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sábado, dezembro 28, 2013

Aplicações de Cultura Participativa no CulturaDigital.BR


A plataforma CulturaDigital.BR, lançada em 2009 pelo Ministério da Cultura em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), foi a primeira plataforma de rede social aberta lançada por um governo no mundo. Em sua proposta original, lançou o slogan “Um novo jeito de fazer política pública”. Implementada com funcionalidades típicas das redes sociais, como perfil integrado de usuário, grupos e fóruns, ofereceu também aos usuários a possibilidade de criação de blogs WordPress customizáveis. 

A proposta era basicamente inaugurar um novo modelo de diálogo do estado com a sociedade, explorando o uso de interfaces digitais e dos novos modos de interação em rede, os quais a população brasileira vinha experimentando intensamente desde a aparição do fenômeno ‘Orkut. O plano de realizar este exercício de diálogo aberto em 2009, à partir de uma iniciativa pública baseada em software livre, e orientada para a construção colaborativa de políticas públicas, foi menção honrosa do prêmio ‘Ars Electronica, o ‘Oscar da Internet’, em 2010.

Em sua história desde então, a plataforma CulturaDigital.Br foi suporte para dois memoráveis processos de consulta pública no Brasil, realizados pela primeira vez de forma aberta e participativa, e utilizando funcionalidades interativas da web 2.0: (1) O processo de construção do Marco Civil da Internet (2009-2012); e a (2) Consulta Pública da Lei de Direito Autoral (2010).

As consultas públicas no país, até aquele momento, funcionavam apenas como uma apresentação da proposta legislativa, e a participação era restrita ao envio de comentários e sugestões por emails, os quais não chegavam a ser conhecidos pelos participantes do processo. A falta de transparência resultava em desestímulo à participação, esvaziando assim o potencial deste importante canal de diálogo estado-sociedade.

Fiel a esta origem e trajetória, a plataforma CulturaDigital.BR segue inovando na disponibilização de ferramentas que exploram a cultura participativa ao fomentar a conversa em rede, a construção colaborativa de consensos, e a documentação de processos participativos online. Seguimos utilizando a tecnologia WordPress, que apresenta através da customização de ‘temas’ e ‘plugins’, a possibilidade de se criar plataformas de articulação em rede com base em instalações de blogs hospedados no CulturaDigital.BR.

Veja mais: http://culturadigital.br/plataformascolaborativas/

1) Consultas Públicas

A aplicação “Consultas Públicas”, formatada como um ‘tema’ para WordPress, oferece um conjunto de ferramentas para pesssoas ou instituições interessadas em operacionalizar uma consulta pública pela internet.

Suas funcionalidades incluem um 'tema' completo,capaz de publicar blog configurado para realizar consultas sobre um ou mais 'objetos'. Amplamente customizável, a aplicação é capaz de apresentar avaliações quantitativas e qualitativas da consulta em curso, com opções para o tratamento dos resultados.

2) Delibera - Democracia Online

A aplicação “Delibera”, apresentada como um 'plugin' (módulo) a ser adicionado a uma instalação WordPress, tem a capacidade de configurar uma plataforma virtual interativa. Facilita a construção de um conjunto de ambientes que poderão ser utilizados por gestores e servidores para proporcionar novas formas de participação a serem apropriadas pela cidadania.

A aplicação tem por objetivo promover a documentação e a contextualização de processos de debate e reflexão distribuídos em rede, facilitando o acesso do cidadão interessado às formas de incidir nas políticas públicas do governo brasileiro. As funcionalidades do Delibera abrangem uma variedade de recursos online, incluindo ferramentas de comunicação e interação, fóruns de debate, salas de bate papo, vídeos, mapas, mecanismos de consulta, dentre outros.

3) Cartografias Colaborativas

Em desenvolvimento. Saiba mais sobre 'Cartografias Colaborativas'.

sexta-feira, março 08, 2013

Sobre o ‘Seminário Internacional Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura’

À partir da oportunidade criada pelo projeto de cooperação internacional "Diálogos Setoriais UE-Brasil", temos realizado conversas importantes com iniciativas que (1) implementam sistemas públicos de informação em cultura, e (2) disponibilizam acesso a acervos digitais de bibliotecas, arquivos e museus. Na próxima semana, de 11 a 13 de março de 2013, no Auditório István Jancsó da Biblioteca Mindlin-USP (Brasiliana-USP), a Secretaria de Políticas Culturais do MinC realiza o Seminário Internacional Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura.

No momento em que, no âmbito da realização do Plano Nacional de Cultura, implementamos o SNIIC, Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais, é extremamente oportuno explorar as possibilidades que plataformas digitais públicas podem oferecer para o acesso qualificado às informações culturais. Ao abranger nesta reflexão a questão do acesso integrado aos acervos em processo de digitalização nas diversas instituições que integram o Sistema MinC, e neste caso falamos de Biblioteca Nacional, Cinemateca Brasileira, Funarte e Museus, entre outros, criamos a possibilidade de formular um plano nacional para acervos digitais. 

O tema é da maior importância para todos que se preocupam com a memória nacional (preservação), com o acesso à cultura em meio digital (democratização), e com a presença qualificada dos conteúdos do património cultural da língua portuguesa na rede mundial. Diagnósticos vários e recentes apontam o elevado grau de fragmentação dos repositórios digitais em universidades e em outras organizações que lidam com conhecimento em todo o mundo. Da mesma forma, no campo dos acervos culturais, as políticas públicas ainda não avançaram no sentido de prover a necessária articulação e sustentabilidade aos projetos de digitalização em curso.

O ambiente digital, em suas muitas virtudes, proporciona grande vantagem para a ação pactuada, colaborativa. Não por acaso, a Internet fundamenta todo o seu funcionamento em protocolos, que são em última instância acordos básicos de co-operação. Cabe à nós, sempre que possível, buscar o alinhamento de nossas políticas públicas digitais à esta lógica suprema da rede -- o acordo e a transparência, que geram a confiança (trust) entre os pares. Em nosso caso específico, o campo dos acervos digitais de cultura, teremos muitas vantagens se conseguirmos articular visão e estratégias comuns entre as diversas instituições mantenedoras de coleções culturais. Podemos até dizer que não há outra forma de promover um Programa Nacional sustentável para acervos digitais se não compartilharmos recursos, principalmente de infra-estrutura tecnológica, mas também de pessoal especializado nas diversas etapas que envolvem digitalização e disponibilização de conteúdos digitais. 

