O Global Voices Summit em Budapeste foi um evento memorável. Cabe aqui um reconhecimento solene ao excelente planejamento e execução de toda a equipe de apoio, e também
muitos 'vivas' a esta extraordinária comunidade global de blogueiros reunida pelo projeto.
O primeiro dia (26/06) contou com um workshop mais reservado, promovido pelo GV Advocacy, destinado a debater aspectos da liberdade de expressão na rede. Especialistas em filtragem de conteúdos na rede como Rob Faris, da Open Net Initiative, discutiram os 4 principais tipos: policial (bloqueio a sites de oposição ou noticiosos independentes), social (bloqueio de pornografia, jogos de azar e/ou apologia a álcool e drogas), segurança (bloqueio a movimentos separatistas e terroristas violentos) e aplicações web (ferramentas de circunvenção como o Tor ou servidores de proxy). Para a equipe GV, dois novos tipos de filtragem merecem atenção: o bloqueio a conteúdo para celulares, e o bloqueio a sites de mídia social -- o qual é mapeado pelo GV Advocacy.
A seguir tivemos dois dias do evento aberto ao público, contando com a participação de inúmeros jornalistas, blogueiros, ativistas da liberdade de expressão, e demais interessados em novas mídias. No primeiro dia os painéis contaram com relatos de blogueiros que sofrem censura em países como Belarus, Japão, Egito e Paquistão, e como os ativistas respondem a estas limitações.
Wael Abbas apresentou alguns vídeos indigestos que ilustram o desrespeito a direitos humanos no Egito, enquanto Ory Okolloh (grávida) compartilhou sua experiência pessoal no valoroso movimento de blogueiros em resposta à crise política que se seguiu à eleição presidencial de dezembro último no Quênia. Ao relato das ameaças sofridas por Okolloh, que certamente podem induzir certo grau de auto-censura, seguiu-se a exposição de Alex Au sobre o "lado psicológico da repressão" que parece ocorrer em Cingapura. Neste país, a apatia pela busca da liberdade de expressão parece estar embotada por 20 anos de um impressionante desenvolvimento econômico local.O segundo dia do evento público foi marcado pela apresentação dos projetos 'Rising Voices' (Vozes Emergentes), e também pelo anúncio dos novos projetos relacionados à saúde pública. É enorme a satisfação em fazer parte desta comunidade, e sempre agradeço a oportunidade do convite do brother David Sasaki, coordenador do Rising Voices. Georgia Popplewell, agora nossa Managing Director é quem divide a foto comigo e David em Budapeste.
Na rede
terça-feira, julho 15, 2008
Aprendendo com as Vozes Globais
Postado por Unknown às 17:26 |
Marcadores: budapeste, global voices, gvsummit08, rising voices
sexta-feira, junho 06, 2008
Wordpress no MinC: Xemelê e Software Público
Até para justificar o porque deste blog ser atualizado tão raramente, vale destacar o trabalho que estamos realizando na 'gloriosa' Gerência de Informações Estratégicas do Ministério da Cultura.
Os plugins que habilitam o Wordpress a gerenciar portais, os mesmos utilizados no site do MinC, começam a ser compartilhados no blog Xemelê. O primeiro foi o 'Gerenciador de Capas', e em contato direto com os usuários a equipe está 'arredondando' o tema 'Xemelê', que trará este e outros plugins (gerenciador de regras, limitador de categorias, etc.) já instalados. A publicação do tema completo deverá facilitar o entendimento da instalação e customização da solução wp para portais. Com o objetivo de disseminar o uso desta plataforma como ferramenta web para as instituições públicas em geral, lançaremos em breve a Comunidade Xemelê no Portal do Software Público.
Esta semana lançamos também a segunda versão do site do MinC em Wordpress, que incorpora os desenvolvimentos realizados desde o lançamento da primeira versão, em novembro de 2007. O Fabiano Rangel, 'teleiro' da equipe, apresentou bem os destaques do lançamento (trechos selecionados abaixo).
- Visual desenvolvido para usuários com 1024×768 pixels
Uma modificação importantíssima, não só pelo aspecto visual do portal.. mas por ampliar todas as áreas de informação do site. A arquitetura de informação ficou agradável seguindo o padrão anterior e permanece com uma boa navegabilidade.
- Theme validado pela W3C (XHTML 1.0 - CSS)
Visual seguiu todos os padrões web atuais, ou seja, foi contruido integralmente seguindo todas as normas e características da W3C.
- Mais interatividade com os usuários do portal
Pode-se perceber a presença dos últimos comentários de usuários do portal em diversas páginas do site, tanto na capa do portal como em outras páginas internas do mesmo. Isso com certeza é um diferencial bastante atrativo para quem gosta de ver o que as pessoas discutem sobre os assuntos.
- Função experimental de customização da interface
Foi incorporada uma função de “Drag and Drop” ou seja, você pode arrastar as caixas de conteúdos e deixar o visual do portal ao seu modo. Uma funcionalidade bastante atrativa para quem gosta de um estilo próprio de visualização.
- Mais espaço para o Cultura em Movimento,
que é um espaço para publicação de imagens de artistas, designers, fotógrafos foi ampliada e pode-se observar as imagens de uma forma mais integra no novo topo do site. - Busca via Google Coop
Busca interna no portal mais eficiente, selecionando corretamente os artigos e páginas relacionadas a palavra escolhida.
- Menus de Navegação
Os dois menus mais importantes do site foram modificados. Foi desenvolvido um menu estilo “tree-view” de exibição das categorias, subcategorias e páginas. Agora é possivel visualizar todas categorias de um assunto “X” sem precisar ficar se movimentando pelo portal.
- Relacionamento entre páginas & tags
Outra funcionalidade bastante interessante, pode-se ler notícias que se relacionam através das palavras chaves. As páginas linkam-se umas as outras para auxiliar os visitantes a ver conteúdos no mesmo tema.
- Observações Gerais
Quem diria que um simples “sistema de blogs” seria capaz de tanta funcionalidade e um visual como este… Parabéns à Equipe Web MinC!
segunda-feira, maio 26, 2008
A Conexão Obama
Fui convidado para participar de um debate sobre Mídias Sociais e eleições - Uso das ferramentas de mídias sociais para mobilização, autopromoção e propaganda política.
Não sei ainda se poderei participar, mas estava refletindo sobre o tema hoje, e me deparei com um op-ed no NYTimes do Roger Cohen que me pareceu absolutamente pertinente. Estando em uma apresentação pouco interessante, e com um bom wi-fi disponível, achei que valia traduzir e registrar aqui a íntegra.
A Conexão Obama
Roger Cohen - NYTimes (26/05/2008)
É a rede, estúpido.
Mais do que qualquer outro fator, foi a sacação de Obama sobre o papel central das redes sociais na Internet que impulsionou sua campanha pela indicação do partido democrata a obter uma vantagem insuperável sobre Hillary Clinton. A campanha da senadora é totalmente século XX, enquanto que Obama funciona em acordo com as referências do século corrente.
Não é verdadeiramente uma surpresa. Obama passou apenas 10 anos de sua vida adulta no mundo partido da guerra fria, e o dobro disto na crescente inter-conectividade típica do mundo pós-muro de Berlim. Neste período, 'MAC' -- sigla para conectividade assegurada mutuamente ("mutually assured connectivity") -- tomou o lugar do 'MAD' -- destruição assegurada mutuamente ("muttually assured destruction") -- dos tempos da guerra fria.
Para Clinton, nascida em 1947, a equação é diferente. Seu paradigma mental é a divisão. Quando seu marido concorreu pela última vez para presidente em 1996, a Internet ainda era um fenômeno marginal. O pensamento e as pessoas daquela campanha provaram sua inaptidão em acompanhar o que aconteceu nos últimos 12 anos. Ficaram como que ofuscados pelas luzes de webcam do fenômeno Obama.
