Vi o Buzz-i-metro lá no Dave
Pollard, e achei legal de postar aqui no Ecodigital.
A ferramenta monitora o número total de menções que um
determinado tema recebeu nas últimas dez semanas, e a tendência
semanal para até cinco temas de uma vez. Vá
lá e monte o seu próprio Buzz-imetro (Buzz-o-meter). Olha
aí o meu:
Na rede
quarta-feira, setembro 10, 2003
Buzz-i-metro, ou medidor temático da blogosfera
- Mais um termômetro das conversas no ambiente digital
Postado por Unknown às 15:32 |
domingo, setembro 07, 2003
Fama versus Fortuna
- Bom artigo sobre a economia do conteúdo grátis
Ao plantar no início do ano uma discussão sobre as leis de poder
que atuam na blogosfera ("Power
Laws, Weblogs, and Inequality"), Klay
Shirky gerou boas discussões aqui
e ali.
Esta semana publicou um bom artigo especulando sobre
o futuro dos micropagamentos (micropayments) na web, onde achei esta interessante
descrição macroeconômica sobre o efeito da rede no binômio
Fama e Fortuna.
"A publicação analógica gera custo por unidade
- cada livro ou revista requer uma certa quantidade de papel e tinta, e gera
cutos de armazenagem e transporte. A publicação digital não.
Com um computador e acesso à Internet, você postar uma entrada
de blog, ou cem, para dez leitorres ou dez mil, sem pagar nada por postagem
ou por leitor. Na verdade, dividindo custos iniciais pelo número de
leitores significa que o conteúdo se torna mais barato na medida em
que se torna mais popular - o oposto do mundo analógico.
O fato de que o conteúdo digital pode ser distribuído sem
nenhum custo adicional não explica o enorme número de pessoas
criativas que disponibilizam seu trabalho de graça. Ao final, ainda
estão investindo seu tempo sem receber nenhum pagamento por isso. Porque?
A resposta é simples: criadores não funcionam como publishers,
e colocar o poder de publicar diretamente em suas mãos não os
transforma em publishers. Faz deles artistas com impressoras. Isto faz diferença
agora, porque pessoas criativas buscam a atenção de forma diferente,
mas antes da Internet isso pouco importava. O gasto de publicar e distribuir
material impresso é muito grande para ser oferecido gratuitamente e
em quantidades ilimitadas - mesmo livros "vanity press" tem algum
preço. Hoje um indivíduo pode atender uma audiência de
centenas de milhares como um hobby, sem nenhum publisher por perto.
Esta situação desmantela a velha equação
de "Fama e Fortuna". Para um autor ser famoso muitas pessoas tinham
que ler seus livros, e pagar por eles. Fortuna era um efeito colateral de
se alcançar fama. Agora, com o poder de publicar diretamente em suas
mãos, muitas pessoas criativas estão diante de um dilema que
nunca tiveram antes: Fama X Fortuna."
Fame
vs Fortune: Micropayments and Free Content
Klay Shirky
Em outro trecho, Shirky especula sobre a natureza do conteúdo grátis:
"O conteúdo grátis é o que os biólogos
chamariam de estratégia
evolucionária estável. É uma estratégia que
funciona bem quando ninguém mais a esta utilizando - é bom ser
a única pessoa oferecendo conteúdo grátis. E é
também uma estratégia que continua a funcionar se todos passam
a utilizá-la, pele fato de que em tal ambiente, quem começar
a cobrar por seu trabalho estará em desvantagem."
Postado por Unknown às 12:00 |
quarta-feira, setembro 03, 2003
Guia do cidadão para as ondas do ar
- O manual do espectro
A
New America Foundation, partindo
do princípio de que na sociedade da informação o mais valioso
bem público (recurso natural?) é o espectro
eletromagnético - ou "as ondas do ar" (airwaves) - mantém
um programa de Política de Espectro (Spectrum
Policy), e recentemente editou o "Guia do cidadão para as
ondas do ar" (The
citizen's guide to the airwaves).
É um super material para quem quer ficar por dentro do assunto, bem
ilustrado e fácil de multiplicar. Para saber um pouco mais sobre as questões
políticas que envolvem a regulamentação deste assunto,
também sugiro "O
mito da interferência no espectro de rádio", de David
Weinberger, publicado no Ecologia
Digital.
O
Manual
da NAF didaticamente divide o espectro em quatro zonas (clique
para ver todo o espectro):
- zona permeável
- zona semi-permeável
- zona de avistamento longo
- zona de avistamento curto
A radio FM (em 88 MHz) é um exemplo de uma aplicação na
zona permeável. Você pode usar rádio FM em qualquer lugar
sem se preocupar se as paredes irão bloquear a recepção.
A maior atratividade dos modernos telefones celulares (que usam bandas entre
800 MHz e 2 GHz) é a promessa de acessibilidade em qualquer lugar, a
qualquer hora.
O serviço de rádio por satélite (em 2.320 GHz), por exemplo,
é uma aplicação na zona semi-permeável, e a TV por
satélite (em 12.2 GHz) é um exemplo de aplicação
que faz uso da zona de avistamento longo. Este tipo de sinal de TV pode viajar
por 35 km entre o satélite e o seu receptor, contanto que nada esteja
no caminho. Uma árvore ou mesmo uma chuva pesada poderá bloquear
o sinal. Como regra, a permeabilidade de um sinal de rádio diminui na
medida em que a frequência aumenta, e o valor econômico do espectro
aumenta com a sua permeabilidade (capacidade de penetrar objetos).
Sabemos que a infra-estrutura é determinante na manutenção
dos princípios de liberdade do ambiente digital. É importante
que estejamos atentos às questões que envolvem os insumos básicos
do funcionamento da rede, acompanhando as decisões políticas no
tema (clique
para ver o último documento da Anatel
no assunto).
Postado por Unknown às 15:39 |
terça-feira, setembro 02, 2003
Alerta ambiental no espaço da rede
Donos do Kazaa usam o DMCA para censurar o Google
Deu no Slashdot
que a Sharman Networks,
dona do Kazza,
entrou com uma reclamação
oficial contra o Google, proibindo-o de retornar determinados endereços
que ofereciam download do Kazaa-lite.
Na página
que retorna a busca ao Kazaa-lite o Google apresenta sua
política em relação ao DMCA,
e o link para o
documento que determina a censura.
Para quem não conhece, o Kazaa lite
(altamente recomendável - veja
faq) é o mesmo Kazaa,
aplicativo P2P
que compartilha arquivos de qualquer tipo na internet, só que
extirpado das irritantes propagandas, "pop-ups", banners, e programas
"espiões" (spyware) do Kazaa convencional. Foi melhorado (e
continua sendo) pela comunidade hacker,
o que representa um serviço compartilhado com todos os usuários
da rede.