Em importante evento recente do setor (Discovery Summit 2013), reuniram-se em Londres representantes de todos os grandes projetos de bibliotecas digitais no mundo. O programa Discovery ('um ecossistema de metadados') representa uma sofisticada articulação técnico-institucional promovida pelo JISC, instituição responsável por infra-estrutura para ensino e pesquisa e para acervos digitais no Reino Unido. Representados no evento estavam projetos globais como a Biblioteca Europeana e a DPLA (Digital Public LIbrary of America), e também iniciativas de articulação como a OCLC (Online Computer Library Center), que apresentaram suas premissas técnicas e institucionais para avançar no desafio da interoperabilidade dos diversos repositórios. Ficou muito clara a necessidade de uma articulação global em torno de padrões abertos ('open data'), que no caso dos acervos são metadados abertos ('open metadata', linked open data), e soluções compartilhadas para instituições mantenedoras de acervos.

Para quem acompanha de perto estas discussões nos últimos anos, foi interessante perceber em Londres o deslocamento no discurso técnico ocorrido recentemente. Antes, estávamos todos em busca do protocolo único, da arquitetura de informação mais adequada, ou da plataforma que poderia idealmente agregar todos os conteúdos. Ao constatar-mos que os grandes projetos globais de bibliotecas digitais agora colocam a ênfase da interoperabilidade de acervos em tecnologias como 'open metadata' e 'linked open data', podemos identificar um processo positivo, virtuoso e significativo.

Para ilustrar, é como se movêssemos a autoridade do processo de qualificação dos metadados dos conteúdos diversos, do interior das instituições / empresas e seus sistemas, para o ambiente aberto da web, dessa forma facilitando a adaptação de diferentes modalidades de catalogação e modelos de metadados, assim como o desenvolvimento de diversos 'plugs' de software (APIs). O desafio agora seria estruturar as informações presentes neste "oceano web" definindo e delimitando representações de conhecimento (ontologias) que possam atuar de maneira a auxiliar no processo de transição da informação propriamente descrita em conhecimento a ser acessado. Especialistas confirmam que a tecnologia 'linked data' traz um cenário completamente novo para a interoperabilidade de repositórios com lógicas distintas de catalogação (ou 'descrição de recursos', me corrige um colega bibliotecário), como é o caso de bibliotecas, arquivos e museus.

Esta novidade no aspecto técnico é uma boa notícia para nós brasileiros envolvidos no desafio dos acervos digitais de cultura. Significa que a partir de agora podemos elaborar iniciativas transversais com maior clareza técnica, respeitando as especificidades dos diferentes domínios de catalogação, e promovendo a integração dos acervos com base em padrões que estão em processo de tornar-se consenso na comunidade internacional. É importante para o setor de acervos digitais, neste momento, identificar quais as demandas do novo cenário, que novos arranjos de governança se fazem necessários, e paralelamente, cabe a nós (.gov) agora dimensionar a concentração de recursos bastante para a primeira etapa de um Programa de fato estruturante para o setor.

O Seminário Internacional sobre Sistemas de Informação e Acervos Digitais de Cultura, fruto deste 'diálogo setorial' com a União Europeia, busca cumprir este papel de apresentação do que foi prospectado no âmbito da cooperação internacional. Ao reunir os especialistas do setor no país, tem como objetivo também promover a reflexão conjunta sobre os novos elementos técnicos inseridos no campo, e como tais elementos podem se tornar objeto de novas iniciativas de cooperação. Além disso, almeja refletir sobre arranjos institucionais adequados à necessária sustentabilidade que projetos de conteúdos digitais devem garantir, apresentando como referência a experiência do JISC no Reino Unido.

O evento conta também com uma apresentação do capítulo das 'Limitações e Exceções' da nova Lei de Direito Autoral, a ser realizada pelo Diretor de Direito Intelectual do MinC, Sr. Marcos Souza. Trata-se de questão fundamental, pois não adianta avançarmos no tema da digitalização de acervos sem contar com um marco regulatório adequado às demandas básicas do ambiente digital.

Pelo fato de depositarmos grande esperança nos bons resultados desta conversa especializada, contamos com a presença de todos os interessados, seja de maneira presencial no Auditório István Jancsó da Biblioteca Mindlin-USP, em São Paulo, ou remotamente através de streaming de vídeo. Esperamos que as informações e os debates trazidos pelo evento sirvam de impulso às articulações necessárias em torno de uma verdadeira política nacional para os acervos digitais.

quinta-feira, setembro 15, 2011

O Fórum da Internet do Brasil e a identidade digital


Este texto foi originalmente redigido como um comentário às "Provocações iniciais sobre conteúdos digitais e compartilhamento" de Rodrigo Savazoni, no espaço do I Forum da Internet do Brasil. [updated]


“Muito bom ver o debate começando por aqui! Aliás, esta iniciativa de um Fórum aberto do CGI.br já estava mais do que madura para acontecer, e vem em momento importantíssimo. Que bom!

Sobre esta questão da “nova ecologia da distribuição da informação e do conhecimento”, sobre a qual temos refletido e debatido com afinco, me parece claro algumas coisas:

Tudo se encaminha para a situação em que alguns grandes players do mercado tenham o controle sobre os padrões e protocolos que irão formatar o “jeito” como as coisas irão se dar no mundo digital do século 21.

A revolução da Abertura (openness), no que se refere ao acesso aos conteúdos digitalizados na rede, trouxe um novo fôlego para processos culturais valiosos, e proporciona as ferramentas básicas para este novo estágio da civilização — a cultura p2p.

Mas estamos diante de um processo de desenvolvimento distorcido, que se por um lado inclui e empodera amplas fatias da sociedade, por outro tem gerado uma acumulação indevida por parte dos grandes agregadores da rede.

Operados com a lógica do mercado, e subordinado a interesses geopoliticos, estes grandes players seguem avançando em escala global, e assim acumulando poder de definição dos padrões que irão cada vez mais formatar o ecossistema da rede.

Em meio a esta reflexão, que talvez se relacione com outras trilhas do Fórum, lancei uma pergunta no G+: Quem é que pode definir padrões hoje na rede?

Me chamou atenção este caso do Google lançar uma alternativa ao javascript, e foi para mim a evidência de que os grandes da rede são os que hoje podem bancar novos padrões. São estes mesmos gigantes, corporações estrangeiras como o Facebook, que gerenciam os grandes ambientes das redes sociais, dominando assim o processo estratégico de desenvolvimento destes protocolos que irão formatar a inter-relação via rede no século 21.

Neste cenário, imagino se seria possível a uma iniciativa pública, apoiada pelo estado mas governada de forma compartilhada com a sociedade, propor um protocolo básico extensível que viabilizasse a criação de uma plataforma pública aberta e comum.