Esta falha cultural foi devastadora para Clinton. Como muito bem comentado por Joshua Green em um artigo importante no The Atlantic ("The Amazing Money Machine"), Obama utilizou as redes sociais e seu website amigável para desenvolver sua máquina de dinheiro e o engajamento dos jovens, aspectos fundamentais para a sua dianteira hoje.
Green observa que, "o registro de 1.276.000 doadores na campanha de Obama é tal que Clinton nem mesmo se preocupa em competir neste quesito". Ele fornece alguns outros números da campanha de Obama: 750.000 voluntários ativos e 8.000 grupos de afinidade. Em fevereiro, quando a campanha arrecadou 55 milhões de dólares (45 milhões via Internet), 94% das doações apresentaram valores menores que 200 dólares, um resultado também incomparável com as campanhas de Clinton e McCain.
Obama tem funcionado como um start-up clássico da Internet, um movimento que se espalha com intensidade viral e é impulsionado por algumas das mentes mais criativas do Vale do Silício. Tal como qualquer fenômeno online, ultrapassou as fronteiras nacionais, chamando atenção em Berlim tanto quanto nos EUA.
Tais condições não teriam sido realizadas sem uma percepção apurada do momento histórico, como a convicção de que a natureza do mundo pós-11 de setembro -- este que está além da 'guerra sem fim'-- será determinado pela sociabilidade e pela conectividade. No mundo globalizado do MySpace, LinkedIn e outros, a sociabilidade é tão importante quanto a soberania.
Tenho pesquisado, em vão, por esta percepção histórica na campanha de Clinton. Sua ameaça de 'aniquilar totalmente' o Irã, sua referência repugnante ao assassinato de Robert Kennedy em 1968 como um motivo para seguir na campanha, e suas invenções sobre o que aconteceu na Bósnia, tudo isto reflete a história como conteúdo a ser utilizado para fins políticos, e não como fonte de inspiração e reflexão.
Trata-se da história como referência pessoal: "Eu, eu, eu". Uma postura que pode ofuscar a percepção.
A cegueira mais séria da campanha de Clinton tem sido em relação às redes, nacionais e globais, e às conversas que vem gerando novas agregações e têm transformado a sociedade. Como diz David Singh Grewal em seu novo e excelente livro, "Network Power", uma tensão fundamental no mundo é que: "Tudo está sendo globalizado, menos a política".
Grewal diz ainda que "nós vivemos em um mundo no qual nossas relações de sociabilidade -- comércio, cultura, idéias, estilos -- são cada vez mais compartilhados, influenciados por conversas globais inovadoras que acontecem nestes domínios. Enquanto isso, a nossa política permanece inapelavelmente nacional, centrada nos estados-nações que constituem o locus do processo decisório soberano."
A administração Bush tem acentuado a percepção global deste descompasso. As pessoas conectadas mundo afora ficaram chocadas com algumas das políticas de Bush -- desde o ataque ao habeas corpus até as transferências de prisioneiros ('renditions') -- mas se viram impotentes em fazer algo à respeito.
O enorme interesse global no processo eleitoral norte americano está ligado em parte a uma crença de que o presidente dos EUA pode ser tão importante para a vida dos franceses, por exemplo, como o presidente da França.
A turma do Obama conhece bem tudo isso. A conectividade nos ensina que seguir sozinho é um erro: esta é uma lição básica aprendida no Iraque. Se Obama prometeu designar um coordenador geral de tecnologia com o objetivo de promover uma abertura no governo via web, e para desenvolver o diálogo ao invés de uma política centralizada, é porque ele sabe que precisa falar para o século 21.
Grewal diz que "a política é o único poder de contraposição efetivo disponível para redesenhar as estruturas que emergem através dos novos padrões de sociabilidade. O acúmulo de escolhas pessoais expressadas através das redes sociais desenham estes novos padrões de sociabilidade. Na falta de uma governança global, somente a soberania nacional pode canalizar estas tendências."
Clinton jamais enxergou estes aspectos. McCain, cuja arrecadação de recursos na web foi ridícula, também demonstra muito pouca compreensão do MAC.
Obviamente, conexão não é uma panacéia, e também não é uma garantia contra atentados violentos: afinal, a Al Qaeda utiliza a web de forma eficiente. Mas sem entender a conectividade e seus efeitos, hoje não é mais possível vencer o terrorismo ou ganhar uma eleição.
É a rede, estúpido, e as gerações que seguem com ela.
Postado por Unknown às 16:09 |
Marcadores: conectividade, eleições, obama, redes sociais
terça-feira, maio 20, 2008
Conferência de James Boyle, o pai da Ecologia Digital, no evento europeu do Google

James Boyle, o pai da Ecologia Digital, realizou uma conferência no EuroZeitgeist08 do Google, e foi brilhante como sempre. Entre o material distribuído para os participantes do evento -- gente de alto calibre entre empresários, acadêmicos, artistas e representates de governos (o ministro Gil lá estava) -- figurava o 'comic book' de sua autoria, 'Bound by Law?' (ao lado), que apresenta o tema da necessidade de revisão conceitual das leis de copyright na era da informação para novos públicos.
Em sua apresentação, Boyle falou basicamente de dois aspectos sutis que em geral não são percebidos quando tratamos da revisão dos marcos regulatórios ligados aos direitos autorais:
(1) Somos extremamente incompetentes em compreender 'openness' -- nem ao menos temos uma palavra específica em português, pois 'abertura' não traduz o sendido, talvez 'aberturidade' ; somos muito ruins em prever como irão funcionar e quais serão os resultados de sistemas abertos e distribuídos, particularmente as experiências online; e somos péssimos na compreensão das virtudes da criatividade distribuída, como no caso dos coletivos que trabalham em novos contextos de trabalho colaborativo conectado e não hierarquizados. Por outro lado, somos extremamente competentes em detectar os perigos criados pela abertura ('openness').
Boyle menciona a natural 'aversão à riscos' da humanidade e argumenta que, se durante o desenvolvimento da Internet estivéssemos avaliando, decidindo e regulando sobre como a rede deveria ser, para o nosso total prejuízo jamais teríamos o ambiente digital do qual desfrutamos hoje. Ele está certo.
"- então quer dizer que a lei de copyright não é somente uma forma de trancafiar os conteúdos?- de forma alguma. o copyright também proteje os direitos dos usuários e futuros criadores. para
encorajar a criatividade, o marco legal do copyright deve atingir um equilíbrio delicado."
(2) Nos últimos 20 anos os seres humanos vêm se tornando objeto (e sujeito) das leis de copyright, de uma forma que nunca havia acontecido antes. As pessoas comuns, interagindo com conteúdos, nunca antes estiveram em posição de cometer atos pelos quais pudessem ser punidas pelas leis de copyright, da forma como empresas e piratas sempre estiveram. As diferenças de escala criavam distinções naturais entre personalidades físicas e jurídicas.
As leis de copyright sempre foram regulações intra-industriais, regulando horizontalmente as relações entre os proprietários de infra-estruturas de broadcast, impressoras de grande escala, e estúdios de cinema. Ou seja, redes de produção e distribuição altamente capitalizadas, cujos interesses precisaram ser acomodados e regulados. Também a proteção aos criadores e autores em sua relação com esta indústria, compôs o quadro para a construção do marco regulatório que temos hoje.
Nos dias de hoje, não passamos nenhum dia sem copiar e distribuir em escalas variáveis, ou seja, estamos sempre realizando todas estas coisas que as leis de copyright nos dizem que não podemos fazer. Temos que admitir qua a vida moderna seria impossível se estívessemos cumprindo todas estas leis à risca.
A combinação destes dois temas traz implicações para os debates que precisamos ter, em particular na questão de como devemos pensar sobre as novas perspectivas trazidas pelo mundo online, e como tudo isto transforma o ambiente para distribuição, criação e incentivo à cultura.
Boyle, no final de sua apresentação, alerta para o risco de retrocesso que corremos enquanto cultura em função de nossa aversão à abertura ('openness'), nossa agorafobia. Pelo fato de enxergarmos muito melhor os riscos do que as possibilidades, podemos chegar ao ponto em que estejamos limitados nas funções que podemos utilizar em nossos aparelhos de conexão à rede.