Para a comunidade P2P fica
claro que a Sharman
está usando as mesmas
táticas do RIAA, ou seja, mudando de lado e se valendo da lógica
perversa do DMCA
para impedir a inovação nas ferramentas da rede e "se dar
bem" - reservando boa parte do mercado para sua plataforma (agora) proprietária.
Que vergonha, Kazaa (not so lite)!! E o que nós temos a ver com isso?
No meu entender abre espaço para algumas especulações teóricas.
Aproveito
para indicar um texto (meio antigo) do Geert
Lovink (ABC
da Mídia Tática) que publiquei lá
no site: Una Reciente
Historia de la Cybercultura de los 90'tas. O artigo aborda o conceito das
TAZ - Temporary Autonomous
Zone, de Hakim Bey,
para explicar, numa visão pessimista, o fracasso da Internet em realizar
as promessas libertárias do mundo underground. Lovink parecia acreditar
(ao final da década passada) que o mundo corporativo havia vencido a
guerra na rede, decretando a morte do anarquismo hacker.
(vale à pena ver o novo
livro de Geert Lovink)
Nós da Ecologia Digital, que ainda acreditamos na capacidade revolucionária
da rede, ficamos com o posicionamento do Doc
Searls sobre a mágica que vigora na colobaração específica
do éter digital, sobre o qual já
bloguei anteriormente:
"...os clientes se tornaram mais ariscos do que nunca.
As escolhas continuaram a crescer ao ponto deles mesmos desenvolverem suas próprias
"soluções" para todos os problemas que os fornecedores
obcecados por "branding" falharam em solucionar. Os tecnólogos
estão na liderança deste movimento oferecendo, e escolhendo, mais
coisas que simplesmente realizam o serviço melhor do que outras coisas
- ou coisas que fazem o serviço tão bem e por menos dinheiro."
"Doc
Searls - Linux SuitWatch - June 19"
E para terminar, em se falando em TAZ (ou ZATs), não posso deixar de
mencionar que os blogs
de Bagdá estão mais interessanes do que nunca. Não
só o do famoso Salam Pax,
que hoje é também articulista
do Guardian, e recentemente teve a
casa dos pais invadida em Bagdá, mas agora também o de uma
geek
iraqueana(?) mais do que esperta (Baghdad
Burning), que publica relatos que parecem scripts cinematográficos
sobre o horror que a ocupação americana causa no Iraque. Zona
Autônoma Temporária?
Ah, antes que me esqueça, aí vão outros kazzas vitaminados
oferecidos na rede: Kazza
Hack, Kazaa Diet,
... e o melhor deles (recomendo): Kazaa
Lite K++ 2.4.2.
Mantenha a Internet Livre.
Postado por Unknown às 15:06 |
terça-feira, agosto 26, 2003
Três cenários alternativos
- O que a iniciativa da RIAA sobre o P2P pode gerar
Ao aviso de que as gravadoras
devem processar quem baixa MP3 ainda em agosto, e imaginando quem poderia
estar na mira
da RIAA, me deparei com uma interessante descrição de cenários
possíveis no contexto da surreal iniciativa da indústria fonográfica:
Meu palpite é que a RIAA irá
alavancar um processo caótico, cujos efeitos são imprevisíveis,
mas existem alguns cenários possíveis, os quais apresento em
ordem decrescente de probabilidade:
Cenário "Tempestade num copo d'água" -
Penso que o cenário mais provável é também o mais
aborrecido. Centenas de processos e muita publicidade inicial, seguidos de
interesse cada vez menor por parte da mídia. Após poucas semanas
a ofensiva da RIAA vira notícia velha. Os processos em si tem pouco
ou nenhum efeito nos hábitos ("copynorms")
da rede, pelo fato de centenas de processos judiciais serem apenas uma gota
no oceano. Milhões utilizam o Kazaa
para copiar arquivos MP3. Se a RIAA registrar apenas algumas centenas de processos,
a maioria dos usuários de P2P não conhecerão ninguém
que tenha sido processado, e nem ninguém que conheça qualquer
vítima. Imagine que a "Lei Seca" começou com "centenas
de processos criminais" por tráfico de bebidas alcoólicas.
Alguma semelhança com "uma gota no oceano"?
Cenário "Tiro pela culatra" - Centenas de processos
geram toneladas de má publicidade. A mídia decide focar nas
vítimas mais simpáticas. Imagine a mãe adolescente que
com muito esforço conseguiu entrar para a universidade, e que agora
tem que entregar o dinheiro das mensalidades do próximo ano para uma
gravadora, pelo fato do namorado de sua colega, com quem divide o aluguel
de um apartamento, ter usado P2P para copiar arquivos MP3. Senadores escutam
de seus filhos que a RIAA está perseguindo estudantes universitários.
A opinião pública se volta contra a RIAA, que solta na praça
uma agressiva campanha. Passando por cima das objeções de seus
consultores de relações públicas, a indústria
emplaca a campanha "Cópia de Arquivos é Roubo".
Um advogado da RIAA testifica publicamente que "Não existe
diferença moral entre copiar arquivos e assaltar uma loja de bebidas".
Pais que vinham permitindo seus filhos realizarem cópias de arquivos
via P2P ficam irados. E a RIAA retira a campanha litigiosa, dando-se conta
de que sua continuidade pode resultar em legislação que enfraqueça
o DMCA.
Cenário "Mudança de Hábito" - Centenas
de processos geram publicidade simpática. A campanha da RIAA apresenta
o tom certo, fazendo com que pais e adolescentes tenham sérias conversas
sobre a moralidade de se copiar arquivos na Internet. A mídia foca
em indivíduos processados que tenham um corte de cabelo ruim, e a RIAA
consegue processar um em cada uma das 500 maiores faculdades e universidades
do país, resultando numa onda de medo e remorso no ambiente universitário.
Como resultado, os hábitos vão gradualmente mudando, e copiar
arquivos deixa
de ser "cool". Na medida em que o hábito de copiar arquivos
invade os pontos públicos de acesso à Internet, torna-se um
grande problema a ser administrado. O serviço
da Apple torna-se realmente popular, e a maré começa a virar...
Do "Legal
Theory Blog", do Lawrence Solum (Copynorms).
"Copynorms"
são as atitudes informais sobre a noção
de certo ou errado em duplicar material sob copyright.
Enquanto isso, no Brasil, o ministro
Gil investe na máquina
de CDs (uma nova forma de vender discos, em máquinas eletrônicas,
com cartões magnéticos), idéia patrocinada pelo Grande
Lobo. Novos paradigmas exigem soluções criativas.
Update: caso você seja uma vítima de processo judicial
por cópia de arquivos via p2p, entre em contato com Copywrongs.org.