Fico imaginando se algo como o Diáspora fosse adotado por um arranjo institucional como este. Seria possível alavancar um protocolo aberto e distribuído de identidade (open - user-centric - identity) como plataforma pública nacional?

E porque estou falando de open identity? Porque será através de um protocolo de identidade digital público e aberto, centrado nas demandas de privacidade e de direitos autorais dos usuários, que poderemos criar as bases da economia p2p. Entretanto, são estes os protocolos estratégicos que estão sendo apropriados e dominados pela visão de corporações norte-americanas. 

Estamos neste momento acompanhando a tramitação da proposta da nova lei de direito autoral. Nela está inserido dispositivo que orienta a criação da plataforma de registro autoral, que projeta o grande banco de referências e links de toda a cultura.br.

Ao mesmo tempo, estamos vivendo um processo intenso de digitalização das coleções históricas de arquivos, bibliotecas, cinematecas, centros de pesquisa. A catalogação e disponibilização integrada destes acervos, aliada a metadados que possam prever formas de licenciamento inovadoras, viabiliza um cenário onde é possível gerar novos fluxos de retribuição autoral.

E por outro lado, cada vez mais os cidadãos brasileiros se transformam em usuários especialistas destes ambientes de mídias sociais, onde hoje efetivamente são desenvolvidos as aplicações e serviços baseados em identidade. Tais aplicações são orientadas ao aperfeiçoamento das estratégias publicitárias que financiam estes empreendimentos, mas ainda sim, é nestes espaços que efetivamente ocorre a indicação, uso e reprocessamento de conteúdo digital nos dias de hoje.

Enxergo aqui uma oportunidade histórica de provermos uma solução tecnológica em condições de responder aos desafios dos novos paradigmas, o que muitos chamam de economia criativa, mas que independente do nome deve necessariamente prever e estimular os arranjos de compartilhamento e construção colaborativa do conhecimento.

Neste cenário, o foco não deve estar no controle dos fluxos criativos, e sim no reforço de atribuição da identidade dos criadores, que somos todos nós.

A tecnologia, especialmente na lógica dos padrões abertos e do software livre, tem resposta para estas demandas. Mas estas respostas, da forma como às precisamos, não serão desenvolvidas pelas corporações que se criaram neste processo de agregação e apropriação da contribuição ‘anônima’. 

Enfim: na cultura digital, “Programe ou seja Programado”, não é mesmo?

Será que ainda existe a possibilidade de uma alternativa a este cenário dominado pelos grandes players da Internet? Na minha opinião, o papel do CGI.br nesta reflexão é central.

Seguimos conversando.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Lembrando Dpadua

Desde que o DPadua nos disse 'tchau' -- ou 'aloha' -- há exatos 2 meses atrás, venho querendo registrar em um post alguma coisa do que vivemos juntos. A efervescência criativa do DP impulsionou muitas das idéias que hoje estão se transformando em realidade no âmbito da Cultura Digital Brasileira, e a convivência que tivemos, desde o primeiro contato na blogosfera em 2002, resulta em inúmeras lembranças, fotos e links. Para o meu colega, amigo e irmão, vale reunir (agregar) mais este fluxo, para quem o conheceu, ou não, recordar DPadua.

Logo que lancei este blog (Ecologia Digital) em 2002, fui bem recebido na rede com um comentário do 'D'. O post dele já não está mais no ar, já que seu nomadismo se manifesta também em links efêmeros. Mas a minha resposta à sua saudação, referenciando toda a movimentação 'Metafórica' da época, é uma boa lembrança do que ele já aprontava no início do século:

Teve também muito significado ser citado nos fluxos do Daniel Pádua, a quem já havia anteriormente declarado meu reconhecimento devido à sua especial presença neste admirável espaço novo. O Blogchalking já é um fenômeno consagrado, mas o cara manda bem também em outras investidas como o GASLI (Grupo de Argumentação para o Software Livre) que está formulando colaborativamente um guia técnico para respaldar a Bancada do Software Livre no Congresso a criar problemas para Bill Gates aqui na Microsoftlândia, e o PROVOS, que propõe ações descentralizadas de mídia tática (entre elas o ZineProvos, em Wiki, onde já meti minha colher). É dele também o manifesto do Projeto Metáfora, e foi sua citação o impulso necessário para que eu pudesse me apresentar melhor à galera metafórica.
Agradecimento à comunidade: testmunho da calorosa acolhida do universo do blog-ativismo - Ecologia Digital (07/11/2002)
Segui acompanhando o 'Artesão de Redes' (nartisan) no ano seguinte, e quando no final de 2003 fui contactado por Claudio Prado (através deste blog) para ingressar no MinC de Gilberto Gil e plugar a então 'nova' reflexão sobre 'cultura digital' na web, não pude deixar de pensar em Daniel Pádua para compor a equipe. O convite foi feito em um comentário no seu blog, e a resposta foi pronta. Pronto! Dpadua estava em Brasília, vindo morar em minha casa, para trabalhar no MinC juntamente com o codeiro metaleiro Marcelo Metal. Estava formado o bunker do 'artesanato ecológico da cultura digitalizada' em Brasília, em plena comunidade Céu do Planalto.

O 'Sapo Crocante' passava então a fazer parte da família, junto com meu irmão (Daniel Duende) e meus filhos -- foto ao lado com Miguel, Luiza e Gabi. Um coletivo, uma irmandade, uma festa. Um ótimo contexto enfim para pensar tecnologia em termos humanos, pois como bem dizia o Sapão, "tecnologia é mato, o importante são as pessoas". Lá estávamos nós, morando no mato, e delirando sobre as possibilidades que a inspiração de Gil viabilizava sob o guarda-chuva temático da cultura digital no MinC.

Pádua nos acordava saltitante para mostrar desenhos intrincados, descrições de possibilidades vislumbradas no sonho. No dia seguinte, o plano poderia ser completamente outro, sem que isso implicasse em qualquer traço de contradição. Por vezes, ficava cantando o mesmo trecho de uma mesma música sem parar.. e frente à irritação do bando, sorria. Dizia que, no fundo, ele era 'uma ficção para os nossos sentidos'. Meu irmão (Duende) recentemente descobriu um sentido mais apropriado para este personagem fictício: Pádua encarnava o mito do imaginante, o 'sátiro pulapulante', e nos soprava o frescor de quem veio aqui para se divertir e divertir quem esteja por perto. O auto-divertido.

