Na rede

terça-feira, junho 10, 2003

Internet X Big Mídia
- Quem sai ganhando com a desregulamentação sobre propriedade na mídia

Segunda-feira passada, dia 02 de junho, o FCC
(a Anatel dos EUA) votou
pelo relaxamento
de regulamentações federais que restringiam
o número de veículos de mídia a serem possuídos
por uma corporação numa mesma localidade, e também liberou
a propriedade cruzada, que vem a ser a propriedade, pelo mesmo grupo, de diferentes
mídias.


O principal responsável pela introdução da mudança,
o chairman Michael
Powell
, argumenta
que o fenômeno da web permitiria o florescimento da diversidade mesmo
que as corporações consolidassem seu controle sobre a TV e os
jornais. E garante
que o investimento necessário para a implementação da infra-estrutura
para as conexões de banda larga, que irá concretizar as potencialidades
das novas tecnologias, só acontecerá se o mercado de telecomunicações
for desregulamentado.


É um bom ponto de argumentação: é mais fácil
e barato hoje produzir arte e jornalismo, e a Internet provê aos criadores
potencial alcance global. Mas Gillmor
argumenta que a
decisão anterior
do FCC deu às companhias regionais de telefonia
o poder de controlar o acesso a seus condutos de dados de alta velocidade. Há
portanto o risco concreto da implementação de tecnologias que
favoreçam o trânsito de "conteúdos proprietários",
criando os chamados "walled
gardens
" (jardins murados).


O ambiente digital chiou
um bocado
sobre a questão (Gillmor,
Lessig,
Werbach), formou-se um
movimento
, e mais de 750 mil pessoas enviaram mensagens aos membros do FCC
para que votassem contra a desregulamentação (somente 11
mensagens de apoio
). Entretanto, Doc
apresenta uma visão interessante analisando o atual resultado do embate
da Web com a indústria do rádio em seu atual estado de (grande)
concentração:



"O Napster e seus sucessores são o atalho tomado pelos ouvintes
para evitar a falida indústria do rádio, que substituiu conhecedores
de música dignos da confiança do público por robôs
movidos a jabá que atuam como máquinas a serviço das
fábricas de música pop da indústria fonográfica.
"
read
more...



Enquanto isso no Brasil, estudo
do Prof. Venício
Lima
demonstra "o fortalecimento e consolidação das
Organizações Globo, mediante expansão horizontal, vertical
e cruzada da propriedade e a conservação do histórico domínio
do setor por reduzidos grupos familiares e elites políticas locais ou
regionais.
" Em entrevista
ao Observatório, destaca a venda da Telebrás no próximo
dia 29 de julho como marco final para a configuração da política
do setor. Fica a pergunta de Silvio Meira:
e se a
Telebrás voltar?


Continuaremos levantando as questões, e quem tiver alguma dica sobre
o assunto pode usar os comentários para ativar a conversa.

quinta-feira, junho 05, 2003

E quanto ao software livre...
- IV Fórum Internacional em Porto Alegre confirma a tendência do governo

Está acontecendo em Porto Alegre o IV
Fórum Internacional de Software Livre
, e as notícias nos sites
independentes são sonoras:



O discurso é
o mesmo
da II Oficina
de Inclusão Digital
, e até o
Serpro
já aderiu - SL
dominará as diretrizes de governo em TI
. Mas a big mídia parece
não estar muito interessada no assunto, a não ser na matéria
do IDG
sobre o ComprasNet, cuja
transição para SL será anunciada no evento. E o atual governo
do RS indica estar no meio do caminho entre
a Microsoft
e a tendência de vanguarda que
representa
. No meio desta desinformação que interessa a muitos,
a Magnet está cobrindo
legal
.


Enquanto isso, no Rio tem início o Mês
da Sociedade da Informação
, que começa meio
assim
(e também sem
nenhuma cobertura da big-mídia
) creio eu também por causa
da situação
política do casal garotinho
. Os atores principais desta primeira
semana são o ICA - Instituto
para a Conectividade das Américas
, uma ONG canadense que apóia
projetos de inclusão digital no continente, juntamente com as ongs VivaRio,
RITS, CDI,
Parceiros Voluntários,
e ainda o apoio técnico da RNP. Meio
bairrista, mas pode dar caldo.


Espera-se que todos os projetos, idéias e diretrizes em gestação
se encontrem e possam encontrar espaço para conversar em algum lugar
na rede.


UPDATE: Software
Livre Brasil: "Vamos Tropicalizar a Digitalização"

- Marcelo
Branco

segunda-feira, junho 02, 2003

Uma visita ao reino da alienação
- Os efeitos de um rápido contato com o broacasting global

Em minha estratégia de evitar a televisão, como laboratório
pessoal da hipótese de que usando apenas a web como fonte de informação
estamos alterando alguns parâmetros de configuração de nosso
aparelho cognitivo, há muito não via esta
coisa chamada Fantástico
. Foram apenas alguns instantes de exposição
à rede globo neste domingo à noite para ficar chocado com o absurdo
da nova campanha "anti-drogas", que
culpa os usuários de financiar o tráfico
. É do mesmo
naipe daquela outra campanha absurda que saiu nos EUA que tentava estigmatizar
os usuários por serem os financiadores do terrorismo
. Como pergunta
o NarcoNews, é
honesta uma estratégia direcionada a causar impacto numa sociedade fragilizada
pelo tema da violência?



"A questão das drogas é global e multidimensional.
Ela abrange temas igualmente complexos como tráfico de armas, desemprego
estrutural, falta de recursos na área de saúde e educação.
No entanto, o Estado prefere fazer vista grossa e tratar do tema de uma forma
mais simplista e burra. O governo de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo,
não destinou verbas para educação e conscientização
do problema das drogas mas somente para repressão ao usuário,
baseado em modelo dos Estados Unidos. Infelizmente, nosso presidente atual,
Lula da Silva, continua com tal programa .


O que é preciso então? A resposta não é simples
e requer um esforço maior do que o atual, pois a busca de prazer por
meio de substâncias que alteram nosso psiquismo encontra-se na raiz
da própria história da humanidade e a sua repressão não
tem adiantado muito.


Assim sendo, faz-se necessário investir numa cidadania mais ampla
e menos coercitiva. Pois é, no mínimo, estranho que se invista
tanto em repressão e menos em cultura e educação. Afinal
o que queremos? Indivíduos conscientes de suas decisões ou miquinhos
amestrados que se contentem com Prozacs e Viagras e não questionem
porque usam tais substâncias lícitas?