Update
2: O ITunes (o serviço
da Apple) pelo jeito já dá sinais que o cenário "Mudança
de Hábito" é mesmo pouco provável. Veja gráfico
disponibilizado pelo ITunes
is Bogus - iniciativa muito legal do pessoal do DownHill
Battle. Tem um texto legal lá, Civil
Disobedience, p2p:
"Antigamente, as pessoas que queriam mudar radicalmente a indústria
fonográfica eram chamados "ingênuos" - tais pessoas
não tinham condição de entender como o "mundo real"
funcionava. Mas as coisas mudaram e agora as pessoas que querem se ver livres
das grandes gravadoras são os realistas, e as corporações
é que parecem ter embarcado numa "viagem" de auto-ilusão.
De acordo com os últimos acontecimentos, o que irá matar as
gravadoras não será nenhum programa P2P, ou caso judicial, mas
sim suas próprias atitudes, que partem do princípio de que têm
direito a existir mesmo sem prestar bons serviços aos músicos
ou seus fãs." Donwhill
Battle
Postado por Unknown às 16:22 |
quarta-feira, agosto 20, 2003
Mais Software Livre em Brasília, e tecnologia digital para a paz social
A seqüência do dia 19 na Semana de Software Livre no Legislativo ficou por conta de Marcelo
D'Elia Branco, coordenador do PSL-RS e grande responsável pela realização do "conclave".
Assim foi denominado o evento pelo senador José Sarney, que disse ter sido convencido por Marcelo da importância do SL para o futuro do país em fortuito encontro entre ambos acontecido em evento na Europa, no início do ano. Temos que admitir que este encontro
pode ter sido decisivo para o futuro do SL brazuca.
A apresentação de Marcelo descreveu bem o quadro da economia no
setor tecnológico, após a revolução que possibilitou a convergência
das TICs. Aproveitou a deixa de estar se dirigindo a parlamentares e alertou contra os perigos do DMCA, que estaria embutida no acordo da ALCA. Anunciou também o lançamento do Projeto Software Livre Brasil para amanhã (21/08).
A idéia foi gestada com a colaboração do grupo Articuladores, e vem ganhando simpatia em vários setores do governo como ação efetiva para a recuperação da auto-estima da juvetude excluída. O projeto promove o domínio das mídias digitais para produção de cultura local (surge o Hip-Hacker), fomentando a veiculação da multidiversidade cultural no ambiente digital - tudo baseado em Software Livre.
Na sequência foi a vez do Marketing Hacker Hernani Dimantas deslocar o foco do assunto para longe dos computadores, enfatizando a importância central da ética hacker e da conversação possibilitada pela Internet como pressupostos do novo paradigma digital. Destacou a importância das BACs no papel de fomento à produção de conhecimento local - caracterizando a terceira geração dos telecentros.
Para fechar o painel Luis Eduardo Soares, Secretário Nacional de Segurança Pública, apresentou um quadro forte para ilustrar a desesperada busca de reconhecimento por parte de um menor excluído socialmente ao ir de encontro à sua primeira experiência de violência (apontar uma arma para alguém). Demonstrou que, para os incluídos, jovens pobres são seres invisíveis - esta alienação surge da indiferença ou do preconceito, e torna-se funcional ao naturalizar a paisagem urbana intolerável para que possamos ter um mínimo de paz.
"A possibilidade desses jovens demonstrarem virtudes e qualidades, realizando uma produção autônoma de sua própria especificidade em mídia digital, coloca as BACs como projeto singular neste contexto. E promove a centralidade da cultura e das políticas culturais para o desenvolvimento da paz social. Internet, redes de sociabilidade, possibilidade de ser reconhecido e obter respostas, assim constituindo o laço (vínculo) - arte, estética e música, acrescidos do diálogo
digital."
Depoi do painel ainda veio o Miguel de Icaza, que nem falou da compra da Ximian pela Novell... Mas aí também já não dava para captar coisa nenhuma.... Fim do dia.
Postado por Unknown às 20:03 |
Marcadores: BACs, dmca, hacker, software livre
terça-feira, agosto 19, 2003
Semana de Software Livre no Legislativo: Convenção anual de hackers?!
Cá estou já devidamente acomodado no Americel Hall da Academia de Tênis de Brasília, no aguardo da sessão de abertura da Semana de Software Livre no Legislativo. Já consegui a tomada e o note está no ponto para a blogar o evento. O primeiro a falar na mesa repleta de autoridades é Richard Stallman, e sua apresentação é didática e esclarecedora no que toca os significados básicos do movimento pelo Software Livre:
O ministro Gilberto Gil também foi instigante e arrojado. Eu diria até... lisérgico, mas talvez a melhor descrição de sua apresentação seja: "contra-cultural". E foi o único a enfatizar o aspecto ideológico da questão. Não é por acaso que os diversos atores da TIC governamental vêm adorando o arrojo do MinC em atrair a discussão do futuro digital do país para o âmbito da cultura. A transversalidade da abordagem vem facilitando a ultrapassagem de obstáculos e contradições que há muito emperravam a atuação do governo na concepção de projetos para o ambiente digital:"Significa que o usuário é livre. Significa que você é livre para usar o software como quiser, mudar, contratar um programador para ajustar o que for necessário caso você não programe, e também livre para distribuir o que desenvolveu. Significa que os usuários estão no controle, individualmente ou em grupo. Estamos aqui para afirmar que estas liberdades são muito úteis, e que negá-las vai contra princípios básicos do desenvolvimento da cultura humana. Por isso somos a favor do Software Livre.
Liberdade é importante. Em algumas situações somos obrigados a lutar por nossa liberdade. Creio que no caso do software não temos que pegar em armas para garantir liberdade, mas talvez seja necessário algum tipo de esforço, uma aposta na mudança. Sem um impulso, os usuários ficam isolados pelas restrições impostas pelo código fechado, e não conseguem perceber as possibilidades que o Software Livre apresenta.
Um cozinheiro é livre para utilizar receitas, e livre para acrescentar ingredientes ou mudar quantidades e procedimentos, adaptando a receita original às suas peculiaridades, sem que para isso tenha que pagar por uma licença de uso. Assim deveria ser na questão do software.
Para efetivar a mudança é importante implantar SL nas escolas, não somente para cortar custos, mas para treinar os futuros adultos nesta tecnologia. Para escrever bom código, há que se ler e escrever bom código. Com o software proprietário você não vê o código – é tudo secreto, não se pode aprender.
Escolas primárias deveriam ensinar as crianças a ajudar seu vizinho. Em escolas secundárias deverão ser os alunos os responsáveis pelo suporte às redes e aos computadores. A sociedade ainda não entendeu bem os aspectos de liberdade que os computadores podem proporcionar. Estou falando aqui do que aprendi."