Vale à pena conferir a palestra...
sábado, março 08, 2008
Campus Party Brasil, e a mobilização para o ativismo digital
O Campus Party foi um ótimo evento. 'Kudos' para o Marcelo Branco, o Sérgio Amadeu, e toda a galera que trabalhou na concepção e organização da parada.
O principal mérito para mim, e conforme já bem dito por outros, foi o encontro das pessoas. Além do feature caloroso que é a re-união com familiares (foto), comunitários e chegados em imersão conectada à 5Gb, o grande plus foi a encarnação de avatares do ambiente digital no prédio da bienal em sampa. Que grande oportunidade para conhecer analógicamente nossos links e referências do ciberespaço! E que curtição sabê-los pessoas!
Para além da curtição geral, alguns temas do CParty-BR seguiram ecoando na blogosfera. Um deles é o já batido papo blogueiros x jornalistas, turbinado divertidamente pelo bizarro aquário da mídia.
Reverberou bem menos um debate a meu ver muito mais relevante, que envolve a necessária mobilização da rede para uma ação política em torno do ativismo digital. O clima do evento me parecia propício, e neste sentido tentei levantar a bola incluíndo um item sobre Ecologia Digital no BarCamp dos blogs proposto pelo Avório. A provocação era mais ou menos esta:
Além da questão da propriedade intelectual, outros aspectos como democratização do acesso à rede, promoção da digitalização dos acervos públicos, livre acesso ao conhecimento científico disponível, e a promoção de tecnologias livres para a coleta, organização, disponibilização, comunicação, agregação e uso colaborativo da informação também seriam aspectos importantes para um ativismo digital. O fato é que este conjunto de temas interconexos não encontra lugar no debate popular ou no entendimento político, e neste contexto é que surge a Ecologia Digital, exercitando uma analogia com o movimento ambientalista. Sob o conceito do "ambientalismo", nos anos 70, diferentes grupos com diferentes interesses (algumas vezes contraditórios) puderam se organizar de forma efetiva em torno de uma ampla coalizão política. É exatamente isto que precisamos agora na rede - uma abordagem que possa efetivamente apresentar as questões relevantes e promover o debate que irá ativar o movimento de defesa do domínio público e dos avanços e liberdades viabilizadas pelo surgimento da Internet.Ao que parece, a proposta de desconferência via wiki do Avório era estruturada demais para o ritmo alucinante da galera presente, que se mostrou mais afeita ao fluxo emergente do livestream poweredby twitter. Portanto o papo da ecologia digital não rolou no cparty, mas a manifestação contra a "lei azeredo" mostrou que a mobilização é viável. Outras intervenções como a do ministro Gil sobre a proibição do Counter Strike ("vocês tem que reclamar!!"), e o comentário de Pedro Doria registrado na entrevista com o Dpadua reforçam a tese de que a mobilização dos interessados é o primeiro passo:
“…articulação política não existe no vácuo… Se muito eleitor está cobrando uma coisa, a coisa acontece… a mobilização não tem que vir dos políticos, tem que vir de baixo.”
É certo que a mobilização tem que vir de baixo, afinal a rede é o ambiente nativo do ativismo grassroots. Mas ainda assim estamos falando de uma mobilização que necessita se traduzir em atuação política, e aí sempre nos lembramos das articulações para a politização do ativismo digital que em geral desembocam na idéia do Partido Pirata. Neste contexto vale destacar as recentes considerações do Lessig sobre a impropriedade geral de tal estratégia (nos EUA), e a infelicidade na escolha da denominação. Comentários?Ainda sobre mobilizações e princípios, vale registrar uma provocação pitoresca sobre o paradoxo entre os conceitos que norteiam um evento como o Campus Party e a atuação de mercado de sua principal patrocinadora, a Telefônica. Nem tanto pela contradição entre software livre / monopólio da telefonia fixa mencionada no post, mas certamente pela recente atuação da Telefônica na aliança contra o P2P na Espanha, o que compromete seriamente a posição da operadora no debate sobre a neutralidade da rede. Fica aqui a dúvida sobre as intenções e o escopo do p4p -- inciativa de upgrade do p2p das gigantes AT&T e Verizon, acompanhada por gente do ramo como LimeWire e BitTorrent, e apoiado pela... Telefônica. Vamos acompanhar.
Postado por Unknown às 19:02 |
Marcadores: ativismo digital, campus party, cparty, p2p, partido pirata
sábado, fevereiro 02, 2008
John Barlow explica o fenômeno Orkut no Brasil
Fiquei honrado em receber sua visita em minha casa, e poder compartilhar com ele momentos festivos de minha comunidade. Mas interessante mesmo foi quando, em uma conversa nos corredores do Seminário, ele revelou o que podemos chamar de 'marco zero' do fenômeno brasileiro no Orkut. Interessante também sacar a perspectiva que ele tem do Brasil como 'networked society'. Faz sentido para vocês? Segue o vídeo (por Adriano de Angelis), legendado e traduzido com algum atraso ;-)
Postado por Unknown às 16:55 |
Marcadores: barlow, brasil, orkut, redes sociais
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Trocando facilidades por autonomia inteligente
O leitor Bruno Leal fez uma crítica interessante ao post em que requentei a campanha Troque Seu Orkut Por um Blog, lançada no ano passado pelo Roberto Taddei. Ele menciona um possível elitismo na proposta, e apesar de já haver respondido ao comentário, algumas movimentações na blogosfera me fazem voltar ao assunto. Começando com o colega Ronaldo Lemos que, enquanto não tem um blog, continua refém da formatação que as editorias da mídia fazem de sua mensagem. O depoimento dele ao JB na matéria sobre previsões tecnológicas para 2008 diz assim:
Lemos cita o MySpace, que agora tem um portal em português, especialmente dedicado ao Brasil, e o Facebook, que, segundo ele, já começa a atrair um número significativo de brasileiros, como os principais adversários do Orkut em 2008. Com a demanda no setor ainda alta, também haverá espaço para novos projetos de redes sociais, com oportunidades, inclusive, para empresas nacionais que decidirem apostar no filão.Será mesmo que a ameaça ao Orkut no Brasil vai ser alavancada por outros que tais como MySpace, Facebook, etc? Tenho para mim que a escala da experiência brasileira com o Orkut nos coloca à frente das tendências globais em termos de redes sociais. Explico: o que os norte-americanos experimentam como novidade hoje com o Facebook -- a sensação de que 'todo mundo está lá' -- já acontece entre nós com o Orkut há pelo menos 2 anos.
Ou seja, considero que estamos em melhores condições de enxergar como estes silos e 'jardins murados' (walled gardens) constituem uma enorme perda em termos de oportunidades na web, e assim optar pelas possibilidades que certamente irão explodir em 2008. Os indícios do fenômeno de abertura das redes sociais aconteceram de forma clara no segundo semestre do ano passado, e definem as tendências para o ano que entra. Aqui vão algumas indicações:
- Portabilidade de Dados - a turma das redes sociais irá cada vez mais enxergar o valor da possibilidade de levar arquivos e contatos de seu profile de um site / serviço / rede social para outro, ou de definir o que desejamos fazer com os dados interagindo com outros serviços da rede.
- Portabilidade da Identidade - projetos como o OpenID começam a mostrar como o mundo digital pode funcionar sem que tenhamos que ser novamente 'identificados' em cada um dos diferentes 'silos' da web.
- O lançamento do OpenSocial pelo Google.
- O lançamento do Android como sistema operacional open source para celulares.
- O surgimento de novas idéias na web (como o Dapper) especializadas em 'importar' (extrair?) a informação aprisionada nos 'silos' da web. Veja um interessante tutorial demonstrando possibilidades.
- Novas ferramentas de agregação pessoal e publicação de informações (Lifestreaming apps, ou blogs 2.0, ou sei lá o que...) como o Tumblr, e ainda os radicais Onaswarm, Lifestrea.ms e Soup, apresentam possibilidades inéditas na customização de espaços pessoais na web.