Enquanto isso, no MinC entre 2004 e 2005, juntamente com o Metal (ainda com cabelo), formávamos uma trinca para desafiar as limitações do serviço público em compreender a revolução da rede. O trampo básico era gerenciar a estratégia web do ministério, mas o fluxo criativo e o clima inspirado da gestão Gil nos colocava em outras 'viagens'. Junto com Alfredo Manevy (ainda menino) e Ronaldo Lemos (ainda com topete), bolamos o 1. Concurso de Idéias Originais e Demos de Jogos Eletrônicos, que promoveu o modelo de narrativas emergentes para a criação colaborativa de games baseados em idéias originais de jovens brasileiros. Um projeto muito louco. Além disso, a ativação de possibilidades interativas da rede nos eventos presenciais do MinC foi outra frente 'divertida' na qual pusemos a mão.

A percepção de que toda a movimentação ativada nos pontos de cultura e demais ações arrojadas do MinC merecia uma plataforma agregadora aberta na rede nos mobilizou nos últimos meses em que trabalhamos juntos, em 2006. Era a incorporação do conceito Xemelê em uma tecnologia apropriada -- um banco de dados quântico.

Não alcançamos o que desejávamos. Talvez não houvesse na época tecnologia madura o suficiente para acompanhar a criatividade saltitante do DPádua. A equipe se desfez ao final de 2006, mas é inegável que tudo o que fizemos no MinC desde então, culminando com a rede social (aberta e agregadora) CulturaDigital.br, tem nítidas influências do sapo.

DPádua então seguiu semeando cenários imaginantes, até que 'quase' conseguiu hackear a presidência da república com o que veio a se chamar 'blog do planalto'. Ao mesmo tempo, dançava, cantava e batucava maracatu no Seu Estrelo, reafirmando a alegria que pautava o seu dia. Conectados à distância, sempre trocávamos idéias sobre as novidades e novas possibilidades da rede.

Recentemente havíamos acertado seu retorno ao MinC, para compor a equipe da coordenação de cultura digital. Não deu tempo. A vida tinha outros planos. Mas em sua generosidade infinita, deixou para nós muitos presentes, dentre eles, seu sorriso.

Há 2 meses atrás o brother Duende disse: "espero que o DPadua dentro de todos vocês possa novamente cantar e dançar em breve." Amém.

DPadua Vive!


The Nartisan Manifesto: o artesão (de redes) não é movido pela destruição da autoridade, mas pelo vislumbre da liberdade de agir a seu modo.

sábado, novembro 08, 2008

1º Festival Internacional de Arte e Mídia – FAM, na UnB

Fui convidado pelo colega Daniel Hora para participar da mesa de debates Arte, Educação e Tecnologia, no tema Cibercultura, do 1º Festival Internacional de Arte e Mídia, na UnB. Faz algum tempo que não tenho a oportunidade de falar para público acadêmico, e particularmente neste momento, senti necessidade de exercitar a reflexão sobre Cultura Digital.

Achei que fazia sentido começar falando do Xemelê enquanto iniciativa de utiização prática dos conceitos, ilustrando a abordagem focada no fomento a uma "cultura de uso" das possibilidades da convergência digital e do uso interativo da rede.

É aí me pareceu fundamental introduzir o que considero ser as premissas da Cultura Digital enquanto conceito de referência para a formulação de políticas públicas de inclusão digital: (1) o impacto inegável da Internet na cultura, em variados sentidos; (2) a grande vantagem que iniciativas de caráter público tem ao fazer uso da web como plataforma; (3) o uso das tecnologias digitais e da comunicação via rede sobre temas da cultura acelera a apropriação e a compreensão das transformações em curso na era da informação; e (4) é estratégico que sejam exploradas as possibilidades de usos inovadores e novas modalidades de participação na rede antes que sejam criados constrangimentos penais para os usuários.

Entre apresentações como "Arte Hacker e o Ciberfeminismo" da Profª Maria de Fátima Burgos, e "Ruído, Desvio e Produção Colaborativa: Estética Relacional e Hacktivismo" do Daniel Hora, me senti à vontade para contar do que estamos fazendo no MinC em relação a este tema tão virtual, e ao mesmo tempo tão presente e concreto que é o ambiente digital. E a resposta da audiência também foi muito positiva.

Foi importante poder lembrar os presentes do ativismo necessário à manutenção das possibilidades abertas e das liberdades e direitos civis no ambiente digital. Deve acontecer nesta próxima semana a audiência pública na Câmara dos Deputados sobre o substitutivo ao PL 89/2003, mais conhecido como 'Lei Azeredo'. O projeto pretende tipificar condutas ilícitas na rede, mas tem causado enorme controvérsia na medida em que inúmeros especialistas têm listado exemplos de ações triviais que estariam sob risco de serem enquadradas como crimes caso a lei seja aprovada. Será que vamos conseguir mobilizar os interessados em manter a rede aberta e neutra?

Segue abaixo os slides da apresentação realizada.




Participação na mesa Arte, Educação e Tecnologia, tema Cibercultura

sábado, agosto 02, 2008

Workshop do 'Internet Bill of Rights' no iSummit08 em Sapporo

Para representar o Min. Gil em mais um colóquio da coalizão dinâmica para a formulação da 'Carta dos Direitos da Internet', fui enviado pelo MinC para participar do iSummit08 em Sapporo, no Japão. Recapitulando...

Desde o seu lançamento, por ocasião da Cúpula da Sociedade da Informação em Tunis (2005), a iniciativa para a formulação de uma "Carta dos Direitos da Internet" tem no Ministro Gilberto Gil um de seus principais articuladores. Durante o 'Internet Governance Forum' (IGF-ONU) ocorrido em Atenas em 2006, foi lançada uma coalizão dinâmica para formalizar as articulações no tema.

Naquela oportunidade, representei o Gil no workshop e a abordagem foi em cima da demanda por 'remixar cultura', que empiricamente surgia na dinâmica das atividades nos pontos de cultura. Neste caso, falávamos de algo mais do que apenas direito de acesso: novos proto-direitos que surgiam como consequência de situações inusitadas proporcionadas pelo ambiente digital, e que precisam reconhecimento e suporte tanto por serem novos, como por constituir ameaça direta ao modelo de negócio sustentado pelo marco regulatório vigente - direitos assegurados.

Na segunda edição do IGF, que aconteceu no Rio em novembro do ano passado, o Gil reafirmou a necessidade de um documento que pudesse estabelecer princípios sobre direitos fundamentais no ambiente da Internet, que devem incluir questões relativas a privacidade, proteção de dados, liberdade de expressão, acesso universal, neutralidade da rede, interoperabilidade, uso de padrões abertos, acesso público ao conhecimento, entre outros. Na ocasião foi assinada uma Declaração Conjunta sobre Direitos da Internet junto com o Subsecretário de Estado para Comunicações do Governo da Itália, Luigi Vimercati.