"O novo contexto ideológico clama por participação horizontal da população nos avanços teconológicos. Contextualizando o mundo digital no campo cultural, não devemos nos esquecer que a cultura digital viveu momentos decisivos sob o signo da utopia. Jovens californianos criaram o PC (personal computer), e na mesma época e local, uma outra turma preparava a migração contracultural das viagens de LSD para os laboratórios de alta teconologia e para o sonho da realidade virtual. A Califórnia era ao mesmo tempo o centro da viagem contracultural, e a vanguarda da pesquisa tecnológica. Alteradores de estado de consciência aliados a grandes escritores de código.
Nesta época já se configurava o contraculturalismo eletrônico, e nada mais natural portanto, desta perspectiva cultural, do que a movimentação em direção ao Software Livre. É mais um projeto de nossas utopias realistas, e será básico para que tenhamos asseguradas nossa liberdade e autonomia no século XXI. E é por isso que o governo Lula deve caminhar para a transformação do Brasil
no pólo internacional de Software Livre no mundo."
(veja a íntegra do discurso do ministro Gil no site do MinC)
Da sessão solene de abertura, foi o que ficou. Os Zés Dirceu e Sarney conferiram o peso político necessário ao evento, mas só. De minha parte, a todo momento me dou conta de como este seminário é importante, e também totalmente improvável de acontecer em qualquer situação que não a de um governo legitimamente popular como o do presidente Lula. O mundo hacker está em êxtase. Na seqüência, mais sobre o evento.
Postado por Unknown às 21:59 |
Marcadores: Gil, software livre, stallman
domingo, agosto 17, 2003
Stallman em Brasília: Uma semana que promete balançar o planalto central
Retornando ao blog depois de afastamento estratégico, vou dando conta do evento do ano que ocorrerá esta semana aqui em Brasília. A Semana de Software Livre no Legislativo está trazendo Richard Stallman, presidente da Free Software Foundation, e Miguel de Icaza, presidente da Gnome Foundation, e ocorre em momento estratégico para a implementação da proposta no País.
Quem me conta mais detalhes da programação é o amigo Claudio Prado, que vem atuando como articulador de políticas digitais do Ministério da Cultura, e será o moderador da mesa que estará tratando sobre teconologia digital - um caminho para a paz social, que conta ainda com a participação de Hernani Dimantas, Hermano Viana e o Secretário Nacional de Segurança Pública, Luis Eduardo Soares.Fiquei bem animado ao dar uma olhada na apresentação que o Claudio irá fazer da proposta do MinC para fomento à cultura digital. Tão animado que o convenci a mostrar um pedaço do diagrama aqui no Ecodigital, em primeira mão (abaixo).
"Vamos tropicalizar a cultura digital". "Sem tesão não há inclusão". Os eventos relacionados
ao ambiente digital têm sido visitados nos últimos meses por idéias e conceitos que trazem fortes elementos da contracultura dos anos 60, principalmente pela atuação de Claudio (o agitador
da Ilha de Wight), amigo do Ministro Gil, e que a seu mandato está sacudindo o ambiente tecnológico.
Claudio, em visita ao bunker da Ecologia Digital (foto ao lado) explica que não poderia ser de outra forma, pois a Internet e o Software Livre são a "ponta do iceberg" de uma grande mudança paradigmática para a humanidade.
"A Internet furou o sistema - em pleno século XX foi criado o maior engenho de comunicação que já existiu, que não tem dono, carece de poder central, e extrai sua força das pontas conectadas (poder periférico). O século XXI será marcado pela Cultura Digital, e estamos vivendo o parto dessa nova era".
Pensar novas possibilidades exige um descondicionamento em relação a antigas abordagens. Diante disso, o MinC está chamando para si a responsabilidade de renovar a discussão sobre os parâmetros que irão determinar como a cultura digital
irá se densenvolver no país. Em boa hora portanto, vemos um Ministro brasileiro temperar a discussão tecnológica (e de política de telecomunicações) com conceitos integradores, que recolocam a tecnologia como MEIO, e a comunicação como processo de efetivas ações de inclusão social. Portanto, todos à semana de software livre, que agora mudou de lugar e pode abrigar muita gente.
Postado por Unknown às 23:06 |
Marcadores: paz social, softaware livre, stallman
sábado, junho 21, 2003
Colaboração: A chave da era da informação é o éter do ambiente digital
A Microsoft se deu conta de que algo mudou no Brasil, e saiu correndo atrás do prejuízo. A notícia da diretriz para que 80% de todos os computadores do governo brasileiro rodem software livre (open source) explodiu há uma semana no Slashdot (e no LinuxToday), e gerou um baita thread sobre a eficiência da obrigatoriedade. Não há como negar o princípio ideológico subjacente à decisão, mas também há que se considerar as características específicas do momento de transição da era industrial para a era da informação, que demanda visão ampla e coragem para a implementação de estratégias definidas. Compras governamentais são ferramentas cruciais para implementação de políticas.
"O que faz o Linux diferente não é só o aspecto técnico. O Linux é um produto da era da informação, onde a construção do conhecimento é feita sobre o conhecimento anterior. Liberdade para modificar, criar, aumentar e diminuir. O linux é a ponta do Iceberg de um novo mundo. Nosso projeto quer provocar a catalisação das inteligências, de forma descentralizada. Através da integração e interatividade provocada pela internet. Propomos uma aprendizagem transversal, e de baixo para cima e para os lados. Comunidades desenvolvendo seus conteúdos. Pessoas recriando suas próprias vozes."
"Hernani Dimantas - Marcketing Hacker"
A atuação das corporações neste novo espaço parece comprometida. A implosão da "nova economia" trouxe uma nova consciência sobre as particularidades do ambiente digital. "Linux é a ponta do iceberg", mas traz em si o significado da colaboração como princípio fundamental do novo contrato - "Ecologia Digital".
"A bolha das dotcom foi causada em grande parte pela crença idiota de que o mecanismo de "branding" iria continuar funcionando tão bem na Era da Informação quanto o fez na Era Industrial que a precedeu. O Venture Capital estava enebriado por "branding" quando depositou bilhões de dólares em companhias sem nenhum valor mandando-as queimar a grana no mercado. Queimando dinheiro, os VCs pensaram, era a única forma de criar "valor de
marca" (brand value).Mas a Internet mudou o mundo completamente. Foi uma receita de asteróide a dinossauros. Mas ao invés de tirar proveito das novas condições criadas pelas rede, os VCs e seus beneficiários decidiram estimular a menos viável condição dos dinossauros: tamanho e dominância. Pior, pensaram que a Nova Economia significava o lado deles do mercado - que era uma questão de oferta e não de demanda. Então se tornaram obcecados com "desintermediação" e "cadeias de valor" mais curtas. Tomaram-se de luxúria pela preposição "to", e queimaram incontáveis bilhões de dólares em opções de empresas com um "2" no meio. Entretanto, os clientes se tornaram mais ariscos do que nunca. As escolhas continuaram a crescer ao ponto deles mesmos desenvolverem suas próprias "soluções" para todos os problemas que os fornecedores obcecados por "branding" falharam em solucionar.