- O lançamento de aplicações para registro pessoal de sua movimentação na rede, como o Weave da Mozilla, e o sucesso de padrões como o APML -- um OPML que registra dados de atenção para sites, blogs, palavras pesquisadas, etc. -- além de várias outras iniciativas sobre as quais você pode se informar melhor em sites como o DataPortability.org.
Declaramos publicamente que todos os usuários da web social têm direito:A pergunta é: tem alguém aí que discorda de tais direitos? As redes sociais como as conhecemos hoje tiveram um grande papel na disseminação das possibilidades de comunicação e publicação da web. Algo assim como a AOL, que nos primeiros tempos da rede tratou de 'ensinar' o usuário comum a utilizar e-mail e visitar websites (escolhidos pela AOL). Mas não levou muito tempo para que estes mesmos usuários percebessem que a verdadeira web pulsava além dos muros do portal, e se procurarmos pelo que restou da AOL hoje teremos a exata noção do que pode acontecer a um gigante de web que não acompanha o movimento de seu público.
1) Propriedade da sua informação pessoal, incluindo:
- os dados de seu perfil
- a lista das pessoas a que estão ligados [lista de contatos]
- o fluxo de conteúdo que ele criou
2) Controle de quando e como essa informação pessoal é compartilhada com outros. E liberdade de conceder acesso a sua informação pessoal a sites externos de confiança.
Acredito que em 2008 estamos no limiar de mais um salto qualitativo dos usuários da web, e talvez a campanha "Troque Seu Orkut Por Um Blog" precise mesmo de uma atualização. Algo assim como: "Troque as Facilidades em Espaço Restrito por uma Autonomia Inteligente na Web Aberta". Mas aí não tem o mesmo apelo... ;-)
UPDATE (07/02/2008): O Bruno Leal acaba de lançar uma rede social voltada para estudantes, professores, pesquisadores e amantes de História, utilizando o Ning: Visite o Café História.
Postado por Unknown às 11:11 |
Marcadores: orkut, redes sociais
terça-feira, dezembro 25, 2007
David Byrne: estratégias de sobrevivência para artistas emergentes - e megastars
tradução de artigo de DAVID BYRNE na Wired
Esclarecimento:
Eu já fui proprietário de um selo (gravadora). Este selo, Luaka Bop, ainda existe, mas eu não estou mais envolvido em sua administração. Meu último disco saiu pela Nonesuch, uma subsidiária do império Warner Music Group. Eu também já publiquei música através de gravadoras independentes como Thrill Jockey, e imprimi CDs para venda em tours. Eu faço tours regularmente, e não vejo isto como uma forma de promover a venda de CDs. Portanto, eu experimentei este negócio de ambos os lados. Ganhei dinheiro, e também fui explorado. Tive liberdade para criar, e também fui pressionado para gerar hits. Tive que lidar com ‘divas’ do mundo da música, e vi discos geniais de artistas maravilhosos serem completamente ignorados. Eu amo a música. Eu sempre amarei. A música salvou a minha vida, e eu aposto que não sou o único a dizer isto.
O que chamamos de música hoje, entretanto, não é o negócio da produção musical. Em um certo momento se tornou o negócio de vender CDs em estojos plásticos, e esta indústria estará acabada em breve. Mas isto não é uma má notícia para a música, e certamente não é má notícia para os músicos. De fato, com todas estas novas formas de acesso a audiências, nunca antes tantas oportunidades estiveram disponíveis para os artistas.
Qual o fim disso? Bem, alguns mapas mostram tendências inexoráveis:
O fato do Radiohead haver lançado seu último álbum online, e de Madonna debandar da Warner Bros. para a Live Nation, uma empresa que promove concertos, é visto como um sinal do fim do negócio da música como o conhecemos. De fato, estes são apenas dois exemplos de como os músicos estão cada vez mais em condições de trabalhar fora do tradicional relacionamento com as gravadoras. Não há um caminho único para se fazer negócio estes dias. Pelas minhas contas, existem pelo menos seis modelos viáveis. Esta variedade é positiva para os artistas, pois promove novas formas de recompensa ao trabalho dos músicos. E á bom também para os diversos públicos, que terão maior quantidade — e qualidade — musical disponível. Vamos dar um passo atrás para termos uma melhor perspectiva.
O que é música?
Primeiramente, uma definição dos termos. De que afinal estamos falando? O que exatamente está sendo comprado e vendido? No passado, música foi algo que você escutava e vivenciava — era um evento social além do puramente musical. Antes do advento da tecnologia de gravação, você não podia separar a música de seu contexto social. Canções e baladas épícas, trovadores, espetáculos para a corte, musica em igrejas, cantos xamânicos, cantorias em pubs, música ceremonial, música militar, música para dança — estavam todas de alguma forma ligadas a funções sociais específicas. Era uma atividade comunitária, e quase sempre cumprindo uma função. Você não podia levar a música para casa, copiá-la, vendê-la como uma commodity (a não ser como partitura, mas isto não é música), ou mesmo ouvi-la novamente. Música era uma experiência, intimamente casada com a sua vida. Você poderia pagar para ouvir música, mas depois de pagar, já era, foi — tornou-se uma memória.
A tecnologia mudou tudo isto no século 20. A música — ou, pelo menos, seu artefato de gravação — tornou-se um produto, algo que poderia ser comprado, vendido, trocado, e tocado infinitamente em qualquer contexto. Isto transformou a economia da música, mas nossos instintos humanos permaneceram intactos. Eu passo muito tempo com fones nos ouvidos escutando música gravada, mas ainda curto poder estar no meio do público em um concerto. Eu canto para mim mesmo, e, sim, eu toco um instrumento (nem sempre bem).
Sempre iremos querer utilizar a música como parte de nosso tecido social: para nos reunir em concertos e em bares, mesmo que o som esteja uma droga; para transmitir música de mão em mão (ou pela Internet) como uma forma de moeda social; para construir locais onde ‘a nossa gente’ possa escutar música (teatros para óperas e sinfonias); para saber mais sobre os nossos ‘bardos’ favoritos — sua vida amorosa, suas roupas, suas crenças políticas. Tais contextos revelam um impulso inato para um cenário além do artefato plástico. Pode-se dizer que este impulso faz parte de nossa estrutura genética.
Postado por Unknown às 14:53 |
Marcadores: gravadoras, música
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Em 2008: redes sociais abertas para todos
Muito se tem falado do choque de gerações que está acontecendo, entre a galera que está entrando no mercado de trabalho tendo convivido intimamente com a Internet e explorado as possibilidades das redes sociais durante toda a adolescência, e a turma mais velha, os que ainda se escandalizam com a "despudorada" exposição que enxergam nos perfis de seus filhos no orkut.
Tenho lidado com a capacitação para o uso corporativo das ferramentas web, e portanto venho observando o fenômeno. O resultado prático é que, hoje, fica muito mais fácil contratar uns 'meninos' para as funções que precisam ser desempenhadas do que 'convencer' os mais velhos a se apropriarem das ferramentas de comunicação e colaboração disponíveis. A solução têm sido juntar um especialista experiente (curador) com um 'blogueiro', um 'menino' que saiba publicar e fazer uso das redes sociais e das múltiplas possibilidades de comunicação em tempo real. É bom frisar que estes desta galerinha se apresentam não só familiarizados com a tecnologia, mas também dispondo de uma habilidade de composição editorial multimídia 'em tempo real' que torna-se um diferencial.
