRM é o que os clientes, ou no caso, usuários precisam para se relacionar com seus fornecedores tanto ou tão pouco quanto eles mesmos desejem, em seus próprios termos e não somente de acordo com as inclinações e idiossincrasias das corporações.

O termo VRM identifica um movimento capitaneado pelo 'colega' Doc Searls, originado nas discussões sobre 'identidade centrada no usuário' desenvolvidas pela Identity Gang. O impulso para a idéia é a mesma indignação que todos nós sofremos ao sermos submetidos ao que as empresas chamam de 'relacionamento com clientes', mas com uma postura pró-ativa. Portanto, ao invés de culpar as empresas (Vivo, Gol, Mercado Livre, Submarino, Google, Yahoo, Flickr, Amazon, eBay, Technorati, Skype, YouTube, Second Life, GoDaddy, etc., apenas para nomear uma pequena porcentagem dos CRMs que possuem minha combinação ID/senha), Doc sugere:

"O que tivemos por décadas foram sistemas de 'relacionamento' que simplemente não o são, pelo simples fato de residirem completamente do lado das empresas (fornecedores). Estão todos confinados em silos. Isolados. Tais sistemas fazem tudo, mas somente para um fornecedor. O cliente se relaciona com aquele fornecedor através de míseros pedaços de informação para autenticação (login, senha, repostas para perguntas em caso de perda de logins e senhas...) e então interage ('relaciona' é demais para a presente situação) dentro de um sistema estreito e altamente confinado que controla totalmente o que o cliente pode fazer -- e anula completamente qualquer possibilidade de contribuições úteis para a empresa exceto através das compras ou outros dados secundários que possam ser extraídos do histórico de transações com o cliente. "A sua opinião é relevante?" De jeito nenhum. Eles não se importam com o que penso. Importam-se apenas com o que seus relatórios dizem. Existe aqui uma grande diferença. Um lado se relaciona, o outro não.
A 'Identity Gang' tem enfrentado o desafio de alcançar a identidade única (Single Sign On, ou SSO). Mas, de fato, 'relacionar' trata-se de um problema maior e mais importante. Identidade é essencial, mas é apenas o começo. Agora é uma boa hora para vislumbrar o que pode surgir de tudo isso, e eu penso que é o VRM.
O VRM deve prover 'algo' do lado dos clientes que é... o quê? Eu vejo um conjunto de métodos de conexão e arquivos de dados, ou meios de representar arquivos de dados. Tudo seguro, claro. Sob o controle dos clientes, mas provendo informações a quaisquer intermediários com os quais o cliente deseja se relacionar. Um sistema de Gerenciamento do Relacionamento com Fornecedores, ou VRM."

This is why I want VRM - Doc Searls
Quem acompanha o ritmo absolutamente irregular de postagens aqui no ecodigital vai se lembrar de um post sobre a 'economia da atenção', onde já estavam presentes alguns esporos da idéia de se criar mecanismos de registro e organização de dados do lado dos usuários, como o 'attention recorder' e o 'gestures bank'. Mas o importante mesmo deste post foi o registro da abordagem que o Doc Searls começava a formular com o seu texto sobre a 'economia da intenção' (The Intention Economy). Na época ele já indicava o conceito de 'intenção' como mais apropriado do que o de 'atenção' por enfatizar o foco no indivíduo, o 'comprador'. Tal abordagem poderia alavancar a construção de soluções técnicas baseadas em dados de atenção para auxiliar o indivíduo a conseguir o que deseja dos mercados, ao invés de auxiliar o 'vendedor' a capturar a atenção dos 'compradores'.

Como o post começa a se espichar demais, vamos recapitular e fechar por agora com o auxílio do Chris Carfi:

  • O que é? VRM propõe a inversão do modelo de venda e marketing PARA clientes. Com o VRM, o cliente governa seu relacionamento com os fornecedores (empresas)
  • Quem criou? O termo VRM foi sugerido inicialmente por Mike Vizard, durante uma edição do saudoso podcast Gillmor Gang, e a partir daí a idéia vem sendo impulsionada por Doc Searls. Hoje trata-se de um projeto em andamento, e para quem pega bem o inglês e se interessou pelo assunto, baixe e escute os podcasts.
  • O que precisa para funcionar? Algumas questões técnicas são necessárias: (1) uma forma robusta para os clientes gerenciarem suas identidades online sem estar preso a qualquer dos silos criados pelos fornecedores, (2) um sistema que permita aos clientes terem controle sobre quais aspectos de sua identidade e de suas 'intenções' desejam compartilhar com um fornecedor em particular (quem sabe até anonimamente); (3) uma maneira eficiente de interação entre fornecedores e tais clientes; e (4) talvez mais importante e complexo que os aspectos técnicos seja o desafio de implementar o 'salto cultural' de realmente colocar o cliente como responsável pela seu relacionamento com os fornecedores.