Os tecnólogos estão na liderança deste movimento oferecendo, e escolhendo, mais coisas que simplesmente realizam o serviço melhor do que outras coisas - ou coisas que fazem o serviço tão bem e por menos dinheiro.
A bolha do "branding" está explodindo. Talvez, depois de tudo, o penguin vai merecer algum crédito"
"Doc Searls - Linux SuitWatch - June 19"
Postado por Unknown às 16:01 |
Marcadores: branding, colaboração, linux, microsoft
quarta-feira, junho 18, 2003
O que só a rede faz
- Um festival de rock sem jabá
Se
alguém não sabe o que é... (jabá).
Rolou semana passada lá no Tennesse, em uma localidade 1 hora ao sul
de Nashville, o Bonnaroo
- um festival de rock tendo o Grateful Dead
e Neil Young & Crazy Horse (foto)
como principais atrações, e mais um desfile de ótimas
trilhas em diversos estilos da música atual. O que a rede tem a ver
com isso? O fato é que os organizadores do evento venderam todos os 80.000
ingressos desta megaprodução
em apenas 18 dias, sem qualquer anúncio em rádio, tv ou jornal.
Logo no primeiro dia de vendas, com apenas um e-mail aos fã-clubes das
principais bandas, 12 mil ingressos já tinham ido. O movimento fez com
que os organizadores descartassem canais tradicionais de promoção
de eventos, tipo Tickemaster (o
aprendiz de vilão) ou Clear
Channel (o grande vilão).
O produtor, Ashley Capps, afirmou que já tinha ouvido sobre "a promessa
da Internet", mas que agora ele tinha tido a experiência direta e
concreta das possibilidades (ver
Nytimes).
E
por aí vamos alardeando o que um ambiente digital bem cuidado (Ecologia
Digital) pode proporcionar. A possibilidade de realizar um megaevento contando
apenas com o suporte da grande nação dos mochileiros, e tendo
como intermediários alguns fan-clubes de bandas, quebra o esquemão
que o jabá (payola)
proporciona à indústria da música em controlar o que as
pessoas ouvem e como a música deve evoluir. Isto tem MUITO significado.
Postado por Unknown às 12:50 |
terça-feira, junho 10, 2003
Internet X Big Mídia
- Quem sai ganhando com a desregulamentação sobre propriedade na mídia
Segunda-feira passada, dia 02 de junho, o FCC
(a Anatel dos EUA) votou
pelo relaxamento de regulamentações federais que restringiam
o número de veículos de mídia a serem possuídos
por uma corporação numa mesma localidade, e também liberou
a propriedade cruzada, que vem a ser a propriedade, pelo mesmo grupo, de diferentes
mídias.
O principal responsável pela introdução da mudança,
o chairman Michael
Powell, argumenta
que o fenômeno da web permitiria o florescimento da diversidade mesmo
que as corporações consolidassem seu controle sobre a TV e os
jornais. E garante
que o investimento necessário para a implementação da infra-estrutura
para as conexões de banda larga, que irá concretizar as potencialidades
das novas tecnologias, só acontecerá se o mercado de telecomunicações
for desregulamentado.
É um bom ponto de argumentação: é mais fácil
e barato hoje produzir arte e jornalismo, e a Internet provê aos criadores
potencial alcance global. Mas Gillmor
argumenta que a
decisão anterior do FCC deu às companhias regionais de telefonia
o poder de controlar o acesso a seus condutos de dados de alta velocidade. Há
portanto o risco concreto da implementação de tecnologias que
favoreçam o trânsito de "conteúdos proprietários",
criando os chamados "walled
gardens" (jardins murados).
O ambiente digital chiou
um bocado sobre a questão (Gillmor,
Lessig,
Werbach), formou-se um
movimento, e mais de 750 mil pessoas enviaram mensagens aos membros do FCC
para que votassem contra a desregulamentação (somente 11
mensagens de apoio). Entretanto, Doc
apresenta uma visão interessante analisando o atual resultado do embate
da Web com a indústria do rádio em seu atual estado de (grande)
concentração:
"O Napster e seus sucessores são o atalho tomado pelos ouvintes
para evitar a falida indústria do rádio, que substituiu conhecedores
de música dignos da confiança do público por robôs
movidos a jabá que atuam como máquinas a serviço das
fábricas de música pop da indústria fonográfica."
read
more...
Enquanto isso no Brasil, estudo
do Prof. Venício
Lima demonstra "o fortalecimento e consolidação das
Organizações Globo, mediante expansão horizontal, vertical
e cruzada da propriedade e a conservação do histórico domínio
do setor por reduzidos grupos familiares e elites políticas locais ou
regionais." Em entrevista
ao Observatório, destaca a venda da Telebrás no próximo
dia 29 de julho como marco final para a configuração da política
do setor. Fica a pergunta de Silvio Meira:
e se a
Telebrás voltar?
Continuaremos levantando as questões, e quem tiver alguma dica sobre
o assunto pode usar os comentários para ativar a conversa.
Postado por Unknown às 12:09 |
quinta-feira, junho 05, 2003
E quanto ao software livre...
- IV Fórum Internacional em Porto Alegre confirma a tendência do governo
Está acontecendo em Porto Alegre o IV
Fórum Internacional de Software Livre, e as notícias nos sites
independentes são sonoras:
- Governo
federal fecha acordo de certificação para distribuição
em software livre - Governo
Federal anuncia compromisso de implantação de softwares livres
em projetos sociais - Software
Livre é política pública para o Governo Federal
O discurso é
o mesmo da II Oficina
de Inclusão Digital, e até o
Serpro já aderiu - SL
dominará as diretrizes de governo em TI. Mas a big mídia parece
não estar muito interessada no assunto, a não ser na matéria
do IDG sobre o ComprasNet, cuja
transição para SL será anunciada no evento. E o atual governo
do RS indica estar no meio do caminho entre
a Microsoft e a tendência de vanguarda que
representa. No meio desta desinformação que interessa a muitos,
a Magnet está cobrindo
legal.
Enquanto isso, no Rio tem início o Mês
da Sociedade da Informação, que começa meio
assim (e também sem
nenhuma cobertura da big-mídia) creio eu também por causa
da situação
política do casal garotinho. Os atores principais desta primeira
semana são o ICA - Instituto
para a Conectividade das Américas, uma ONG canadense que apóia
projetos de inclusão digital no continente, juntamente com as ongs VivaRio,
RITS, CDI,
Parceiros Voluntários,
e ainda o apoio técnico da RNP. Meio
bairrista, mas pode dar caldo.