Hoje li um artigo -- 'The Rediscovery of Discretion', na ótima edição da Economist (The World in 2008) -- que me chamou a atenção. Entre as previsões para o próximo ano está a aproximação desta turma dos mais velhos às possibilidades das redes sociais, e o autor afirma que isto será fruto de evoluções na tecnologia. Alguns trechos me pareceram bem interessantes:
Durante os primeiros 200 milênios das espécies, as redes sociais humanas permaneceram tecnologicamente estáveis. As pessoas se sentavam em círculo em torno a fogueiras, contavam estórias e cultivavam relações. A literatura e as cartas, e mais tarde o telefone, ajudaram a extender esta possibilidade à distância. Mas a questão mais complicada sempre foi encontrar o equilíbrio certo entre divulgar de mais ou de menos à rede, e entre ser demasiado arrojado ou tímido na busca de novas amizades, parcerias e alianças.No final do artigo o autor menciona o Ning como um exemplo destes kits de ferramentas, e nós poderíamos falar também que a iniciativa Open Social do Google vai na mesma direção, e talvez mencionar o artigo no GigaOm que fala das possibilidades do Wordpress como plataforma para redes sociais. Ou seja, várias indicações de um movimento forte na direção das plataformas abertas 'centradas-na-pessoa', customizáveis para atender às perspectivas particulares de como interagir na rede e passíves de se conectar de variadas formas a outras redes e plataformas.
Então, durante a primeira década do século 21, a internet pareceu resolver temporariamente esta dificuldade ao gerar as várias redes sociais online -- trazendo nomes como MySpace e Facebook -- que tiveram forte apelo junto às psiques frágeis de uma geração, denominada "Y", e deixaram a geração precedente, chamada "X", perplexa e horrorizada.
O que atraiu os "Y"s foi a trementa escalabilidade do meio (promovendo enormes ganhos de eficiência na busca de relacionamentos amorosos), sua vocação para a propaganda pessoal (com fotos 'selvagens' para, digamos, anunciar popularidade), e acima de tudo, a suspensão temporária das dificuldades que surgem no trato das relações sociais na vida real. Os velhos escrúpulos em questões de discreção pareceram tecnologicamente obsoletos. Entretanto, foi exatamente o uso relaxado destas 'funcionalidades' pelos "Y"s que deixaram os "X"s perplexos, e depois horrorizados, ao aterrisarem nestas redes no papel de 'pais e/ou responsáveis' realizando jornadas inquisidoras...
... Isto vai mudar em 2008, na medida em que a tecnologia das redes sociais se adapte à natureza humana, ao invés de forçar a natureza humana a se adaptar à tecnologia. Os líderes da indústria em 2007 foram estes antiquados 'walled gardens' (jardins murados). Eles surgiram com templates genéricos, com os aspectos sociais cruciais -- qual informação fornecer em um perfil, etc. -- pre-determinados por programadores. Sim, eles permitiram que os usuários customizasem suas páginas iniciais, mas isto já era possível nos 'walled gardens' do início dos anos 90, em serviços online como AOL ou Compuserve.
Estes serviços fechados faliram e deram espaço, após a revolução do Netscape e seus emuladores, à Web aberta e polivalente. A mesma coisa irá acontecer em 2008 no mundo das redes sociais. No lugar dos 'jardim murados' para incapacitados, irão surgir kits de ferramentas abertas que permitirão a qualquer um, com alguns poucos e simples clicks, criar sua própria rede social, que será uma extensão das relações existentes na vida real.
Troque seu Orkut por um Blog
Neste clima de otimismo para o próximo ano, e buscando traduzir estas tendências globais em uma mensagem pertinente para o público local, só posso relembrar a campanha lançada pelo meu amigo Roberto Taddei em abril de 2006, e que a cada dia se torna mais atual.
- Pelo uso inteligente do tempo online.
- Pela (re)afirmação da cultura.
- Pela interatividade real.
- Pela inteligência colaborativa.
- Pela conquista do espaço virtual aberto e livre.
- Pela manutenção e recriação do português.
- Pelo não ao voyeurismo tímido.
- Pela cara a tapa.
- Pela contribuição milionária de todos os pontos de vista.
- Pelo mundo ao contrário.
- Participe você também da campanha “Troque seu orkut por um blog”.

Postado por Unknown às 10:48 |
Marcadores: open social, openness, redes, redes sociais
segunda-feira, dezembro 17, 2007
WordPress no MinC: "Equipe Antenada"
Deu no WebInsider ("Ministério da Cultura adota Wordpress"):
"Equipes antenadas podem fazer o governo economizar uma boa quantia de dinheiro público adotando soluções abertas nos casos em que elas se encaixam bem."E a equipe (da Gerência de Informações Estratégicas - DGE / SE) é antenada mesmo: Guilherme Aguiar (Coord. de Interface e Integração de Serviços), Marcelo Mesquita (Coord. de Suporte e Aplicações), Thatiana Dunice e Guilherme Barcellos (Relacionamento com Públicos), e Fabiano Rangel (Layout e Interface), contanto ainda com participações muito especiais de Hozielt Huston (Layout e Interface) e Rogério Pereira (Design e Arquitetura da Informação).
Posso dizer que o grande mérito da equipe foi o arrojo e a competência em bancar a implementação de uma solução que atende radicalmente aos requisitos e conceitos que alguns anos de experiência no ramo web governamental ajudaram a consolidar. A saber:
- Ferramenta open source, preferencialmente do grupo LAMP (Linux, Apache, MySQL, PHP), e com uma comunidade de desenvolvimento já amadurecida;
- Portfolio variado de funcionalidades implementáveis modularmente e facilmente customizáveis;
- Facilidade de desenvolvimento de novas funcionalidades modulares (plugins);
- Grande portfolio de plugins e templates (temas) disponíveis para estudo e adaptações;
- Facilidade no desenvolvimento de layouts e templates customizados; e
- Usabilidade intuitiva do sistema por parte dos usuários publicadores.
O fato do WordPress ter sido desenvolvido para gerenciar blogs -- o que caracteriza a presença online 'centrada na pessoa' -- confere à plataforma um alto grau de flexibilidade de customização para os usuários que publicam os conteúdos, seja em termos de layout e diferentes funcionalidades (plugins), seja na implementação de arquiteturas de informação específicas em seções secundárias. O conceito se encaixa perfeitamente na estratégia de descentralização da produção interna de conteúdo no órgão, e no movimento de apropriação da web como ferramenta de comunicação e prestação de serviços para com o público usuário da instituição.Ao facilitar a vida dos editores de conteúdo com interfaces simples (óbvias, eu diria), e disponibilizar um leque de opções de customização contando com os últimos 'features' da blogosfera, o WordPress se torna automaticamente um sucesso junto à crítica (usuários internos / publicadores), e conseqüentemente, o resultado em termos de conteúdo gerado agrada em cheio ao público final (usuários externos).
Algumas adaptações tiveram que ser desenvolvidas para adequar o WordPress às demandas específicas do site institucional do MinC, entre elas a definição de privilégios de usuários para áreas específicas, uso diferenciado das categorias como áreas, e a possibilidade de dispor os posts de forma não-linear e por ordem de importância (livre edição de capas). Tais questões foram resolvidas de forma satisfatória com o desenvolvimento de plugins específicos, e como resultado obtivemos uma plataforma com capacidade de atender tanto às demandas centrais de integração dinâmica do conteúdo e gerenciamento de usuários, como também às customizações solicitadas pelos programas e ações do MinC em suas diversificadas estratégias para a web.
Em síntese, o que observamos no processo de implementação do WordPress como CMS do site institucional do Ministério da Cultura foi a vitória indiscutível da simplicidade, e isto tem chamado à atenção de muita gente. Desde o lançamento, temos recebido inúmeros contatos de outros órgãos de governo interessados em conhecer o modelo de implementação, e nossa idéia é compartilhar tudo o que desenvolvemos aqui no MinC -- temos todo o interesse em alavancar uma comunidade de desenvolvimento wordpress.gov.br.Enquanto isso, o fato da notícia sobre a implementação do WordPress no MinC ter emplacado no dashboard do wp acabou gerando reações na blogosfera global. Não poderia deixar de registrar o movimento por aqui, não é mesmo? Afinal, no espírito do Global Voices, 'o mundo está falando, você está ouvindo?'.
Brazilian Ministry of Culture uses WordPress to manage their site. I really like the way they have put together various features and plugins to make the site more usable. Since I was introduced to BRIC, I have started to notice how the BRIC countries have started to become more involved in online media and publication.Valeu equipe!! Vamos manter as antenas ligadas e seguir em frente.