O workshop sobre o IBR que aconteceu no iSummit no Japão foi um evento promovido pela coalizão dinâmica / IGF-ONU, e contou com apoio do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV-Rio. O workshop apresentou uma tentativa de reformatação da abordagem que prevaleceu até agora, muito focada na idéia de formulação de um documento (carta / bill), e que não logrou avanços significativos. A despeito da atenção que o 'meme' Internet Bill of Rights é capaz de atrair na mídia, está claro que o debate sobre a governança global da Internet demanda não um documento mas uma uma plataforma que facilite a colaboração entre as inúmeras partes, promovendo processos e instrumentos que possam então definir e garantir o respeito universal a direitos na Internet.

Devo dizer que todos os presentes que estavam tomando um primeiro contato com o tema do 'Internet Bill of Rights' e se manifestavam com perguntas ou comentários, levantavam as mesmas questões que vem sendo levantadas desde o workshop em Atenas, em 2006. (1) Porque não implementar os direitos já consagrados na declaração universal? (2) Como legislar efetivamente em meio a tantas variáveis nacionais sobre a interpretação dos direitos em relação à rede? (3) Como regulamentar sobre variáveis tecnológicas que se alteram diariamente?

Em conversa com integrantes da coalizão dinâmica, registrei um consenso no sentido de que o nome 'Internet Bill of Rights' tem mais atrapalhado do que ajudado a evolução do debate sobre direitos na Internet, e será encaminhada moção com este objetivo. O próximo encontro da coalizão está marcado para acontecer na próxima edição do Internet Governance Forum em Hiderabad, na Índia, em dezembro de 2008.

O pitoresco foi que, no dia da apresentação no workshop em Sapporo (Bill of Rights & Brazil's Ministry of Culture, veja o vídeo), Gil já não era mais ministro... No dia 31 de julho ele anuniou seu retorno à música, o que acabou sendo tema de um papo com o Tony Curzon Price do Open Democracy no Starbucks da esquina da rua do hotel. Da conversa surgiu o convite para o artigo sobre a gestão Gil no MinC para o OD, o qual tive o maior prazer em fazer, e que está também no eco-rama (com fotos).

A oportunidade de viajar ao Japão é extraordinária. Em Sapporo fiz alguns registros que reuní no vídeo abaixo, com trilha do CD CC-Asia e do Miguel, meu filho (olha o coruja :)

sexta-feira, junho 06, 2008

Wordpress no MinC: Xemelê e Software Público

Até para justificar o porque deste blog ser atualizado tão raramente, vale destacar o trabalho que estamos realizando na 'gloriosa' Gerência de Informações Estratégicas do Ministério da Cultura.

Os plugins que habilitam o Wordpress a gerenciar portais, os mesmos utilizados no site do MinC, começam a ser compartilhados no blog Xemelê. O primeiro foi o 'Gerenciador de Capas', e em contato direto com os usuários a equipe está 'arredondando' o tema 'Xemelê', que trará este e outros plugins (gerenciador de regras, limitador de categorias, etc.) já instalados. A publicação do tema completo deverá facilitar o entendimento da instalação e customização da solução wp para portais. Com o objetivo de disseminar o uso desta plataforma como ferramenta web para as instituições públicas em geral, lançaremos em breve a Comunidade Xemelê no Portal do Software Público.

Esta semana lançamos também a segunda versão do site do MinC em Wordpress, que incorpora os desenvolvimentos realizados desde o lançamento da primeira versão, em novembro de 2007. O Fabiano Rangel, 'teleiro' da equipe, apresentou bem os destaques do lançamento (trechos selecionados abaixo).

MinC Versão 2.0

  • Visual desenvolvido para usuários com 1024×768 pixels
    Uma modificação importantíssima, não só pelo aspecto visual do portal.. mas por ampliar todas as áreas de informação do site. A arquitetura de informação ficou agradável seguindo o padrão anterior e permanece com uma boa navegabilidade.
  • Theme validado pela W3C (XHTML 1.0 - CSS)
    Visual seguiu todos os padrões web atuais, ou seja, foi contruido integralmente seguindo todas as normas e características da W3C.
  • Mais interatividade com os usuários do portal
    Pode-se perceber a presença dos últimos comentários de usuários do portal em diversas páginas do site, tanto na capa do portal como em outras páginas internas do mesmo. Isso com certeza é um diferencial bastante atrativo para quem gosta de ver o que as pessoas discutem sobre os assuntos.
  • Função experimental de customização da interface
    Foi incorporada uma função de “Drag and Drop” ou seja, você pode arrastar as caixas de conteúdos e deixar o visual do portal ao seu modo. Uma funcionalidade bastante atrativa para quem gosta de um estilo próprio de visualização.
  • Mais espaço para o Cultura em Movimento,
    que é um espaço para publicação de imagens de artistas, designers, fotógrafos foi ampliada e pode-se observar as imagens de uma forma mais integra no novo topo do site.

  • Busca via Google Coop
    Busca interna no portal mais eficiente, selecionando corretamente os artigos e páginas relacionadas a palavra escolhida.
  • Menus de Navegação
    Os dois menus mais importantes do site foram modificados. Foi desenvolvido um menu estilo “tree-view” de exibição das categorias, subcategorias e páginas. Agora é possivel visualizar todas categorias de um assunto “X” sem precisar ficar se movimentando pelo portal.
  • Relacionamento entre páginas & tags
    Outra funcionalidade bastante interessante, pode-se ler notícias que se relacionam através das palavras chaves. As páginas linkam-se umas as outras para auxiliar os visitantes a ver conteúdos no mesmo tema.
  • Observações Gerais
    Quem diria que um simples “sistema de blogs” seria capaz de tanta funcionalidade e um visual como este… Parabéns à Equipe Web MinC!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

WordPress no MinC: "Equipe Antenada"

Deu no WebInsider ("Ministério da Cultura adota Wordpress"):

"Equipes antenadas podem fazer o governo economizar uma boa quantia de dinheiro público adotando soluções abertas nos casos em que elas se encaixam bem."
E a equipe (da Gerência de Informações Estratégicas - DGE / SE) é antenada mesmo: Guilherme Aguiar (Coord. de Interface e Integração de Serviços), Marcelo Mesquita (Coord. de Suporte e Aplicações), Thatiana Dunice e Guilherme Barcellos (Relacionamento com Públicos), e Fabiano Rangel (Layout e Interface), contanto ainda com participações muito especiais de Hozielt Huston (Layout e Interface) e Rogério Pereira (Design e Arquitetura da Informação).