Espera-se que todos os projetos, idéias e diretrizes em gestação
se encontrem e possam encontrar espaço para conversar em algum lugar
na rede.
UPDATE: Software
Livre Brasil: "Vamos Tropicalizar a Digitalização"
- Marcelo
Branco
Postado por Unknown às 20:36 |
segunda-feira, junho 02, 2003
Uma visita ao reino da alienação
- Os efeitos de um rápido contato com o broacasting global
Em minha estratégia de evitar a televisão, como laboratório
pessoal da hipótese de que usando apenas a web como fonte de informação
estamos alterando alguns parâmetros de configuração de nosso
aparelho cognitivo, há muito não via esta
coisa chamada Fantástico. Foram apenas alguns instantes de exposição
à rede globo neste domingo à noite para ficar chocado com o absurdo
da nova campanha "anti-drogas", que
culpa os usuários de financiar o tráfico. É do mesmo
naipe daquela outra campanha absurda que saiu nos EUA que tentava estigmatizar
os usuários por serem os financiadores do terrorismo. Como pergunta
o NarcoNews, é
honesta uma estratégia direcionada a causar impacto numa sociedade fragilizada
pelo tema da violência?
"A questão das drogas é global e multidimensional.
Ela abrange temas igualmente complexos como tráfico de armas, desemprego
estrutural, falta de recursos na área de saúde e educação.
No entanto, o Estado prefere fazer vista grossa e tratar do tema de uma forma
mais simplista e burra. O governo de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo,
não destinou verbas para educação e conscientização
do problema das drogas mas somente para repressão ao usuário,
baseado em modelo dos Estados Unidos. Infelizmente, nosso presidente atual,
Lula da Silva, continua com tal programa .
O que é preciso então? A resposta não é simples
e requer um esforço maior do que o atual, pois a busca de prazer por
meio de substâncias que alteram nosso psiquismo encontra-se na raiz
da própria história da humanidade e a sua repressão não
tem adiantado muito.
Assim sendo, faz-se necessário investir numa cidadania mais ampla
e menos coercitiva. Pois é, no mínimo, estranho que se invista
tanto em repressão e menos em cultura e educação. Afinal
o que queremos? Indivíduos conscientes de suas decisões ou miquinhos
amestrados que se contentem com Prozacs e Viagras e não questionem
porque usam tais substâncias lícitas?
Leitores, vamos abrir nossos olhos para uma questão muito mais
complexa do que a mídia e o Estado nos faz crer que é. Além
de uma melhor definição do que é droga, o que precisamos
é construir um espaço onde o trabalho não seja alienante
e nem tudo seja apenas capital. Um projeto revolucionário, mais trabalhoso
e, certamente, mais honesto."
Campanha
Brasileira Espelha-se em Modelo Gringo e Culpa Usuários pela Violência
A Parceria Contra
Drogas é fiel a roteiro de Washington e ONG responsável
comprova ser uma grande farsa
Por Carola Mittrany
The Narco News Bulletin
30 de maio de 2003
Encerrando, aproveito para sugerir a todos este exercício de se abster
da tv, e tentar a Internet e suas várias ferramentas e serviços
gratuitos como fonte principal de informação e lazer. Muito interessante
os efeitos que começam a surgir logo nas primeiras semanas, uma sensação
de liberdade, de estar mais desplugado da cultura comercial e da estética
da mídia de massa. Entre inúmeras vantagens ficamos imunes às
mensagens emburrecedoras que se valem da assimetria da comunicação
broadcast para violentar o bom senso - como a desta
campanha idiota. Isto é Ecologia
Digital.
Na medida que vamos conhecendo o ambiente digital, mais e mais ferramentas
interessantes vão aparecendo. E por falar nisso, sugiro uma olhada no
Kartoo, uma máquina de meta-busca muito
charmosa - dica do Sílvio Meira.
Postado por Unknown às 16:49 |
sexta-feira, maio 30, 2003
Sem Tesão não há Inclusão: O foco da questão não é a tecnologia
Na primeira plenária do dia (ontem, 29), o simpático Rogerião Santanão esteve falando sobre e-gov frente a José Eisenberg, Prof. de Ciência Política do IUPERJ. Sua longa experiência à frente da Procergs, acompanhando a experiência gaúcha de software livre e também o desenvolvimento das práticas do orçamento participativo credenciam seu discurso. O fato de determinados serviços de governo estarem já internetizados (receita, eleições, bancos, geralmente tendo como retaguarda sistemas da esfera do controle), enquanto outros permanecem empacados frente ao emaranhado de sistemas que não conversam entre si revela o viés do E-gov, que até hoje desconsiderou a melhoria da qualidade de vida das populações de baixa renda. Santana: "até hoje não existe o cartão único de saúde".
Eisenberg apresentou dados de suas pesquisas sobre ação municipal de inclusão digital, e reforçou a visão de que os serviços preparados para serem disponibilizados não coincidem com aqueles que atingem o maior número de usuários: E-gov hoje não sintoniza com inclusão digital. Apresentou avaliação dos diferentes modelos institucionais das empresas de processamento de dados, comparando a Prodabel (Belo Horizonte, empresa pública), a Procergs (Porto Alegre, economia mista) e o ICI (Curitiba, organização social, resquício da Reforma Gerencial) - este último se mostrando mais ágil na captação de recursos, mas ao mesmo tempo menos trasparente e acessível ao controle social.
Nelson Pretto, que também coordena a Biblioteca Virtual de Educação à Distância, do Prossiga, seguiu com o painel avisando que "as redes não conectam espaços virgens" e reclamando da falta de representação do Ministério da Educação ao evento. Ao mesmo tempo em que denunciou a pedagogização da educação e a professoralidade instituída (professor precisa viajar), alertou para o perigo de se criar estruturas paralelas à escola, sugerindo que a Inclusão Digital seja mais abrangente, incluíndo o cidadão e a escola:
"A inclusão digital pode acontecer em um ciberparque localizado no meio do muro que liga a escola à rua, constituíndo um túnel de passagem, o espaço-tempo da produção cultural, onde poderiam se articular comunicação, educação, saúde, ciência, cidadania, tecnologia, etc. Não como algo à parte, mas integrando a formação do cidadão para a construção de uma nação à prova de futuro". Neste sentido convocou o terceiro setor à insistir na parceria com as escolas, e ao Ministério da Educação a se articular com as iniciativas de governo para integrar as ações de inclusão digital.
No fechamento desta blogada, Cláudio Prado ainda tentava, sem sucesso,
que sua frase tesuda fosse incluída no documento final da oficina: "Tucanaram
a inclusão".