Leitores, vamos abrir nossos olhos para uma questão muito mais
complexa do que a mídia e o Estado nos faz crer que é. Além
de uma melhor definição do que é droga, o que precisamos
é construir um espaço onde o trabalho não seja alienante
e nem tudo seja apenas capital. Um projeto revolucionário, mais trabalhoso
e, certamente, mais honesto."


Campanha
Brasileira Espelha-se em Modelo Gringo e Culpa Usuários pela Violência


A “Parceria Contra
Drogas
” é fiel a roteiro de Washington e ONG responsável
comprova ser uma grande farsa

Por Carola Mittrany

The Narco News Bulletin

30 de maio de 2003



Encerrando, aproveito para sugerir a todos este exercício de se abster
da tv, e tentar a Internet e suas várias ferramentas e serviços
gratuitos como fonte principal de informação e lazer. Muito interessante
os efeitos que começam a surgir logo nas primeiras semanas, uma sensação
de liberdade, de estar mais desplugado da cultura comercial e da estética
da mídia de massa. Entre inúmeras vantagens ficamos imunes às
mensagens emburrecedoras que se valem da assimetria da comunicação
broadcast para violentar o bom senso - como a desta
campanha idiota
. Isto é Ecologia
Digital
.


Na medida que vamos conhecendo o ambiente digital, mais e mais ferramentas
interessantes vão aparecendo. E por falar nisso, sugiro uma olhada no
Kartoo, uma máquina de meta-busca muito
charmosa - dica do Sílvio Meira.

sexta-feira, maio 30, 2003

Sem Tesão não há Inclusão: O foco da questão não é a tecnologia

E segue a II Oficina, onde o destaque é a boa qualidade das idéias apresentadas pelos representantes do governo, principalmente os que estão colocados nas posições estratégicas do setor de TI (agora TIC). Sérgio Amadeu (ITI), Rogério Santana (SLTI/MP) e Rodrigo Assumção, seu incansável adjunto e principal motor do evento, me parece um tripé de qualidade para as transformação necessárias no setor.

Na primeira plenária do dia (ontem, 29), o simpático Rogerião Santanão esteve falando sobre e-gov frente a José Eisenberg, Prof. de Ciência Política do IUPERJ. Sua longa experiência à frente da Procergs, acompanhando a experiência gaúcha de software livre e também o desenvolvimento das práticas do orçamento participativo credenciam seu discurso. O fato de determinados serviços de governo estarem já internetizados (receita, eleições, bancos, geralmente tendo como retaguarda sistemas da esfera do controle), enquanto outros permanecem empacados frente ao emaranhado de sistemas que não conversam entre si revela o viés do E-gov, que até hoje desconsiderou a melhoria da qualidade de vida das populações de baixa renda. Santana: "até hoje não existe o cartão único de saúde".

Eisenberg apresentou dados de suas pesquisas sobre ação municipal de inclusão digital, e reforçou a visão de que os serviços preparados para serem disponibilizados não coincidem com aqueles que atingem o maior número de usuários: E-gov hoje não sintoniza com inclusão digital. Apresentou avaliação dos diferentes modelos institucionais das empresas de processamento de dados, comparando a Prodabel (Belo Horizonte, empresa pública), a Procergs (Porto Alegre, economia mista) e o ICI (Curitiba, organização social, resquício da Reforma Gerencial) - este último se mostrando mais ágil na captação de recursos, mas ao mesmo tempo menos trasparente e acessível ao controle social.

O último painel ficou por conta de Cláudio Prado (representando o Ministério da Cultura) e Nélson Pretto (FACED/UFBA), que trouxeram os ventos da Educação e da (contra)Cultura ao evento, até então eminentemente técnico e governamental. Cláudio  (o agitador da Ilha de Wight), encarregado de representar o ministro Gil, falou mas não disse (segundo ele porque não podia) sobre um projeto de implantação de centros de cultura digital. O plano é incentivar a apropriação tecnológica das novas ferramentas de produção de conteúdos digitais (áudio,  vídeo + internet) em localidades com alto índice de exclusão social. Entre outras "visões" Claudio propõe um salto sobre o século 20, este que manteve os frutos do desenvolvimento e do avanço científico distante das massas, para uma aterrissagem digital diretamente no século 21. Implodir o modelo da cultura broadcasting na disponibilização digital das diversas culturas nacionais, irradiando conteúdo a partir das pontas da rede. E para provocar um pouco mais, lançou a frase: "Sem Tesão não há Inclusão".

Nelson Pretto, que também coordena a Biblioteca Virtual de Educação à Distância, do Prossiga, seguiu com o painel avisando que "as redes não conectam espaços virgens" e reclamando da falta de representação do Ministério da Educação ao evento. Ao mesmo tempo em que denunciou a pedagogização da educação e a professoralidade instituída (professor precisa viajar), alertou para o perigo de se criar estruturas paralelas à escola, sugerindo que a Inclusão Digital seja mais abrangente, incluíndo o cidadão e a escola:

"A inclusão digital pode acontecer em um ciberparque localizado no meio do muro que liga a escola à rua, constituíndo um túnel de passagem, o espaço-tempo da produção cultural, onde poderiam se articular comunicação, educação, saúde, ciência, cidadania, tecnologia, etc. Não como algo à parte, mas integrando a formação do cidadão para a construção de uma nação à prova de futuro". Neste sentido convocou o terceiro setor à insistir na parceria com as escolas, e ao Ministério da Educação a se articular com as iniciativas de governo para integrar as ações de inclusão digital.

No fechamento desta blogada, Cláudio Prado ainda tentava, sem sucesso,
que sua frase tesuda fosse incluída no documento final da oficina: "Tucanaram
a inclusão
".

quinta-feira, maio 29, 2003

II Oficina de Inclusão Digital: O grito de guerra do software livre no planalto

A correria é grande, e portanto só agora alguma coisa sobre a II Oficina chega no blog. O primeiro dia (27) não correspondeu às expectativas. Cheguei atrasado e não vi a abertura, mas a ausência dos ministros previstos (Zé Dirceu e Guido Mantega) foi um ponto a se lamentar - o evento merecia maior respaldo do primeiro escalão. Vi a apresentação do Jorge Sampaio do Instituto Florestan Fernandes, que me pareceu legal, mas sem nenhuma sinergia com o representante do Programa Fome Zero. Ou seja, plenárias do primeiro dia passaram em branco. Os grupos de trabalho foram mais interessantes.