Um exemplo de como funcionaria o VRM em uma situação concreta, relatado pelo 'colega' Ethan Zuckermann:

Doc apresentou um exemplo específico: Eu estou chegando no aeroporto de Los Angeles no dia 28 de dezembro, e eu quero alugar um carro médio que toque CDs mp3. Quem tem o veículo que eu quero, e quanto irá custar? Primeiro: esta solicitação quebra o sistema de praticamente todas as empresas de aluguel de carro. Segundo: no paradigma atual, você como cliente é forçado a ir ao website de todas as empresas e repetir sua solicitação. Um mercado mais fluido permitiria que o cliente especificasse suas necessidades e esperasse para ver quem teria uma oferta a oferecer. A idéia por trás do VRM vai além do modelo onde a propriedade da informação no relacionamento negocial está toda do lado do fornecedor. É um avanço na direção da independência em relação a fornecedores. e da interação com eles com base em nossos próprios termos. Neste contexto, eu digo: "eu posso estar disposto a lhe dizer as características do carro que eu quero, mas a minha identidade e as informações sobre pagamento só estarão disponíveis depois que você fizer uma oferta".

Doc Searls, live, and not in the ceiling - My heart's in Accra
Legal, não? Quem se interessou, que dê um sinal aí nos comments... Seguimos conversando.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Steve Jobs propõe fim do DRM

Hoje pode ser considerado um dia histórico para a Ecologia Digital, e por isso não pude deixar de blogar neste bom e velho espaço de reflexões. Mesmo que não haja mais nenhum leitor por aqui, que sirva de registro.

Steve Jobs publicou hoje um manifesto ("Thoughts on Music") no site da Apple, onde sugere às gravadoras que se livrem do dispositivo de DRM ("Digital Rigths Management") que restringe o uso das músicas vendidas online. Pode causar espanto que o dono da companhia que mais lucra com o modelo de negócio -- através da dupla iTunes/iPod -- venha a público propor uma total virada nas regras do jogo. Mas quem acompanha as conversas por aqui sabe que já em 2004 estávamos reportando sobre o tema e apontando os mesmos argumentos:

...aí vai um trecho da apresentação do Cory Doctorow sobre DRM* na Microsoft(!). Difícil saber se ficção ou realidade (tem até áudio online), mas simplesmente super (veja a ótima tradução integral do Silvio Meira):

"Sistemas de DRM não funcionam Sistemas de DRM são quebrados em minutos, ou dias. Raramente, meses. Não porque as pessoas que os criam são estúpidas, e não porque as pessoas que os quebram sejam espertas. Não também porque existem falhas nos algoritmos. Ao final do dia, todos os sistemas DRM compartilham de uma mesma vulnerabilidade: provêem a seus agressores o texto cifrado, o código e a chave. Neste ponto, o segredo não é mais segredo."

DRM é ruim para a sociedade Aqui está a razão social porque DRM falha: promover a honestidade de um usuário honesto é como incentivar a altura de um usuário alto. Vendedores de DRM afirmam que sua tecnologia foi desenvolvida para ser uma defesa contra o usuário médio, e não gangues do crime organizado como os piratas ucranianos que desovam milhões de cópias de alta-qualidade. Não foi criado para ser uma defesa contra garotos sofisticados, ou contra qualquer um que saiba como editar seu registro, ou pressionar a tecla shift no momento certo, ou usar uma máquina de busca. Ao final do dia, o usuário de quem o DRM irá nos defender será o menos capaz no universo dos usuários." Cory Doctorow - Microsoft Research DRM talk.

De olho no 'Induce Act' - Ecologia Digital - 24/06/2004

Entre enrolações e justificativas, todas brilhantes, os "pensamentos sobre a música" de Jobs tangenciam muito dos pontos da Palestra de Cory Doctorow na Microsoft. Mas um fator importante para o movimento é também a pressão da UE sobre o modelo de negócio do ambiente iTunes/iPod baseado em DRM. De forma oportuna e genial Jobs passa a bola para as 'majors', que são as 4 grandes gravadoras que dominam o mercado mundial da música, e cuja maior parte do capital encontra-se na Europa. Vai ser interessante ver o desfecho desta partida.

Do lado de cá, mais específicamente em Recife e com a oportunidade característica dos projetos embalados pelo Ministério Gilberto Gil, acontece de 07 a 11/02 a Feira Música Brasil promovida pela Associação brasileira da Música Independente (ABMI) e pelo MinC. Gil está presente lançando o programa de Economia da Cultura, que será tema de um painel no evento, e adiantou:
“Esta feira é um projeto piloto. Vai permitir a integração do setor com os desdobramentos tecnológicos que estão impactando a música, tais como a Internet, o iPod e outros equipamentos. Esses momentos de transformação tecnológica são estratégicos, e a promoção desta feira é um ponto de referência e interação dessas duas coisas” frisou Gil
Lançada oficialmente a Feira Música Brasil 2007, promovida pelo Ministério da Cultura e BNDES - Site do BNDES
[Disclaimer: além de blogueiro editor deste Ecologia Digital, sou funcionário público e ocupo neste momento o cargo de Gerente de Informações Estratégicas do Ministério da Cultura]