Postado por Unknown às 16:54 |
Marcadores: Claudio Prado, educação 2.0, inclusão digital, MEC, minc, Nelson Pretto, política educacional, política pública, software livre
quinta-feira, maio 29, 2003
II Oficina de Inclusão Digital: O grito de guerra do software livre no planalto
A correria é grande, e portanto só agora alguma coisa sobre a II Oficina chega no blog. O primeiro dia (27) não correspondeu às expectativas. Cheguei atrasado e não vi a abertura, mas a ausência dos ministros previstos (Zé Dirceu e Guido Mantega) foi um ponto a se lamentar - o evento merecia maior respaldo do primeiro escalão. Vi a apresentação do Jorge Sampaio do Instituto Florestan Fernandes, que me pareceu legal, mas sem nenhuma sinergia com o representante do Programa Fome Zero. Ou seja, plenárias do primeiro dia passaram em branco. Os grupos de trabalho foram mais interessantes.
O que despertava a atenção hoje (28)* era o atrativo especial chamado Silvio Meira (CESAR / Porto Digital) (foto) que conhece como ninguém as peripécias da arte zen de se produzir software no Brasil, e estaria frente à frente com Sérgio Amadeu, homem forte da TIC governamental, numa conversa sobre Inclusão Digital e Software Livre.
A primeira palestra do dia já havia surpreendido pela presença de Nelson Simões, da RNP, que apresentou com clareza uma alternativa "à prova de futuro" de como pavimentar as vias que irão possibilitar todo e qualquer projeto de inclusão digital. A opção pela fibra ótica / rede ethernet, acrescida em flexibilidade pela possibilidade wi-fi na chamada "last mile" configura uma combinação eficiente, de baixo custo, e que estaria pronta para a demanda por novas aplicações a ser gerada nas pontas da rede. Muito interessante a ênfase do Neslon de que a rede não pode ser vista como um serviço, e sim como patrimônio a ser gerido pela comunidade usuária. Vale muito estudar a apresentação dele: Redes Comunitárias.
O Marcos Dantas do Min. das Comunicações, que debateu com o Nelson, falou de forma academica e ideologicamente interessante, mas não apresentou nada da posição do Minicom em termos de propostas de otimização de redes e acesso universal, o que seria esperado do representante ministerial. O FUST e suas indefinições alcançou consenso: merece levar um
"boot".
No público presente, boa representação do terceiro setor, das empresas e do governo, apesar da subrepresentação de alguns setores - no geral, grande evolução em relação à primeira oficina. Muito bom conhecer no concreto parceiros de conversas digitais de longo tempo. A turma do Projeto Metáfora, a quem eu já me conectava há algum tempo marcou boa presença (foto), assim como o pessoal do surpreendente Saúde e Alegria, do Sampa.org, continua...
(*) obs: Esta é a blogada de ontem, que não foi publicada porque o link da comunidade caiu por falta de pagamento (!) "Inclusão digital, quem paga a conta?" No caso, eu.
obs 2: o brother duende também está blogando sobre a Oficina lá no CTJovem.
Postado por Unknown às 17:10 |
Marcadores: governo, inclusão digital, rnp, software livre
quarta-feira, maio 21, 2003
Zé Dirceu: E-Gov = Inclusão Digital
- Chefe da Casa Civil une TI e Comunicação, agora TIC
Na semana que antecede a II
Oficina de Inclusão Digital em Brasília, o governo Lula parece
estar apresentando as ferramentas institucionais com que irá gerenciar
os setores de Tecnologia da Informação (TI) e Telecomunicações.
José Dirceu foi arrojado o bastante para sacramentar
uma nova sigla - TIC - Tecnologia da Informação e Comunicação
- que a partir de agora irá aglutinar muitas ações importantes
que andavam dispersas no meio burocrático brasiliense. "A Tecnologia
da Informação e Comunicação se vincula mais a temática
do desenvolvimento e do combate à pobreza do que ao mero debate sobre
soluções de informática", veja
a íntegra do discurso.
No último dia 14, na reunião
do Comitê Executivo do Governo Eletrônico, foram lançadas
as 8 Câmaras Técnicas
que irão propor políticas e coordenar a atuação
do governo em diferentes áreas. A Câmara de Implementação
do Software Livre ficará com o ITI
de Sérgio
Amadeu (ex-Egov da Prefeitura de SP), que parece ser o homem forte de Dirceu
para coordenar toda a estratégia. Boas sinalizações!
A SLTI,
de Rogério
Santana, na qual figura também o Rodrigo Assumção (Sampa.org),
coordenará as câmaras ligadas à infraestrutura "dura"
de processamento de dados do Governo: a de Integração de Sistemas,
a de Sistemas Legados e Licenças, a de Infra-Estrutura de Rede e a G2G.
A Câmara de Gestão de Sites e Serviços Online fica com a
Secom/PR, que no governo
passado não assumiu a tarefa, que já era sua, Deus sabe porquê.
Relações Exteriores ira gerir
a Câmara de Gestão de Conhecimento e Informação Estratégica
(?).
A coordenação da Câmara de Inclusão Digital ficou
sem definição, e tudo indica que a Oficina que começa no
próximo dia 27 será um forum importante para diagnosticar os atores
representativos deste contexto. Zé Dirceu afirma que "Governo
Eletrônico é sinônimo de Inclusão Digital",
e como a oficina tem o patrocínio do Sampa.org
e do RITS, além da SLTI
do Min do Planejamento, espera-se que a iniciativa possa trazer resultados
sérios - ao menos também aqui temos boas sinalizações.
Vamos estar acompanhando de perto as movimentações relativas
à Oficina, pois tudo indica que o evento repercutirá decisivamente
no ambiente digital nacional.
Postado por Unknown às 15:58 |
quinta-feira, maio 08, 2003
A TV Digital do B
- Discurso do Ministro traz boas novidades
O ministro das Comunicações, Miro Teixeira, foi ao Senado ontem
para anunciar a conclusão da minuta de decreto que criará o grupo
de estudo encarregado de analisar a viabilidade da TV digital brasileira. Anunciou
também o uso de tecnologia digital nas transmissões de rádio
em ondas médias (digital
AM standard - veja também: DRM:
"Why digital AM?")
o que pode ser revolucionário para o setor de radiodifusão. Mas
importante mesmo é a seguinte afirmação do Ministro, que
está hoje em matéria
do Valor (só para assinantes, agh#*):
"...o modelo de tecnologia imaginado pelo ministério não
está voltado para a TV em alta definição, mas para a
possibilidade de transformar os aparelhos de TV convencionais em instrumentos
para a "inclusão digital", com programas de computador desenvolvidos
no país."
Na mesma matéria, Miro cita a diretriz do MC
em pesquisar dentre as diversas tecnologias que compõem os subsistemas
da DTV, aquelas que são livres para o uso sem o pagamento de royalties.