O que despertava a atenção hoje (28)* era o atrativo especial chamado Silvio Meira (CESAR / Porto Digital) (foto) que conhece como ninguém as peripécias da arte zen de se produzir software no Brasil, e estaria frente à frente com Sérgio Amadeu, homem forte da TIC governamental, numa conversa sobre Inclusão Digital e Software Livre.

O debate ultrapassou as expectativas, deixando muito claro no entusiasmo de Amadeu que estaremos diante de diretrizes políticas de compras governamentais em TI realmente revolucionárias. É software livre (e não grátis) e ponto. Há que se destacar a lucidez e o refinamento das colocações do Sílvio sobre alguns poréns relevantes na doce visão do Brasil como eldorado do software livre, mas a arrojada empolgação do Diretor do ITI é contagiante.

A primeira palestra do dia já havia surpreendido pela presença de Nelson Simões, da RNP, que apresentou com clareza uma alternativa "à prova de futuro" de como pavimentar as vias que irão possibilitar todo e qualquer projeto de inclusão digital. A opção pela fibra ótica / rede ethernet, acrescida em flexibilidade pela possibilidade wi-fi na chamada "last mile" configura uma combinação eficiente, de baixo custo, e que estaria pronta para a demanda por novas aplicações a ser gerada nas pontas da rede. Muito interessante a ênfase do Neslon de que a rede não pode ser vista como um serviço, e sim como patrimônio a ser gerido pela comunidade usuária. Vale muito estudar a apresentação dele: Redes Comunitárias.

O Marcos Dantas do Min. das Comunicações, que debateu com o Nelson, falou de forma academica e ideologicamente interessante, mas não apresentou nada da posição do Minicom em termos de propostas de otimização de redes e acesso universal, o que seria esperado do representante ministerial. O FUST e suas indefinições alcançou consenso: merece levar um
"boot".

No público presente, boa representação do terceiro setor, das empresas e do governo, apesar da subrepresentação de alguns setores - no geral, grande evolução em relação à primeira oficina. Muito bom conhecer no concreto parceiros de conversas digitais de longo tempo. A turma do Projeto Metáfora, a quem eu já me conectava há algum tempo marcou boa presença (foto), assim como o pessoal do surpreendente Saúde e Alegria, do Sampa.org, continua...

(*) obs: Esta é a blogada de ontem, que não foi publicada porque o link da comunidade caiu por falta de pagamento (!) "Inclusão digital, quem paga a conta?" No caso, eu.

obs 2: o brother duende também está blogando sobre a Oficina lá no CTJovem.

quarta-feira, maio 21, 2003

Zé Dirceu: E-Gov = Inclusão Digital
- Chefe da Casa Civil une TI e Comunicação, agora TIC

Na semana que antecede a II
Oficina de Inclusão Digital
em Brasília, o governo Lula parece
estar apresentando as ferramentas institucionais com que irá gerenciar
os setores de Tecnologia da Informação (TI) e Telecomunicações.
José Dirceu foi arrojado o bastante para sacramentar
uma nova sigla - TIC - Tecnologia da Informação e Comunicação

- que a partir de agora irá aglutinar muitas ações importantes
que andavam dispersas no meio burocrático brasiliense. "A Tecnologia
da Informação e Comunicação se vincula mais a temática
do desenvolvimento e do combate à pobreza do que ao mero debate sobre
soluções de informática
", veja
a íntegra do discurso
.


No último dia 14, na reunião
do Comitê Executivo do Governo Eletrônico
, foram lançadas
as 8 Câmaras Técnicas
que irão propor políticas e coordenar a atuação
do governo em diferentes áreas. A Câmara de Implementação
do Software Livre ficará com o ITI
de Sérgio
Amadeu
(ex-Egov da Prefeitura de SP), que parece ser o homem forte de Dirceu
para coordenar toda a estratégia. Boas sinalizações!


A SLTI,
de Rogério
Santana
, na qual figura também o Rodrigo Assumção (Sampa.org),
coordenará as câmaras ligadas à infraestrutura "dura"
de processamento de dados do Governo: a de Integração de Sistemas,
a de Sistemas Legados e Licenças, a de Infra-Estrutura de Rede e a G2G.
A Câmara de Gestão de Sites e Serviços Online fica com a
Secom/PR, que no governo
passado não assumiu a tarefa, que já era sua, Deus sabe porquê.
Relações Exteriores ira gerir
a Câmara de Gestão de Conhecimento e Informação Estratégica
(?).


A coordenação da Câmara de Inclusão Digital ficou
sem definição, e tudo indica que a Oficina que começa no
próximo dia 27 será um forum importante para diagnosticar os atores
representativos deste contexto. Zé Dirceu afirma que "Governo
Eletrônico é sinônimo de Inclusão Digital
",
e como a oficina tem o patrocínio do Sampa.org
e do RITS, além da SLTI
do Min do Planejamento
, espera-se que a iniciativa possa trazer resultados
sérios - ao menos também aqui temos boas sinalizações.


Vamos estar acompanhando de perto as movimentações relativas
à Oficina, pois tudo indica que o evento repercutirá decisivamente
no ambiente digital nacional.

quinta-feira, maio 08, 2003

A TV Digital do B
- Discurso do Ministro traz boas novidades

O ministro das Comunicações, Miro Teixeira, foi ao Senado ontem
para anunciar a conclusão da minuta de decreto que criará o grupo
de estudo encarregado de analisar a viabilidade da TV digital brasileira. Anunciou
também o uso de tecnologia digital nas transmissões de rádio
em ondas médias (digital
AM standard
- veja também: DRM:
"Why digital AM?")
o que pode ser revolucionário para o setor de radiodifusão. Mas
importante mesmo é a seguinte afirmação do Ministro, que
está hoje em matéria
do Valor
(só para assinantes, agh#*):



"...o modelo de tecnologia imaginado pelo ministério não
está voltado para a TV em alta definição, mas para a
possibilidade de transformar os aparelhos de TV convencionais em instrumentos
para a "inclusão digital", com programas de computador desenvolvidos
no país."