[O Ministério da Cultura brasileiro utiliza WordPress para gereciar seu website. Gostei muito da forma como eles conseguiram reunir várias funcionalidades e plugins de forma a incrementar a usabilidade do site. Desde que fui introduzido ao BRIC, tenho notado como estes países (Brasil, Rússia, Índia, China) têm evoluído em termos de mídia online e publicação web]
Ministério da Cultura - Weblog Tools Collection
Das brasilianische Kultusministerium hat seine Seite komplett mit Wordpress gestaltet. Diverse Plugins und Erweiterungen und ein spaltiger Aufbau lassen die Seite alles andere als ein Blog wirken.
[O Ministério da Cultura do Brasil lançou seu novo website completamente gerenciado em Wordpress. Com inúmeros novos plugins e extensões, e um layout em 3 colunas, o site parece tudo menos um blog.]
Das brasilianische Kultusministerium nutzt Wordpress - Weblogs und Wikis
Mentre qui spendiamo carriolate di soldi per l’orribile portale italia.it, in Brasile il Ministero della Cultura, per fare il proprio sito, si affida a Wordpress. Stiamo vivendo in un paese in via di sottosviluppo.
[Equanto por aqui gastamos caminhões de dinheiro para desenvolver o horrível portal italia.it, no Brasil o Ministério da Cultura publica seu website em WordPress. Estamos mesmo vivendo em um país a caminho do subdesenvolvimento.]
Ministério da Cultura - Anonimo Italiano
Non so quanto sia costato, ma non credo i milioni di euri… Per piacere, troviamo un musicista, magari un chitarrista e facciamogli fare il ministro della cultura e anche dell’innovazione!
[Eu não sei quanto custou (o site em WordPress), mas certamente não foram milhões de euros... Por favor, encontrem um músico, talvez um guitarrista, e façamo-lo Ministro da Cultura e da Inovação!]
Ministério - Manicalarga.net
Wiedzieli wy, że plebejskiego Wordpressa używają nawet takie zacne instytucje jak np. brazylijskie Ministerstwo Kultury?
[não consegui traduzir... acho que é polonês]
wordpress.gov - Off the Record
Skillnaden mellan det svenska och brasilianska kulturdepartementet oroar. Ser vi skillnaden mellan dels ett piggt och vaket land, dels ett land som i fornstora dagar var en framträdande webbnation men som nu stagnerat?
[isto eu acho que é sueco... alguém sabe traduzir?]
Webben utvecklas - Sverige tittar förvånat på - Webbrådgivaren Fredrik Wacka
Come non rimanere affascinati da un progetto simile? Un blog che comunica tutta la vivacità di un paese caldo ed esuberante.
[Como não ficar fascinado com um tal projeto? Um blog que comunica toda a vivacidade de um país quente e exuberante.]
Il ministero della cultura brasiliano e l’esempio da seguire - Questo non è un Blog
quarta-feira, dezembro 12, 2007
A trajetória de um webmaster governamental
Mas quero antes mencionar um pouco da minha bagagem como 'webmaster' governamental, que pode adicionar informação relevante para o que desejo comunicar. Ainda em 1996, no antigo MARE (Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado), tive a oportunidade de juntamente com Roberto Dantas, realizar o registro do domínio brasil.gov.br e publicar a primeira proposta de integração do conteúdo web governamental. Ou seja, sou jurássico no pedaço. Desde então aprendi a defender o conceito de que a Internet no governo merece ser pensada com dedicação exclusiva, por um setor específico na instituição que possa conceber e implementar o uso qualificado das possibilidades da web pelas diversas áreas fins.
Na época, eu e Claudio Sato montamos a Assessoria Especial de Informações Institucionais do MARE, criada pelo então ministro Bresser Pereira para pensar a rede e propor usos estratégicos no âmbito do projeto de reforma do estado. O entusiasmo e a percepção do Bresser no tema era muito estimulante, e chegamos a realizar algo que até hoje ninguém repetiu no governo: um chat onde o ministro respondia diretamente às questões dos servidores sobre as mudanças no Regime Jurídico Único (RJU). Isto foi em fins de 1996!
Depois estive no Ministério da Ciência e Tecnologia, onde novamente trabalhei em um setor especializado em Internet que se chamava Coordenação Geral de Informação e Difusão Científica. Assim como aconteceu no MARE e novamente por influência direta do Bresser, a área não estava subordinada nem à Comunicação Social nem à Tecnologia da Informação, e sim ligada à Secretaria Executiva -- ou seja, próximo ao centro de decisão. No restante do governo a Internet seguiu seu destino incerto, ora tocada à base de releases burocráticos típicos das 'ascoms' da esplanada, ora subordinada às interfaces herméticas da turma dos 'CPDs'. Arrisco dizer que a situação permanece mais ou menos igual...
Depois de alguns apuros após a entrada do Lula, naquele momento em que os técnicos de governo foram 'perseguidos' politicamente como se todos tucanos fossem, fui 'descoberto' pelo Claudio Prado, amigo de Gil, através deste blog (é isto que eu chamo de monetização). O encontro de Claudio com Letícia Schwarz, minha colega dos tempos do Bresser, viabilizou a minha ida para o Ministério da Cultura. A proposta era ser Gerente de Informações Estratégicas -- mais uma denominação criativa para disfarçar que nosso foco principal é a rede -- e estar localizado na Diretoria de Gestão Estratégica da Secretaria Executiva, trabalhando diretamente com a Letícia e com Juca Ferreira, o vice de Gil.
Devo dizer que foi no MinC de Gil que os conceitos da Ecologia Digital embutidos na minha atuação dentro do governo encontraram respaldo e fruição total. E posso dizer também que a recente publicação do website institucional do ministério em Wordpress traduz a vitória de um conceito fundamental: o de que a utilização da web como ferramenta de comunicação pública pelos órgãos de governo é tão importante e estratégica que não pode ser terceirizada -- deve ser apropriada organicamente pela instituição. E também não pode ficar refém de concepções limitadoras, como em geral o são as visões clássicas da comunicação e da TI governamentais. É preciso estar preparado para inovar, e neste sentido o 'do it yourself' (DIY) proposto pelo movimento open source é o caminho a seguir.
Ao cabo de minha pesquisa de campo, me dispus a apresentar os resultados obtidos em um evento promovido pelo Serpro, em dezembro de 2003. Mal sabia eu que o tal evento cumpria o objetivo de apresentar para o Comitê Técnico o Zope-Plone como o CMS (content manager system) ideal para o governo, e que os dados de minha apresentação eram absolutamente dissonantes com o hype promovido pelos donos da casa e seus poderosos parceiros naturais -- os Ministérios do Planejamento e da Fazenda. O argumento principal do meu discurso na ocasião era o de que todas as equipes de desenvolvimento dos órgãos eram formadas em asp, e a migração natural no emergente contexto do software livre no governo seria o php. Apresentar como solução geral uma aplicação (Zope) desenvolvida em Phyton, e com um banco de dados específico, levaria fatalmente ao seguinte cenário: manter os webmasters nas mãos de especialistas externos, o que praticamente inviabilizava o modelo 'do it yourself'. Conheço instituições governamentais que pagaram 1 milhão de reais(!) para terem seus websites desenvolvidos e implementados em Zope, e hoje não conseguem evoluir porque não têm mais como pagar a conta.
Mas mesmo o 'do it yourself' tem suas ressalvas. Minha frustração em conseguir uma aliança de governo em torno de um CMS integrador viável me levou a buscar uma solução php/mysql simples que viabilizasse a formação de uma comunidade de desenvolvimento open source intencional -- de governo. Foi então que embarcamos no Waram, uma solução simples gerada pelo Maratimba na prefeitura de sampa (Marta). Resultado: com as enormes restrições de equipe no MinC, e a mudança de governo em sampa, ficamos presos solitários em uma plataforma sem comunidade, sem condições de desenvolver e configurar novas possibilidades. Foram dois anos de ralação para entender o que havia dado errado no conceito, e o passo seguinte não poderia errar o alvo. Ou seja, 'do it yourself', mas nem tanto.