Posso dizer que o grande mérito da equipe foi o arrojo e a competência em bancar a implementação de uma solução que atende radicalmente aos requisitos e conceitos que alguns anos de experiência no ramo web governamental ajudaram a consolidar. A saber:
  • Ferramenta open source, preferencialmente do grupo LAMP (Linux, Apache, MySQL, PHP), e com uma comunidade de desenvolvimento já amadurecida;
  • Portfolio variado de funcionalidades implementáveis modularmente e facilmente customizáveis;
  • Facilidade de desenvolvimento de novas funcionalidades modulares (plugins);
  • Grande portfolio de plugins e templates (temas) disponíveis para estudo e adaptações;
  • Facilidade no desenvolvimento de layouts e templates customizados; e
  • Usabilidade intuitiva do sistema por parte dos usuários publicadores.

O fato do WordPress ter sido desenvolvido para gerenciar blogs -- o que caracteriza a presença online 'centrada na pessoa' -- confere à plataforma um alto grau de flexibilidade de customização para os usuários que publicam os conteúdos, seja em termos de layout e diferentes funcionalidades (plugins), seja na implementação de arquiteturas de informação específicas em seções secundárias. O conceito se encaixa perfeitamente na estratégia de descentralização da produção interna de conteúdo no órgão, e no movimento de apropriação da web como ferramenta de comunicação e prestação de serviços para com o público usuário da instituição.

Ao facilitar a vida dos editores de conteúdo com interfaces simples (óbvias, eu diria), e disponibilizar um leque de opções de customização contando com os últimos 'features' da blogosfera, o WordPress se torna automaticamente um sucesso junto à crítica (usuários internos / publicadores), e conseqüentemente, o resultado em termos de conteúdo gerado agrada em cheio ao público final (usuários externos).

Algumas adaptações tiveram que ser desenvolvidas para adequar o WordPress às demandas específicas do site institucional do MinC, entre elas a definição de privilégios de usuários para áreas específicas, uso diferenciado das categorias como áreas, e a possibilidade de dispor os posts de forma não-linear e por ordem de importância (livre edição de capas). Tais questões foram resolvidas de forma satisfatória com o desenvolvimento de plugins específicos, e como resultado obtivemos uma plataforma com capacidade de atender tanto às demandas centrais de integração dinâmica do conteúdo e gerenciamento de usuários, como também às customizações solicitadas pelos programas e ações do MinC em suas diversificadas estratégias para a web.

Em síntese, o que observamos no processo de implementação do WordPress como CMS do site institucional do Ministério da Cultura foi a vitória indiscutível da simplicidade, e isto tem chamado à atenção de muita gente. Desde o lançamento, temos recebido inúmeros contatos de outros órgãos de governo interessados em conhecer o modelo de implementação, e nossa idéia é compartilhar tudo o que desenvolvemos aqui no MinC -- temos todo o interesse em alavancar uma comunidade de desenvolvimento wordpress.gov.br.

Enquanto isso, o fato da notícia sobre a implementação do WordPress no MinC ter emplacado no dashboard do wp acabou gerando reações na blogosfera global. Não poderia deixar de registrar o movimento por aqui, não é mesmo? Afinal, no espírito do Global Voices, 'o mundo está falando, você está ouvindo?'.
Brazilian Ministry of Culture uses WordPress to manage their site. I really like the way they have put together various features and plugins to make the site more usable. Since I was introduced to BRIC, I have started to notice how the BRIC countries have started to become more involved in online media and publication.
[O Ministério da Cultura brasileiro utiliza WordPress para gereciar seu website. Gostei muito da forma como eles conseguiram reunir várias funcionalidades e plugins de forma a incrementar a usabilidade do site. Desde que fui introduzido ao BRIC, tenho notado como estes países (Brasil, Rússia, Índia, China) têm evoluído em termos de mídia online e publicação web]
Ministério da Cultura - Weblog Tools Collection

Das brasilianische Kultusministerium hat seine Seite komplett mit Wordpress gestaltet. Diverse Plugins und Erweiterungen und ein spaltiger Aufbau lassen die Seite alles andere als ein Blog wirken.
[O Ministério da Cultura do Brasil lançou seu novo website completamente gerenciado em Wordpress. Com inúmeros novos plugins e extensões, e um layout em 3 colunas, o site parece tudo menos um blog.]
Das brasilianische Kultusministerium nutzt Wordpress - Weblogs und Wikis

Mentre qui spendiamo carriolate di soldi per l’orribile portale italia.it, in Brasile il Ministero della Cultura, per fare il proprio sito, si affida a Wordpress. Stiamo vivendo in un paese in via di sottosviluppo.
[Equanto por aqui gastamos caminhões de dinheiro para desenvolver o horrível portal italia.it, no Brasil o Ministério da Cultura publica seu website em WordPress. Estamos mesmo vivendo em um país a caminho do subdesenvolvimento.]
Ministério da Cultura - Anonimo Italiano

Non so quanto sia costato, ma non credo i milioni di euri… Per piacere, troviamo un musicista, magari un chitarrista e facciamogli fare il ministro della cultura e anche dell’innovazione!
[Eu não sei quanto custou (o site em WordPress), mas certamente não foram milhões de euros... Por favor, encontrem um músico, talvez um guitarrista, e façamo-lo Ministro da Cultura e da Inovação!]
Ministério - Manicalarga.net

Wiedzieli wy, że plebejskiego Wordpressa używają nawet takie zacne instytucje jak np. brazylijskie Ministerstwo Kultury?
[não consegui traduzir... acho que é polonês]
wordpress.gov - Off the Record

Skillnaden mellan det svenska och brasilianska kulturdepartementet oroar. Ser vi skillnaden mellan dels ett piggt och vaket land, dels ett land som i fornstora dagar var en framträdande webbnation men som nu stagnerat?
[isto eu acho que é sueco... alguém sabe traduzir?]
Webben utvecklas - Sverige tittar förvånat på - Webbrådgivaren Fredrik Wacka

Come non rimanere affascinati da un progetto simile? Un blog che comunica tutta la vivacità di un paese caldo ed esuberante.
[Como não ficar fascinado com um tal projeto? Um blog que comunica toda a vivacidade de um país quente e exuberante.]
Il ministero della cultura brasiliano e l’esempio da seguire - Questo non è un Blog
Valeu equipe!! Vamos manter as antenas ligadas e seguir em frente.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

A trajetória de um webmaster governamental

Passadas duas semanas do lançamento da nova versão do website do Ministério da Cultura em Wordpress (ao lado), creio que agora dá para falar com um pouco mais de calma sobre o projeto, a novidade que ele traz para o governo, e o significado que enxergo em tudo isso na perspectiva da Ecologia Digital.