Na mesma matéria, Miro cita a diretriz do MC
em pesquisar dentre as diversas tecnologias que compõem os subsistemas
da DTV, aquelas que são livres para o uso sem o pagamento de royalties.
Esta diretriz antenada com os princípios da Ecologia
Digital
é um excelente input para a tarefa do grupo de trabalho constituído,
que é formado por 11 representantes do governo, do meio acadêmico
e do setor privado. O grupo terá também representantes dos ministérios
da Ciência e da Tecnologia, das Relações Exteriores e do
Desenvolvimento. Terão representantes também a Secretaria de Comunicação
de Governo e Gestão Estratégica, o BNDES, a Finep, e a fundação
CPqD. As universidades envolvidas terão um representante, e, pelo setor
privado, haverá dois integrantes, indicados pelos produtores de equipamento
e pelas emissoras de TV aberta.


Enquanto isso, na terra de Bush, a confusão ainda é grande em
relação ao prazo estabelecido pelo governo (veja "A
Paranóia de Hollywood
") para que sejam cessadas nos EUA todas
as trasmissões analógicas até o ano de 2006 - desde que
pelo menos 85% do público americano tenha adquirido os receptores digitais.
A existência de inúmeros interesses aparentemente contraditórios
criou uma situação inusitada, onde todos os envolvidos acham que
irão perder algo.


Em
"Harry Potter
e os Prisioneiros da Transição para a TV Digital
-
Uma aventura em política de telecomunicações
",
por Mike Godwin da Public
Knowledge
, publicado em Ecologia
Digital
, temos uma interessante análise do quadro atual da questão
nos EUA, e algumas propostas mágicas de solução. A briga
entre os setores envolvidos no negócio é grande, e a análise
de cenário pode ser muito proveitosa para quem acompanha e influencia
o processo brasileiro, agora acompanhado de saudável ideologia.


Havemos de cuidar para que clichês políticos jurássicos
não coloquem o projeto da DTV do B na via do atraso, nos moldes das já
conhecidas "reservas de mercado", e sim na vanguarda da concepção
libertária da rede e seus protocolos abertos.

terça-feira, abril 15, 2003

Exclusão Digital na pauta
- Várias matérias e artigos destacam pesquisa da FGV/CDI


Fotografar a inclusão digital exige uma câmera com lentes
focadas num horizonte pertinente. (leia
mais
)



A frase é do coordenador do programa "Cidade
do Conhecimento
", Gilson
Schwartz
, em artigo
disponibilizado pelo Jornal
da Ciência
, da SBPC, e vem
fazer coro com o
que apresentou o novo Secretário
de Logística e Tecnologia
da Informação do Min. do Planejamento, enfatizando o aspecto não-tecnológico
da questão.


Na semana passada vários artigos (folha,
estadão,
gazeta,
bol)
surgiram na mídia provocados pela publicação do Mapa
da Exclusão Digital
, elaborado pelo CPS
da FGV sob a coordenação do CDI
e com apoio da Sun Systems e da USAID.
Entre outras frases fortes, o estudo afirma que cerca de 1
milhão de pessoas são beneficiadas por trimestre pela inclusão
digital
no Brasil.


Partindo dos números apresentados em que 12,46% dos brasileiros têm
computador em casa, e 8,31% estão conectados à internet, a iniciativa
CDI/FGV registra a evolução da inclusão digital em termos
de parque tecnológico instalado, o que pode mascarar o fato de que "
desafios tecnológicos que estão muito além do número
de máquinas instaladas em lares, escritórios ou telecentros
"
(Schwartz).
"Parece apenas mais um dado 'inocente', mas valorizar esse indicador significa
contrabandear um modelo de sociedade da informação talvez relevante
nos EUA, mas inviável no Brasil."


Entretanto,
o que vale é o que cada um pode realizar rumo a este desafio que
é superar o abismo digital, e neste sentido venho divulgar a atuação
da AOPA -
Associação Olhos D´Água de Proteção
Ambiental
, ong gerida por integrantes da comunidade
onde moro
e da qual sou membro do Conselho Curador. A AOPA, sob a batuta
do Alexandre Lins, foi responsável
pela fundação do primeiro
EIC
na localidade do Varjão, comunidade localizada no Lago
Norte em Brasília. Este projeto em parceria com o CDI funciona com procedimentos
pré-determinados, e hoje já tem uma dinâmica de funcionamento
próprio.


Animado
mesmo é o espaço da sede da AOPA, que hoje abriga um embrião
de telecentro em projeto parceiro com a Comunitas,
o qual tem gerado iniciativas conjuntas muito interessantes com a turma da Comunicação
da UnB
e que está se encaminhando para a instalação
de uma rádio comunitária,
além de fomentar a produção cultural local para publicação
na web. Trabalhar pela superação da exclusão digital é
extremamente recompensador e divertido - vale à pena experimentar, e
não faltam vagas para monitores interessados.

quarta-feira, abril 09, 2003

TI governamental diz a que veio
- Rogério Santanna no eventão do Serpro

Saí
correndo hoje de manhã lá para o BlueTree,
do lado do Alvorada, para acompanhar a palestra do novo titular da Secretaria
de Logística e Tecnologia da Informação - SLTI
do Ministério
do Planejamento
, Rogério
Santanna
, na Mostra
de Soluções em Tecnologia da Informação Aplicadas
ao Setor Público
.


Quem é do ramo sabe que este cargo é chave na determinação
de diretrizes para a atuação do governo como um todo em termos
de TI, e eu mesmo vinha há algum tempo querendo descobrir qual o apito
que toca o novo Secretário. Tinha informações sobre sua
atuação nas empresas estaduais do Rio Grande do Sul, o que já
eram boas credenciais, e aproveitando a oportunidade vou blogar sobre a apresentação
dele, que me pareceu muito boa.


Ao
iniciar falando sobre o "apartheid digital", do abismo entre os que
participam da sociedade da informação e os que não tem
acesso a nenhuma infraestrutura - os info-ricos X os info-pobres, antecipou
a tonalidade social de toda a exposição. Muito interessante, e
supreendente, a ênfase dada pelo novo secretário ao aspecto não-tecnológico
dos projetos de inclusão digital. Demonstra que Rogério Santanna
conhece o que está falando, e que as iniciativas da SLTI poderão
finalmente se integrar com os movimentos de inclusão digital já
desenvolvidos pelo terceiro setor e pelas universidades. Só isto já
valeu a manhã!