Foi aí que chegamos ao Wordpress, mas isto já é assunto para outro post...
domingo, novembro 25, 2007
Ainda sobre o IGF-Rio: a relevência está nas pontas
Depois de desabafar a minha frustração pessoal em relação ao IGF no post anterior, fica mais fácil avaliar os aspectos gerais do evento de maneira mais objetiva. É fato que não pude acompanhar os conteúdos, pois estava concentrado em fazer o hack funcionar. Mas ainda assim foi possível captar a movimentação geral, já que fiquei 4 dias internado no Windsor Barra -- ao lado, foto do lobby do hotel durante uma madrugada de trabalho.
Um aspecto destacado por alguns blogs foi a marcante migração das ações relevantes do fórum para os eventos periféricos, como os workshops propostos por grupos organizados, as reuniões das coalizões dinâmicas, os fóruns de melhores práticas e outros. O resultado foi o esvaziamento das sessões principais, que disputavam a atenção dos participantes com até seis agendas simultâneas.
Pior ainda, não há nenhum espaço comum para o processamento das idéias e para a deliberação sobre o que acontece nas pontas do processo. De fato, em função da verdadeira competição por atenção criada pelo agendamento de inúmeros workshops simultâneos às sessões plenárias, a programação dos eventos paralelos atraiu muito mais gente no segundo e terceiro dias. O resultado é um ambiente de 'trade-show' ou de conferência acadêmica. Tal situação gera um sentimento de frustração que pode ser facilmente detectado em inúmeras das partes interessadas. É ótimo, como sugeriu Jeanette Hofmann na sessão final, que os workshops reflitam os interesses reais dos participantes. Mas estes temas fragmentados em processos de livre-associação necessitam algum tipo de integração.Observações semelhantes foram feitas por Everton Lucero, conselheiro do Itamaraty que foi a meu ver o brasileiro com atuação mais relevante em todo o evento, incluído aí todo o processo preparatório em Genebra e a fase de articulação da presença governamental. Desde as primeiras ações conjuntas, Everton esteve sensível às 'provocações' aportadas pelo MinC para que o IGF não fosse um Forum exclusivo para engenheiros, diplomatas e advogados, o que resultou na criação do blog MinC / MRE para o IGF.
The Rio IGF: The Center Does Not Hold? - IGP Blog
Sua percepção sobre as deficiências do processo, e a resiliência demonstrada ao colocar tais questões de forma clara, tanto no workshop que tratou do cumprimento do mandato do IGF definido em Tunis ('Fulfilling the mandate of IGF') como na plenária que avaliou o desempenho do IGF até agora ('Taking Stock and the Way Forward'), não passaram despercebidas pelos comentaristas atentos.
Um dos panelistas mais provocativos foi Everton Lucero, representante do governo brasileiro que apontou como um dos obstáculos [ao cumprimento do mandato do IGF] a falta de transparência do processo preparatório, o que contraria o parágrafo 33 da Agenda de Tunis. Como ele apontou, o Advisory Group (MAG) não possui procedimentos definidos, e atua com um grau de transparência muito limitado. Lucero também manifestou o sentimento de que o seu 'perspicaz relatório', onde recomendava reformas ao Advisory Group, foi solenemente ignorado. Ele também destacou a ironia na existência de um Fórum que se realiza sob os auspícios das Nações Unidas, mas que ainda assim não é contemplado com nenhum recurso de seu orçamento.
Day 4 of IGF Rio - IGFWatch news
Como bem assinalado pelo FF, uma das repercussões interessantes no ambiente do IGF-Rio foi o post do Joi Ito sobre sua saída do board da ICANN. Ao mesmo tempo em que saúda o trabalho realizado pela instituição e desfaz alguns dos mitos que levam muitos a considerá-la 'o lado escuro da força', assinala também a dificuldade da instituição em escutar os verdadeiros usuários nas pontas da rede.O problema da ICANN não é de ser injusta, e sim a dificuldade e o tempo requerido para se tentar alcançar consenso nas questões difíceis. O outro problema é que a maioria das pessoas que são afetadas por suas decisões, os usuários em geral, não sabem ou se importam em saber sobre a ICANN e seu papel. Descobrir a melhor forma de captar os inputs destes usuários tem sido um questão recorrente, mas isto não é um problema da ICANN unicamente. Toda a política e o universo da ação coletiva compartilham esta dificuldade de fazer com que o público se importe com o debate sobre os temas que o afetam diretamente.Minha tendência é concordar com o Joi Ito duplamente. Sempre achei um exagero esta ênfase total na internacionalização da ICANN como a grande questão da governança da rede. O fato é que uma das principais reivindicações do IGF-Atenas -- domínios top-level funcionando em códigos de caracteres internacionais além do hoje mandatário alfabeto romano -- parece estar recebendo tratamento diferenciado por parte da ICANN. Pode até parecer um detalhe, mas trata-se neste momento da iniciativa mais relevante no sentido de proteger a internet dos riscos de fragmentação.
Three Years with ICANN - Joi Ito
Se a ICANN estiver em condições de dar suporte a domínios top-level em chinês, arábico, persa e outras línguas, isto pode significar um passo fundamental no sentido de aplainar arestas, com alcance suficiente para prevenir um quadro de ruptura dramática onde não poderíamos mais estar falando de "a Internet".... seria um mundo onde a competição entre nameservers de diferentes nações nos deixaria falando sobre diversas "Internets".Enfim, fico com a impressão de que o rescaldo sobre o IGF-Rio ainda pode render boas reflexões*. Em linhas gerais, penso ser lastimável que um processo que se propõe a debater a governança da Internet faça um uso tão pobre dos recursos da própria rede, a começar pelo site oficial(!).
Icann takes a very big small step - My Heart's in Accra
O IGF deveria privilegiar a interação em rede, retirando a ênfase no encontro presencial anual -- uma ostentação ridícula -- e ativando uma permanente colaboração online. Mas enquanto o custo de um coffe-break básico do IGF-Rio pode significar a sustentabilidade de um servidor web ativo na rede por um ano -- ou, quem sabe, uma tela extra para a projeção da participação remota no salão do evento, a coalizão dinâmica de colaboração online (OCDC) teve a sua página wiki desativada por depender do bolso de um de seus membros para se manter online.
Como última observação, confesso que fiquei espantado com a falta de visão de alguns dos nossos colegas, Skywalkers tardios e demodês que ainda acreditam na relevância dos fóruns restritos com seus bastidores mesquinhos. Perderam a oportunidade de se plugar na dinâmica e diversa cultura de uso da rede, que emerge a cada dia de suas pontas. Este é, a meu ver, o verdadeiro tema, objeto e finalidade de qualquer projeto internacional de governança da Internet.Foto de Vitor Cheregati: Papo sobre internet, governança, propriedade intelectual, desenvolvimento e futuros possíveis durante o IGF Paralelo, no Circo Voador, Lapa, Rio de Janeiro. Presentes os Ministros de Estado Gilberto Gil e Mangabeira Unger, o Vice-Governador do Estado do Rio Luiz Pezão, Ronaldo Lemos do iSummit e FGV, moderados pelo animador de políticas digitais do MinC, o legendário Claudio Prado.
(*) O conteúdo de vídeo das 'main sessions' do IGF-Rio tem alguns bons trechos que mereciam destaque. Se alguém tiver a manha de baixar os arquivos, entro na colaboração para fazer uma edição legal para colocar no youtube. Interessados podem se manifestar nos comentários. Alô turma do Circo...
Postado por Unknown às 01:17 |
Marcadores: governança, icann, igf, igf-rio, participação remota
sábado, novembro 24, 2007
Hackeando o IGF-Rio, ou quase...
Já se passaram 10 dias desde o encerramento do Internet Governance Forum (IGF) no Rio de Janeiro, e somente agora tenho a oportunidade de refletir um pouco sobre o que se passou. Devo dizer que ao cabo do processo, meus sentimentos ficaram registrados de forma oficial e pública no relato do Jeremy Malcolm, fundador e principal ativista da Online Collaboration Dynamic Coalition (OCDC), proferido na sessão de relatório no último dia do IGF.