Mas quero antes mencionar um pouco da minha bagagem como 'webmaster' governamental, que pode adicionar informação relevante para o que desejo comunicar. Ainda em 1996, no antigo MARE (Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado), tive a oportunidade de juntamente com Roberto Dantas, realizar o registro do domínio brasil.gov.br e publicar a primeira proposta de integração do conteúdo web governamental. Ou seja, sou jurássico no pedaço. Desde então aprendi a defender o conceito de que a Internet no governo merece ser pensada com dedicação exclusiva, por um setor específico na instituição que possa conceber e implementar o uso qualificado das possibilidades da web pelas diversas áreas fins.

Na época, eu e Claudio Sato montamos a Assessoria Especial de Informações Institucionais do MARE, criada pelo então ministro Bresser Pereira para pensar a rede e propor usos estratégicos no âmbito do projeto de reforma do estado. O entusiasmo e a percepção do Bresser no tema era muito estimulante, e chegamos a realizar algo que até hoje ninguém repetiu no governo: um chat onde o ministro respondia diretamente às questões dos servidores sobre as mudanças no Regime Jurídico Único (RJU). Isto foi em fins de 1996!

Depois estive no Ministério da Ciência e Tecnologia, onde novamente trabalhei em um setor especializado em Internet que se chamava Coordenação Geral de Informação e Difusão Científica. Assim como aconteceu no MARE e novamente por influência direta do Bresser, a área não estava subordinada nem à Comunicação Social nem à Tecnologia da Informação, e sim ligada à Secretaria Executiva -- ou seja, próximo ao centro de decisão. No restante do governo a Internet seguiu seu destino incerto, ora tocada à base de releases burocráticos típicos das 'ascoms' da esplanada, ora subordinada às interfaces herméticas da turma dos 'CPDs'. Arrisco dizer que a situação permanece mais ou menos igual...

Depois de alguns apuros após a entrada do Lula, naquele momento em que os técnicos de governo foram 'perseguidos' politicamente como se todos tucanos fossem, fui 'descoberto' pelo Claudio Prado, amigo de Gil, através deste blog (é isto que eu chamo de monetização). O encontro de Claudio com Letícia Schwarz, minha colega dos tempos do Bresser, viabilizou a minha ida para o Ministério da Cultura. A proposta era ser Gerente de Informações Estratégicas -- mais uma denominação criativa para disfarçar que nosso foco principal é a rede -- e estar localizado na Diretoria de Gestão Estratégica da Secretaria Executiva, trabalhando diretamente com a Letícia e com Juca Ferreira, o vice de Gil.

Devo dizer que foi no MinC de Gil que os conceitos da Ecologia Digital embutidos na minha atuação dentro do governo encontraram respaldo e fruição total. E posso dizer também que a recente publicação do website institucional do ministério em Wordpress traduz a vitória de um conceito fundamental: o de que a utilização da web como ferramenta de comunicação pública pelos órgãos de governo é tão importante e estratégica que não pode ser terceirizada -- deve ser apropriada organicamente pela instituição. E também não pode ficar refém de concepções limitadoras, como em geral o são as visões clássicas da comunicação e da TI governamentais. É preciso estar preparado para inovar, e neste sentido o 'do it yourself' (DIY) proposto pelo movimento open source é o caminho a seguir.

Entretanto, é preciso fazer ressalvas. A experiência demonstrou que escolher uma solução open source qualquer não basta. No segundo semestre de 2003, recém chegado ao MinC e bastante influenciado pelas movimentações que o Sergio Amadeu realizava para a adoção de software livre no governo, me engagei no GT de Compartilhamento e Otimização de Recursos do Comitê Técnico de Gestão de Sítios e Serviços Online -- que foi uma tentativa da SECOM-PR em colocar alguma ordem nos sites governamentais. Me propus a realizar uma pesquisa entre os 'webmasters' da esplanada (dos ministérios) para saber o que cada um utilizava, e o objetivo era propor uma estratégia comum para adoção de rumos tecnológicos na questão da gestão de conteúdo web.

Ao cabo de minha pesquisa de campo, me dispus a apresentar os resultados obtidos em um evento promovido pelo Serpro, em dezembro de 2003. Mal sabia eu que o tal evento cumpria o objetivo de apresentar para o Comitê Técnico o Zope-Plone como o CMS (content manager system) ideal para o governo, e que os dados de minha apresentação eram absolutamente dissonantes com o hype promovido pelos donos da casa e seus poderosos parceiros naturais -- os Ministérios do Planejamento e da Fazenda. O argumento principal do meu discurso na ocasião era o de que todas as equipes de desenvolvimento dos órgãos eram formadas em asp, e a migração natural no emergente contexto do software livre no governo seria o php. Apresentar como solução geral uma aplicação (Zope) desenvolvida em Phyton, e com um banco de dados específico, levaria fatalmente ao seguinte cenário: manter os webmasters nas mãos de especialistas externos, o que praticamente inviabilizava o modelo 'do it yourself'. Conheço instituições governamentais que pagaram 1 milhão de reais(!) para terem seus websites desenvolvidos e implementados em Zope, e hoje não conseguem evoluir porque não têm mais como pagar a conta.

Mas mesmo o 'do it yourself' tem suas ressalvas. Minha frustração em conseguir uma aliança de governo em torno de um CMS integrador viável me levou a buscar uma solução php/mysql simples que viabilizasse a formação de uma comunidade de desenvolvimento open source intencional -- de governo. Foi então que embarcamos no Waram, uma solução simples gerada pelo Maratimba na prefeitura de sampa (Marta). Resultado: com as enormes restrições de equipe no MinC, e a mudança de governo em sampa, ficamos presos solitários em uma plataforma sem comunidade, sem condições de desenvolver e configurar novas possibilidades. Foram dois anos de ralação para entender o que havia dado errado no conceito, e o passo seguinte não poderia errar o alvo. Ou seja, 'do it yourself', mas nem tanto.

Foi aí que chegamos ao Wordpress, mas isto já é assunto para outro post...

quinta-feira, abril 29, 2004

Creative Commons no Brasil: FGV, ITI e MinC na frente da revolução

Aconteceu ontem aqui em Brasília, no Blue Tree, o coquetel de lançamento do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getulio Vargas. Na verdade, isto significa a chegada oficial do Creative Commons ao Brasil, com aval e suporte do Prof. Joaquim Falcão (FGV e UFRJ), e tendo como diretor Ronaldo Lemos - a quem tive o prazer de conhecer.