Ao apresentar as iniciativas de sucesso do governo passado, à principio
Santanna estava meio tímido, mas há que se conceder que o ComprasNet,
que tem hoje 17 países interessados em implementar, o ReceitaNet,
e o sistema
de voto eletrônico
são exemplos de sucesso. Já não
se pode ser tão efusivo com relação às iniciativas
de E-gov na Internet (e porque existe
este?; e pra que serve este?),
pois faltou conhecimento de causa na formulação das diretrizes,
e muito pouca habilidade na integração dos programas mesmo no
raio próximo da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos
Três Poderes (tudo pertinho!). Santanna comentou sua estranheza com o
fato de não haver nenhuma rede de fibra ótica do goerno interligando
os prédios na eplanada (!?). Só a Remav,
da antiga Telebrasília.


Em seguida abordou também a questão do compartilhamento racional
da infraestrutura de redes, o que deve assustar as telecons. Mencionou a necessidade
de independência com relação a esquemas monopolistas / proprietários
no fornecimento de sistemas, o que implica diretamente na questão do
software livre, e colocou como desafio a integração do E-gov com
estados e municípios. Chegou a mencionar o papel importante das empresas
estaduais de processamento de dados neste processo, através do forum
que é a ABEP. Como conhecedor
do ramo, afirmou também que estas empresas precisam passar por uma grande
reformulação em termos de gestão.


Como desafio futuro mencionou a implantação de uma politica de
gestão de sistemas legados, destacando que este aspecto da gestão
de TI mobiliza manobras gigantescas na estrutura dos órgãos governamentais,
e portanto deve operar de acordo com diretrizes gerais que promovam a integração
dos sistemas em nível amplo e o manejo racional dos recursos de TI.


A proposta de implementação do ComprasNet a nível nacional,
de forma a permitir uma política de fomento setorial às micro,
pequenas e médias empresas, ou ainda àquelas que investem em inovação,
através de diretrizes específicas para as compras governamentais
também me pareceu um projeto de primeira. É uma herança
positiva do trabalho realizado no governo passado.


Entre
uma e outra frase interessante, Rogério Santanna mandou lá que
"nenhum processador pode estar sendo desperdiçado no Brasil",
uma boa frase de efeito para o MetaReciclagem.
Deixou claro que o próximo passo do governo em termos de inclusão
digitral será a "Segunda Oficina de Inclusão Digital"
que deve acontecer neste mesmo BlueTree no mês que vem. Este será
o forum onde os vários parceiros desta obra poderão se conhecer,
e de acordo com o posicionamento do novo SLTI do MP (código de siglas
típico de Brasília...), terceiro setor e universidades são
presença fundamental.


Saindo do recinto da Conferência, lá estamos cercados de logomarcas
e gatas em grande estilo - é o bombardeamento dos sentidos. O pessoal
do Serpro realmente caprichou no lanche, mas contamos com o bom discernimento
do novo Secretário para que marcas menos hegemônicas e menos fisiológicas
possam ter a chance de mostrar serviço ao novo governo.

terça-feira, abril 08, 2003

A rede em tempos de guerra

A questão da Akamai não
querer hospedar a versão em inglês
do site da Al Jazeera (como reportou
o NYTimes
) mostra um grave sinal de politização
da infraestrutura
da rede. Um artigo
de John Lettice
no The Register
comenta que a atuação da tv Al Jazeera por satélite é
uma garantia contra tal censura, e pensar no que implicaria uma autonomia análoga
no âmbito da comunicação via web pode nos levar à
conclusão de que a liberdade de expressão na rede é muito
menor do que imaginávamos.


Enquanto isso, a Wired
mostra
que o blog independente de informações de guerra que
vinha tendo um dos melhores desempenhos em termos de visitação,
o The Agonist, acaba de ser desmascarado
por plagiar descaradamente dados de um serviço de informações
pago baseado no Texas, o Stratfor.
Aqui o autor pede
desculpas
pelo plágio. Aos que pretendam usar o fato para atacar
a credibilidade da blogosfera em relação à big mídia,
lembramos que o The Agonist foi louvado
pelo NYTimes
para depois ser desmascarado por outro
blogueiro
.

sexta-feira, abril 04, 2003

Googlewashing
Pagerank causa lavagem semântica?

O The Register publicou artigo
de Andrew Orlowski (Anti-war
slogan coined, repurposed and Googlewashed... in 42 days
), onde este afirma
que os blogueiros da chamada 'A-List' detêm hoje excessivo poder em utilizar
o algoritmo Pagerank
do Google para dar visibilidade aos temas de seu interesse.


Para quem não sabe do que se trata, esta 'A-List' foi inicialmente citada
em Deconsctructing 'You've got
Blog'
, que é uma espécie de resposta ao famoso artigo You've
got Blog
, de Rebecca Mead, que anunciou a existência dos blogs ao
mundo em 2000 ao contar o romance bloguístico de Meg megnut
/ Blogger Hourihan e Jason
Kottke
. O texto de Joe Clark traz argumentos
astutos sobre a existência de uma aristrocracia na blogosfera - blogueiros
com poder suficiente para fazer um determinado conteúdo ascender nos
ranks do Google, relegando ao anonimato da web outros conteúdos não
abençoados pela 'A-list'.


O artigo no Register teve como objeto o termo "Segunda Superpotência",
que segundo Orlowski teria surgido no calor dos protestos
anti-guerra do dia 15 de fevereiro último
numa análise
de notícia por Patrick Tyler
veiculada em primeira página
no NYTimes. Segundo Orlowski, crítico
implacável
do Cluetrain,
em apenas 42 dias a máfia do 'A-List' emplacou nos primeiros lugares
da busca do termo "Segunda
Superpotência" no Google
o artigo de Jim
Moore
, The
Second Superpower Rears its Beautiful Head
, que apresenta a Internet,
ou melhor, a comunidade global conectada como o "corpo" desta "Segunda
Superpotência". Veja o trecho traduzido:



"Está emergindo uma segunda superpotência, mas não
é uma nação. É um novo formato de ator internacional,
constituído pela "vontade do povo" em um movimento social
global. A face bonita, mas profundamente agitada desta segunda superpotência
é a campanha mundial pela paz, mas o corpo deste movimento é
formado por milhões de pessoas interessadas em uma agenda ampla que
inclue desenvolvimento social, ambientalismo, saúde e direitos humanos.
Este movimento possui um corpo musculoso e ágil, formado por cidadãos
ativistas que tem seus interesses identificados com a sociedade mundial como
um todo, e que reconhecem em todos os seres humanos do planeta uma unidade
fundamental. Estas são as pessoas que estão tentando levar em
conta as necessidades e sonhos de todas as 6.3 bilhões de pessoas no
mundo - e não somente os membros de uma ou outra nação."