(José Murilo Junior) spoke in the meeting [the OCDC workshop] about a tool that he had developed with the Brazilian ministry of culture for the Rio IGF meeting. It combines chat and webcasting and as well as being used by remote participants is designed to [allow participants present at the meeting to be able to view, on a large projection screen] [be used by participants at the meeting] the comments that are being made by remote participants in realtime. For the purpose of the IGF meeting, Jose and his team also developed an interface to allow what people in the auditorium see to be monitored to filter out inappropriate remarks. He was disappointed that this was not used in the Rio meeting.O interessante é que um trecho do relato do Jeremy (assinalado em vermelho), cuja íntegra foi compartilhada com os membros da coalizão dinâmica, foi extirpado da versão oficial disponível no site oficial do IGF, e em seu lugar figura o trecho marcado de cinza -- o que chega inclusive a comprometer a compreensão da frase. Uma censura estratégica, diria eu.
Reporting Back Session, 15 /11/2007 - The Internet Governance Forum (IGF)
Este post deve estar parecendo linguagem cifrada, não é? Na verdade ele se explica através destes posts aqui (este também), que detalham melhor a minha participação no processo IGF -- o Fórum de governança da Internet da ONU -- como representante do Ministério da Cultura.
No MinC de Gilberto Gil, a rede internet é considerada extra-oficialmente como patrimônio imaterial da cultura contemporânea, e como tal, sujeita à proteção contra os perigos que ameaçam a plena fruição de suas possibilidades de difusão e acesso à cultura e ao conhecimento. Neste sentido, por ocasião da realização do IGF no Rio, entendemos que a colaboração do MinC deveria contemplar a aproximação dos temas debatidos no Fórum com o mundo da cultura, e ao mesmo tempo viabilizar um canal de retorno desta dimensão cultural de volta para o Fórum, utilizando as possibilidades de comunicação disponíveis na rede.Para isso, o Circo Voador na Lapa foi mobilizado durante os 3 dias principais do IGF, cumprindo programação de debates com convidados que estariam interagindo diretamente com as sessões plenárias. O modelo de participação remota proposto pelo MinC para o Secretariado do IGF foi o mesmo utilizado no Seminário Internacional de Diversidade Cultural, e permitiria a interatividade do público online com a audiência 'privilegiada' no local do evento, o hotel Windsor na Barra. Tudo isso acompanhado pelo blog MinC/MRE para o evento.
Nossa percepção era a de que o IGF, ao se apresentar como experiência inovadora da ONU em reunir para o debate um fórum 'multi-stakeholder' (que abrange representantes de governos, das empresas e da sociedade civil), teria como diretriz necessária promover o alargamento do debate e facilitar a participação de todos os públicos interessados. No primeiro IGF em Atenas o esforço em oferecer um nível básico de participação remota foi, em minha opinião, fundamental para a caracterização do que veio a ser chamado processo IGF, o qual prevê mais 3 reuniões até 2010.
Enfim, o plano -- que parecia bom -- de proporcionar ao público interessado um meio de participação remota através de uma interface de chat / webcast, e ao mesmo tempo projetar o fluxo de comentários e perguntas do chat diretamente em uma tela no salão do evento, foi inviabilizado por motivos que até agora eu tento definir. Depois de tudo aprovado, combinado, ensaiado e configurado, o 'pulo do gato' que era a projeção da 'desconferência'* no salão do evento, não aconteceu. E eu, sentado aí gerenciando o chat e com a tela pronta para entrar no ar (foto), amarguei uma grande frustração**.Acredito hoje ter sido ingênuo em imaginar que um processo com tanta interferência política e não-transparente como o conduzido pelo MAG (Multistakeholder Advisory Group) na definição dos panelistas, poderia ser 'hackeado' tão facilmente. Afinal, colocar o internauta comum -- 'você' mesmo aí no seu humilde teclado -- na posição de se manifestar em condições análogas àquela turma acostumada a intermediar interesses institucionais em meio a processos representativos típicos do século passado, é sem dúvida uma hackeada radical no sistema***.
Não foi à toa que a galera que cuidava da arte que iria ilustrar o evento no Circo voador 'captou a mensagem', e mandou ver o recado -- 'hackeando a onu' -- na primeira versão do cartaz (ao lado) -- censurada por excesso de sinceridade.Ao final, depois de tanto esforço nos últimos 2 meses para 'abrir' o tema da governança da internet para um público mais amplo, para mim sobrou uma incômoda sensação de fracasso. Minha impressão foi a de que chegamos bem perto de fazer funcionar um hack brilhante, que poderia trazer participações inusitadas para o IGF, mas um 'bug' de última hora pôs tudo a perder. O aprendizado, este sim, foi inestimável.
(*) 'desconferência' (unconference ) - parte da premissa de que na audiência pode / deve existir pessoas mais interessantes para a qualidade do debate do que a suposta autoridade do conferencista.
(**) Ainda acho que o plano teria funcionado se tivéssemos conseguido uma tela exclusiva para a projeção do chat da participação remota, e não dependêssemos do maldito 'switch' que jamais foi acionado. Ficamos reféns de condições subjetivas tais como o grau de arrojo e ousadia das pessoas do Secretariado do IGF responsáveis pelas decisões operacionais.
(***) Hackear: trata-se de descobrir como funciona o processo para então customizá-lo de acordo como queremos, em sintonia com interesses coletivos. Como diz o Ministro Gil, "Hackers resolvem problemas e compartilham saber e informação. Acreditam na liberdade e na ajuda mútua voluntária"
Postado por Unknown às 14:59 |
Marcadores: circo voador, hackeando, igf, rio
quarta-feira, novembro 07, 2007
Rising Voices: Novamente Chamando as Vozes Emergentes...
Meu amigo David Sasaki está novamente ativando uma chamada de micro-financiamento para projetos de mídia comunitária através do programa 'Rising Voices'. Trata-se de uma iniciativa da organização Global Voices, na qual me orgulho em atuar como colaborador.
O 'Rising Voices' (Vozes Emergentes) tem como principal objetivo ajudar a trazer novas vozes de novas comunidades e diferentes idiomas para a grande conversação na rede, por meio de recursos e fundos para grupos locais que apresentem propostas de como alcançar comunidades que ainda não possuem representação na web. Exemplos de potenciais projetos incluem:
- Compra de uma boa câmera digital de vídeo e ensino de um grupo de estudantes rurais a produzir um videoblog documentário sobre a vida de seus avós.
- Organizar uma oficina regular sobre blogs e fotografias em orfanatos locais. Parte do recurso financeiro pode ser utilizado em câmeras baratas e acesso à internet para que os participantes possam descrever a vizinhança para o público mundial com textos e imagens.
- Trabalhar com uma organização não governamental (ong) local ou ativista social para que os desafios, sucessos e histórias desses grupos possam circular em uma audiência global.
- Traduzir nosso material sobre novas mídias para idiomas indígenas, como o Quechua ou Wolof, que não estão representados na blogosfera ou podosfera atual. Depois utilizar os módulos de ensino para encorajar blogueiros a postar nos idiomas de origem.
Veja no site do Global Voices em Português o que você precisa fazer para se inscrever e fique de olho no prazo, que vai até 30 de novembro. Como diz o David, "o céu é o limite, mas os recursos, infelizmente, não". As verbas do programa de promoção do Rising Voices, em reais, variam entre R$ 1.700 e R$8.500, e portanto a dica para a apresentação da proposta é que você "seja o mais sério, específico e realista possível quando descrever os gastos previstos no projeto".
Os projetos que tiverem êxitos serão destacados no Global Voices, e isto pode ter um grande significado para as comunidades atendidas. Vale à pena participar!
Postado por Unknown às 10:55 |
Marcadores: global voices, micro-financiamento, mídia cidadã, mídia comunitária, rising voices