O evento teve como principal objetivo apresentar a versão em português dos filmetes CC, que há tempos já vêm fazendo a cabeça de muitos no ciberespaço, e que serão apresentados para o grande público no esperado 5º Forum Internacional de Software Livre em Porto Alegre (2 a 5 de junho). Bem que tentei vazar o material via blogosfera, mas nesse ponto a turma não se mostrou tão aberta.

O Prof. Joaquim Falcão, que recentemente esclareceu a posição do Supremo ao sustar os efeitos da lei gaúcha que dava preferência ao uso do software livre na administração pública, saudou os participantes anunciando que nesta nova equação do Software Livre o Centro buscará garantir o fator "LIVRE", enquanto as comunidades de desenvolvimento cuidam do fator "SOFTWARE".

Entre os presentes, vários interessantes como o Marco Figueiredo, ex-engenheiro da NASA que hoje toca o projeto Gemas da Terra - Rede Rural de Telecentros Comunitários, e muitos participantes da 1ª Semana de Capacitação e Desenvolvimento em Software Livre, que agitou Brasília nos últimos dias.

Durante o coquetel, em conversa com o Ronaldo Lemos, pude tomar conhecimento do trabalho de William Fisher, profressor de leis em propriedade intelectual em Harvard que está desenvolvendo um trabalho chamado "Promises to Keep". Um dos capítulos disponíveis online propõe um revolucionário sistema de compensação alternativa ("An Alternative Compensation System") - recompensa direta aos criadores e produtores baseado no registro da circulação digital das obras - um sistema administrado pelo governo (comunismo em Harvard?).

Claudio Prado, representante do Ministro Gil no tema cultura digital, saudou a iniciativa e reforçou a promessa de engajamento do MinC em revolucionar o cenário da produção cultural no que diz respeito aos direitos autorais. Na sequência, Sérgio Amadeu carimbou o evento com a chancela do ITI-PR, e após reclamar da presença de sistema operacional alienígena no notebook que fazia a apresentação no Blue Tree, juntamente com Marcelo D'Elia Branco (PSL-Brasil) e outros hackers presentes realizou a conversão do mesmo ao Kurumin.

sexta-feira, maio 30, 2003

Sem Tesão não há Inclusão: O foco da questão não é a tecnologia

E segue a II Oficina, onde o destaque é a boa qualidade das idéias apresentadas pelos representantes do governo, principalmente os que estão colocados nas posições estratégicas do setor de TI (agora TIC). Sérgio Amadeu (ITI), Rogério Santana (SLTI/MP) e Rodrigo Assumção, seu incansável adjunto e principal motor do evento, me parece um tripé de qualidade para as transformação necessárias no setor.

Na primeira plenária do dia (ontem, 29), o simpático Rogerião Santanão esteve falando sobre e-gov frente a José Eisenberg, Prof. de Ciência Política do IUPERJ. Sua longa experiência à frente da Procergs, acompanhando a experiência gaúcha de software livre e também o desenvolvimento das práticas do orçamento participativo credenciam seu discurso. O fato de determinados serviços de governo estarem já internetizados (receita, eleições, bancos, geralmente tendo como retaguarda sistemas da esfera do controle), enquanto outros permanecem empacados frente ao emaranhado de sistemas que não conversam entre si revela o viés do E-gov, que até hoje desconsiderou a melhoria da qualidade de vida das populações de baixa renda. Santana: "até hoje não existe o cartão único de saúde".

Eisenberg apresentou dados de suas pesquisas sobre ação municipal de inclusão digital, e reforçou a visão de que os serviços preparados para serem disponibilizados não coincidem com aqueles que atingem o maior número de usuários: E-gov hoje não sintoniza com inclusão digital. Apresentou avaliação dos diferentes modelos institucionais das empresas de processamento de dados, comparando a Prodabel (Belo Horizonte, empresa pública), a Procergs (Porto Alegre, economia mista) e o ICI (Curitiba, organização social, resquício da Reforma Gerencial) - este último se mostrando mais ágil na captação de recursos, mas ao mesmo tempo menos trasparente e acessível ao controle social.

O último painel ficou por conta de Cláudio Prado (representando o Ministério da Cultura) e Nélson Pretto (FACED/UFBA), que trouxeram os ventos da Educação e da (contra)Cultura ao evento, até então eminentemente técnico e governamental. Cláudio  (o agitador da Ilha de Wight), encarregado de representar o ministro Gil, falou mas não disse (segundo ele porque não podia) sobre um projeto de implantação de centros de cultura digital. O plano é incentivar a apropriação tecnológica das novas ferramentas de produção de conteúdos digitais (áudio,  vídeo + internet) em localidades com alto índice de exclusão social. Entre outras "visões" Claudio propõe um salto sobre o século 20, este que manteve os frutos do desenvolvimento e do avanço científico distante das massas, para uma aterrissagem digital diretamente no século 21. Implodir o modelo da cultura broadcasting na disponibilização digital das diversas culturas nacionais, irradiando conteúdo a partir das pontas da rede. E para provocar um pouco mais, lançou a frase: "Sem Tesão não há Inclusão".

Nelson Pretto, que também coordena a Biblioteca Virtual de Educação à Distância, do Prossiga, seguiu com o painel avisando que "as redes não conectam espaços virgens" e reclamando da falta de representação do Ministério da Educação ao evento. Ao mesmo tempo em que denunciou a pedagogização da educação e a professoralidade instituída (professor precisa viajar), alertou para o perigo de se criar estruturas paralelas à escola, sugerindo que a Inclusão Digital seja mais abrangente, incluíndo o cidadão e a escola:

"A inclusão digital pode acontecer em um ciberparque localizado no meio do muro que liga a escola à rua, constituíndo um túnel de passagem, o espaço-tempo da produção cultural, onde poderiam se articular comunicação, educação, saúde, ciência, cidadania, tecnologia, etc. Não como algo à parte, mas integrando a formação do cidadão para a construção de uma nação à prova de futuro". Neste sentido convocou o terceiro setor à insistir na parceria com as escolas, e ao Ministério da Educação a se articular com as iniciativas de governo para integrar as ações de inclusão digital.

No fechamento desta blogada, Cláudio Prado ainda tentava, sem sucesso,
que sua frase tesuda fosse incluída no documento final da oficina: "Tucanaram
a inclusão
".