Ou seja, o artigo
do Register
aponta que o termo Segunda Superpotência nasceu como uma
concessão
do NYTimes
ao movimento pacifista, e que a turma do "A-List" (Cluetrain?)
teria "Googlewashed" (lavado semânticamente), ou descaracterizado
o "real" significado do termo nos algoritmos do Pagerank.
Dessa forma, o termo deixou de ter o sentido que Orlowski gostaria que tivesse
na web, e passou a representar predominantemente a discussão sobre a
Internet como Segunda Superpotência, de acordo com a proposição
de Moore.


Talvez, como diz Kevin
Marks
, Orlowski esteja manifestando a preocupação da big mídia
de que uma confraria de jornalistas não profissionais estejam adquirindo
o poder inusitado de fomentar e formatar novas discussões e introduzir
novos conceitos, cometendo o sacrilégio de ultrapassar o NYTimes em termos
de pertinência perante ao Google. Talvez assuste ainda mais a agilidade,
a escala e a velocidade de evolução de tais procedimentos de difusão
e troca de informações.


Weinberger
infere que a mensagem oculta no artigo de Orlowski, que começa com uma
referência à Internet como ambiente propício ao totalitarismo,
é de que o Pagerank do Google presta atenção exagerada
à blogosfera. Mas "E DAÍ!!". O recado do Joho é
para que Orlowski não se preocupe pois "com a capitulação
da big mídia, a Internet - onde cidadãos como Jim Moore e Andrew
Orlowski podem colocar boas e más idéias em circulação
- oferecerá a melhor proteção contra qualquer tipo de totalitarismo
".

segunda-feira, março 31, 2003

O mito da interferência no espectro de rádio
- Assunto foi tema quente na ILaw no Rio de Janeiro


"Há uma razão para nossas televisões terem
mais poder de fogo do que nós, nos borrifando com trilhões de
bites enquanto nós só respondemos com cômicos toques em
nossos controles remotos. Para permitir que os sinais cheguem intactos, o
governo tem que dividir o espectro de freqüências em faixas que
depois licencia a particulares. A Globo tem uma licença e você
não."
(leia
mais
)



Assim começa o artigo de David
Weinberger
na Salon.com,
que o Guilherme Barcellos traduziu para
o Ecologia Digital. Mais adiante afirma
que a "interferência é uma metáfora que mascara
uma velha limitação da tecnologia como um fato de natureza
".
Ou seja, é má ciência que ajuda a manter uma escassez artificial
nos recursos de comunicação, favorecendo a centralização
do poder de mídia.


O tema é tão supreendente e revolucionário que tem sido
abordado frequentemente (veja Financial
Times
), e o ILaw realizado
semana passada no Rio (veja na
Cora
) contou com uma sessão específica sobre o assunto, onde
Lawrence Lessig e Yochai
Benkler
apresentaram uma boa alegoria sobre a situação (íntegra
no Copyfight).
Vale à pena se informar.


Update: Veja também "A administraç?o do espectro eletromagnético", de Michael Stanton, no Estad?o.

terça-feira, março 25, 2003

Se o tirano quer guerra...
Alimento para o pensamento


"Noite
passada conversei com uma cara bem legal, o Hernani
Dimantas
, do Projeto Metáfora,
e após tentar nos comunicar em Português e inglês, ficamos
com o espanhol. Ele falou-me de grandes planos de levar computadores e a tecnologia
da internet para as Massas. Discuti com ele que a enfâse era contrária.
Mais importante que levar a tecnologia às Massas – o que me cheira
um pouco a caridade o que pode perigosamente levar a condensação
de um pensamento e ação colonial – é meu ponto
de vista que as Massas devem ter de volta o controle da tecnologia. Não
quero levar a tecnologia para as Massas. Quero seguir as Massas para reconstruir
a tecnologia. Esse ponto pode parecer uma pequeno problema de semântica
mas acho que faz toda a diferença do mundo.


Sou um ludita não muito comum; um dos primeiros a lutar pela liberdade
de imprensa na Internet que odeia a Internet! Trabalho na Internet. Desconfio
da Internet. A Internet é um mundo de vigilância total. Sou o
editor chefe de um jornal online tri-lingue que recebe dois milhões
de visitas por mês: narconews.com
(é um pontocom ainda que não seja comercial, e não um
pontoorg como está no programa do Mídia Tática; o Narco
News não é uma “organização”, operamos
mais sobre o conceito de Deleuze e Guattari; “máquina de guerra
fora do Estado”).


Convido-lhes a visitar o Narconews.com
na Internet – agora publicamos em português
também, em adição ao inglês
e ao espanhol
e a participar nessa máquina de guerra; a participar nessa guerra,
porque estamos em guerra, um tipo de guerra civil internacional, um conflito
armado – armado com computadores, câmeras, papel e caneta e armas
parecidas – para tomar de volta o jornalismo das mão de tiranias
enconômicas que roubaram e destruíram o jornalismo de nossas
vidas; algumas pessoas chamam isso de revolução. Narco News
não é um brinquedinho tech. Não é um esquema para
fazer dinheiro. Estamos em guerra."



Veja a íntegra do texto As
Massas contra a Mídia
, por Al
Giordano
, e também vale conferir If
The Tyrants Want War
.

domingo, março 23, 2003

Rede de Mídia Tática
- Como ajudar um shaman sulamericano em apuros no Canadá

Comecei buscando formas de dar visibilidade ao problema

de Juan Uyunkar
, um shaman ecuatoriano da tribo Shuar que está detido
no Canadá acusado de negligência na morte de uma senhora de 70
anos, conforme relatado no Santodaime.org.
Ao mesmo tempo checava as repercussões do Mídia
Tática Brasil
e a busca me fez chegar numa entrevista
do Al Giordano
, que é editor do Narco
News
, "site de notícias que cobre a guerra contra as drogas
promovida pelos EUA de um ponto de vista heterodoxo". Ele esteve presente
no evento da semana passada em SP falando sobre "jornalismo
autêntico
", uma "versão moderna do intelectual
orgânico
proposto por Antonio Gramsci". Pensei um pouco e mandei
um e-mail notificando a galera sobre o caso do Juan.


Seguindo a trilha, foi fácil achar informações sobre os
eventos
que o Narco News vem promovendo em parceria com o Guerrilla
News Network
(GNN), contando com a participação de vários
brasileiros - o que faz com que o site já tenha uma versão
em português
. Mas o GNN foi o maior peixe da pescaria do dia, e foi
onde encontrei um excelente conceito
de utilização de vídeo
no contexto da mídia
tática na web. A galera é tão radical e arrojada na linguagem
e na postura política que foi convidada para fazer um clipe em flash
para o Eminem, o White
America
- imperdível! Outras peças que valem à pena:
The Quiet and Subtle Cyclone,
fruto de um workshop de produção de vídeo realizado em
Diamantina, Brasil; o já clássico vídeo-rap S-11
Redux
, e o audacioso Crack
the CIA
, que fala sobre o envovimento do governo americano com o tráfico
de drogas. Sinistro.


O
GNN em sua tática não despreza uma boa circulação
impressa, e por isso está disponibilizando a primeira edição
de um panfleto em pdf para
distribuição tática via web: o Guerrilla Deprogrammer.
Neste primeiro número conta com a surpreendente foto (ao lado) onde Donald
Rumsfeld
, Secretário de Defesa dos Estados Unidos, aparece cumprimentando
Saddam Hussein. A história é detalhada também aqui,
em mais um nó dessa rede tática.


Enquanto isso, a big
mídia
continua demonstrando seu
desconforto
com as ações de mídia tática que
começam a se desenvolver neste começo de guerra. A CNN
acaba de solicitar a Kevin Sites
que pare de
blogar
, e enquanto isso a rede ridiculariza Bush com o vídeo
da cabeleleira
(versão
ampliada
). A BBC publicou,
e a Casa
Branca foi à loucura
. O vírus da mídia está
solto, e os poderes estabelecidos não estão percebendo a dimensão
do rombo em seu casco - vai ser interessante acompanhar o desenrolar dos fatos.


Comecei tentando ajudar no caso do ayahuasqueiro
detido lá no Canadá
, e num passeio pelo universo da mídia
alternativa na web neste momento da história, pude perceber que o mundo
está mudando muito rapidamente...

quarta-feira, março 19, 2003

Rio de Janeiro, capital mundial da Internet
- Pelo menos na semana que vem, com dois eventos quentes

A semana que vem vai transformar o Rio de Janeiro em um caldeirão de
discussões digitais, e será importante acompanhar pois a movimentação
poderá influenciar o futuro e o desenvolvimento da Internet no país.


De 23 a 27 de março, domingo a sexta, vai rolar o ICANN
Meetings in Rio de Janeiro
. As conversas são muito técnicas,
e centradas nas questões
de domínio
, como a introdução de novos TLDs (Top-Level
Domains
), mas quem tiver pela área pode tentar dar uma olhada pois
o evento é grátis em sua parte
pública
. Desde 2000 rola uma discussão sobre se o ICANN deveria
alargar seu escopo de ação, mas o board parece ainda perdido em
relação à própria representatividade
e legitimidade
, balançando entre os interesses dos usuários
e da indústria. Parece que vai haver algum
webcast
, e para se inteirar do que está rolando no tema vale à
pena acompanhar o ICANNBlog e ICANNWatch.
Na programação está previsto também o Encontro
dos Provedores
, onde certamente será quente o debate sobre a Internet
Gratuita
no país.


O outro evento é o Internet
Law Program 2003
de 24 a 28 de março, que na programação
anuncia, entre outras
estrelas
, a presença do herói de todos nós Lawrence
Lessig
. Ao contrário do outro, este evento é caro prá
xuxu: US$ 700 o pacote completo, US$ 200 por dia. Ficamos na esperança
(quase certeza) de que alguém vai blogar as apresentações,
né? De quebra vamos começando a fazer barulho sobre o que significa
este evento, principalmente no que toca aos
copyrigths deles
, e ao nosso
copyleft
aqui em território brazuca - blogueiros.br, uni-vos!. Mais
informações a qualquer momento, e por ora, a última
(e brilhante) aparição
do Lessig na SXSW.

Inclusão digital - Participe!

Se você possui acesso à internet e é 'alfabetizado tecnologicamente' (sabe usar um micro, mesmo que apenas o b?sico), parabéns. Você n?o é um analfabeto digital e faz parte de menos de 10% da populaç?o brasileira. Se você se importa com os outros 90% clique na logo abaixo...


sexta-feira, março 14, 2003

Big Globo se irrita com Mídia Tática:- Repórter do gigante do broadcasting ofende ativista digital

Ninguém pode perder o vídeo que mostra a baixaria protagonizada pelo repórter Britto Jr. (foto, horroroso!), do Jornal SP TV, ao tentar montar um cenário que se encaixasse em seu roteiro próprio do que seria uma reportagem de cobertura da big mídia no Festival Mídia Tática Brasil.

O tal sujeito achou-se no direito de "rodar a baiana" e agredir verbalmente a Tati Wells!!! Basta assistir a
peça
para perceber que o tal brito atuou um tremendo "ato falho", farto de simbolismo expresso na frase que fecha o vídeo: "não é coisa que pessoas comuns, que não entendem deste ramo, tenham condição de dar palpite". Big mídia vs. formiguinhas.

A Folha, que apoiou o evento, cobriu ironizando o exotismo das propostas e dos proponentes. Já o Estadão parece não entender a proposta ao começar sua crítica ao evento afirmando que o MTB propõe "uma comunicação de massa radicalmente oposta àquela produzida pelas grandes empresas de jornalismo e publicidade". Radicalismo sim, mas que começa com o desenvolvimento da potência da comunicação das pontas, desprezando a massificação da informação.

Alô alô galera, até o ministro aderiu. Venha conhecer o Mídia Tática Brasil.

Hoje rolou a instalação da Rádio Pega Eu, com o objetivo de denunciar a ação da PF contra as rádios comunitárias. Confira também o blog da turma do MTB. O evento está na Casa das Rosas, na Av. Paulista, São Paulo, até domingo (16), quando vai rolar o workshop do HD e do Felipe. As formiguinhas agradecem a presença, e se o big brother quiser vir, favor não perturbar o nosso caos.

UPDATE: ótima reportagem sobre o MTB no Furdunzzo

sexta-feira, fevereiro 28, 2003

Aí vem o Ev
- Ficou esquisito o título mas é isso mesmo.

Quanto abri meus referrals
stats
hoje dei de cara com uma entrada por link do blog
do EV
an "Blogger/Google"
Williams, que remete para o The
Blogger-Google F.A.Q
. É a blogada mais esperada das últimas
duas semanas, quem não vai linkar?
E lá tem também uma página dando toques sobre layout
em CSS.
Legalzão! Só achei estranho o Ev ter entrado na minha
lista de referrals - será um novo tipo bloogggle de spam? Acho
que já tinha ouvido falar disso.... Funciona bem! Será que foi
isso? Pode ter sido o link do NextBlogSpot...
maybe.

quarta-feira, fevereiro 26, 2003

FCC e Anatel
- Como (des)regular o mercado de acesso a Internet

A questão da regulamentação das telecomunicações
no que se refere ao acesso à Internet têm sido objeto de muita
argumentação e disputa em todo o mundo. Ainda na semana passada
o FCC americano votou
um conjunto de regulamentações
, o qual foi considerado
incoerente
pelo próprio Chairman da comissão, Michael Powell.
Tentar entender agora o que se passa no contexto norte-americano pode ajudar-nos
a antecipar situações futuras do nosso mercado.


Está claro que as entidades que se fazem representar no FCC, incluindo
as chamadas baby "Bells" (Verizon, BellSouth, SBC e Qwest), telecoms
de atuação regional, e as grandes AT&T e Worldcom, assim como
as empresas do setor de tecnologia (que no caso também se dividem em
fornecedores de software, de hardware, e provedores de serviço de acesso),
como no Brasil, não estão conseguindo chegar a um acordo sobre
como repartir o mercado.


Arrisco afirmar que a maioria destas empresas ainda não entenderam bem
a dinâmica da Internet, e por terem dificuldade de conceber o próprio
espaço no cenário futuro do mercado de acesso, ficam paranóicas
e batendo cabeça no intenso lobby sobre as instâncias reguladoras,
gerando normatizações
incoerentes
que terão como resultado entupir os tribunais de questionamentos
legais nos próximos meses. O sindicato dos lobistas e dos advogados só
têm a agradecer.


Aqui no Brasil estamos por aguardar a consolidação da Consulta
417
pela Anatel,
e bom seria se os responsáveis pelos resultados do processo estivessem
acompanhando de perto a bagunça que o FCC está causando por lá,
e tentassem evitar a possibilidade da Anatel repetir a lambança por aqui.
Rogério
Gonçalves
no Observatório
dá as últimas informações sobre o processo, colocando
esperanças numa melhora da formação do Conselho Consultivo
da agência, que hoje tem vários membros que também são
dirigentes de telecons(!). Assim dá até para dispensar o lobby...







O fenômeno wireless

the last mile


No momento existe um fator que precisa ser incluído com urgência
na presente discussão - a tecnologia
wireless como solução
para a conexão final da Internet
aos usuários. A Lei
de Moore
determina que a tecnologia de pacotes do protocolo Internet irá
dominar o mercado de telecomunicações, eliminando o protocolo
de circuitos das linhas telefônicas que utiliza ineficientemente o espectro.
A novidade é que a mesma lei agora começa a ter impacto no uso
do espectro wireless. Como?


O modelo tradicional funciona hoje alocando bandas de espectro de rádio
para usuários particulares, como por exemplo, os canais de televisão.
O novo modelo
propõe a livre utilização do espectro (Open
Spectrum
), deixando que a aumentada capacidade dos modernos receptores selecionem
as mensagens. Tais receptores irão aumentar a eficiência das bandas
de espectro valendo-se do desenvolvimento contínuo de sua capacidade
de processamento. Adivinhe qual modelo será diretamente alavancado pela
Lei de Moore?


Visão de futuro:
hoje estou conectando
pontos de acesso
wireless aqui na minha comunidade para compartilhar uma
conexão banda larga via cable modem. Imagino que rapidamente este modelo
de acesso irá dançar, e eu estarei conectado diretamente a uma
rede wireless local (pública, comercial ou comunitária), e esta
se ligará diretamente a um transmissor acoplado no backbone da Internet.
Tecnologias que indicam
este caminho
para o acesso dos usuários finais estão surgindo
a cada instante. Quem sabe a minha pequena rede não é o embrião
da organização quer irá reunir os usuários finais
do vale onde moro em um projeto comunitário
mais amplo
, que irá se ligar diretamente ao backbone da rede se utilizando
das facilidades do modelo de espectro
aberto
?


A rede de comunicação do futuro terá, ao que tudo indica,
um esqueleto de cabos e uma pele wireless.

sexta-feira, fevereiro 21, 2003

WiFi na veia
- Lições práticas e visão de futuro


Hoje instalei mais um nó na rede wireless (WiFi)
que estou montando na minha comunidade. Foi impossível não perceber
uma sensação de estar realizando algo muito significativo, que
terá grandes repercussões no futuro. Estamos disponibilizando
um acesso broadband e iniciando experiências de trabalho colaborativo,
preparados para distribuir 6 pontos de acesso wireless e 4 wired, além
de criar um hotspot de acesso free em pleno cerrado brasiliense. A antena ainda
é pequena, mas a idéia é estar expandindo o alcance da
rede e provomendo a adesão de todos os moradores do vale (vide foto),
que avista a capital à distância. Espero poder estar compartilhando
sobre a experiência com o povo que acompanha o Ecologia
Digital
.


Um dos postos avançados na estratégia mundial de ocupação
wireless é a nycwireless,
organização comunitária que integra as iniciativas locais
de disponibilizar acesso à Internet público e gratuito na área
metropolitana de Nova Iorque (veja
a cobertura
), e que também promove um forum
de discussão para "assuntos wireless" e suporte ao desenvolvimento
de pontos de acesso. Seria o modelo a seguir no plano de expansão.


Mais especificamente em Manhattan, a MNN (Neighborhood
Network)
sedia um TV
lab
e está "inventando" o wireless
broadcast
, que busca romper com o formato clássico (e caro) de produção
de TV possibilitando a transmissão de locais remotos para a rede TV a
cabo ou satélite, promovendo alternativas criativas de programação
partindo de uma rede
P2P
. Os primeiros testes já mostraram êxito em divulgar para
os participantes da rede imagens das manifestações contra a invasão
do Iraque do último dia 15, as quais foram ignoradas pelos big players
da mídia em solo americano.


Isso é revolução!! Segura a onda aí que lá
vem repressão.