Esta diretriz antenada com os princípios da Ecologia
Digital é um excelente input para a tarefa do grupo de trabalho constituído,
que é formado por 11 representantes do governo, do meio acadêmico
e do setor privado. O grupo terá também representantes dos ministérios
da Ciência e da Tecnologia, das Relações Exteriores e do
Desenvolvimento. Terão representantes também a Secretaria de Comunicação
de Governo e Gestão Estratégica, o BNDES, a Finep, e a fundação
CPqD. As universidades envolvidas terão um representante, e, pelo setor
privado, haverá dois integrantes, indicados pelos produtores de equipamento
e pelas emissoras de TV aberta.
Enquanto isso, na terra de Bush, a confusão ainda é grande em
relação ao prazo estabelecido pelo governo (veja "A
Paranóia de Hollywood") para que sejam cessadas nos EUA todas
as trasmissões analógicas até o ano de 2006 - desde que
pelo menos 85% do público americano tenha adquirido os receptores digitais.
A existência de inúmeros interesses aparentemente contraditórios
criou uma situação inusitada, onde todos os envolvidos acham que
irão perder algo.
Em
"Harry Potter
e os Prisioneiros da Transição para a TV Digital -
Uma aventura em política de telecomunicações",
por Mike Godwin da Public
Knowledge, publicado em Ecologia
Digital, temos uma interessante análise do quadro atual da questão
nos EUA, e algumas propostas mágicas de solução. A briga
entre os setores envolvidos no negócio é grande, e a análise
de cenário pode ser muito proveitosa para quem acompanha e influencia
o processo brasileiro, agora acompanhado de saudável ideologia.
Havemos de cuidar para que clichês políticos jurássicos
não coloquem o projeto da DTV do B na via do atraso, nos moldes das já
conhecidas "reservas de mercado", e sim na vanguarda da concepção
libertária da rede e seus protocolos abertos.
Postado por Unknown às 10:46 |
terça-feira, abril 15, 2003
Exclusão Digital na pauta
- Várias matérias e artigos destacam pesquisa da FGV/CDI
Fotografar a inclusão digital exige uma câmera com lentes
focadas num horizonte pertinente. (leia
mais)
A frase é do coordenador do programa "Cidade
do Conhecimento", Gilson
Schwartz, em artigo
disponibilizado pelo Jornal
da Ciência, da SBPC, e vem
fazer coro com o
que apresentou o novo Secretário de Logística e Tecnologia
da Informação do Min. do Planejamento, enfatizando o aspecto não-tecnológico
da questão.
Na semana passada vários artigos (folha,
estadão,
gazeta,
bol)
surgiram na mídia provocados pela publicação do Mapa
da Exclusão Digital, elaborado pelo CPS
da FGV sob a coordenação do CDI
e com apoio da Sun Systems e da USAID.
Entre outras frases fortes, o estudo afirma que cerca de 1
milhão de pessoas são beneficiadas por trimestre pela inclusão
digital no Brasil.
Partindo dos números apresentados em que 12,46% dos brasileiros têm
computador em casa, e 8,31% estão conectados à internet, a iniciativa
CDI/FGV registra a evolução da inclusão digital em termos
de parque tecnológico instalado, o que pode mascarar o fato de que "há
desafios tecnológicos que estão muito além do número
de máquinas instaladas em lares, escritórios ou telecentros"
(Schwartz).
"Parece apenas mais um dado 'inocente', mas valorizar esse indicador significa
contrabandear um modelo de sociedade da informação talvez relevante
nos EUA, mas inviável no Brasil."
Entretanto,
o que vale é o que cada um pode realizar rumo a este desafio que
é superar o abismo digital, e neste sentido venho divulgar a atuação
da AOPA -
Associação Olhos D´Água de Proteção
Ambiental, ong gerida por integrantes da comunidade
onde moro e da qual sou membro do Conselho Curador. A AOPA, sob a batuta
do Alexandre Lins, foi responsável
pela fundação do primeiro
EIC na localidade do Varjão, comunidade localizada no Lago
Norte em Brasília. Este projeto em parceria com o CDI funciona com procedimentos
pré-determinados, e hoje já tem uma dinâmica de funcionamento
próprio.
Animado
mesmo é o espaço da sede da AOPA, que hoje abriga um embrião
de telecentro em projeto parceiro com a Comunitas,
o qual tem gerado iniciativas conjuntas muito interessantes com a turma da Comunicação
da UnB e que está se encaminhando para a instalação
de uma rádio comunitária,
além de fomentar a produção cultural local para publicação
na web. Trabalhar pela superação da exclusão digital é
extremamente recompensador e divertido - vale à pena experimentar, e
não faltam vagas para monitores interessados.
Postado por Unknown às 19:29 |
quarta-feira, abril 09, 2003
TI governamental diz a que veio
- Rogério Santanna no eventão do Serpro
Saí
correndo hoje de manhã lá para o BlueTree,
do lado do Alvorada, para acompanhar a palestra do novo titular da Secretaria
de Logística e Tecnologia da Informação - SLTI do Ministério
do Planejamento, Rogério
Santanna, na Mostra
de Soluções em Tecnologia da Informação Aplicadas
ao Setor Público.
Quem é do ramo sabe que este cargo é chave na determinação
de diretrizes para a atuação do governo como um todo em termos
de TI, e eu mesmo vinha há algum tempo querendo descobrir qual o apito
que toca o novo Secretário. Tinha informações sobre sua
atuação nas empresas estaduais do Rio Grande do Sul, o que já
eram boas credenciais, e aproveitando a oportunidade vou blogar sobre a apresentação
dele, que me pareceu muito boa.
Ao
iniciar falando sobre o "apartheid digital", do abismo entre os que
participam da sociedade da informação e os que não tem
acesso a nenhuma infraestrutura - os info-ricos X os info-pobres, antecipou
a tonalidade social de toda a exposição. Muito interessante, e
supreendente, a ênfase dada pelo novo secretário ao aspecto não-tecnológico
dos projetos de inclusão digital. Demonstra que Rogério Santanna
conhece o que está falando, e que as iniciativas da SLTI poderão
finalmente se integrar com os movimentos de inclusão digital já
desenvolvidos pelo terceiro setor e pelas universidades. Só isto já
valeu a manhã!
Ao apresentar as iniciativas de sucesso do governo passado, à principio
Santanna estava meio tímido, mas há que se conceder que o ComprasNet,
que tem hoje 17 países interessados em implementar, o ReceitaNet,
e o sistema
de voto eletrônico são exemplos de sucesso. Já não
se pode ser tão efusivo com relação às iniciativas
de E-gov na Internet (e porque existe
este?; e pra que serve este?),
pois faltou conhecimento de causa na formulação das diretrizes,
e muito pouca habilidade na integração dos programas mesmo no
raio próximo da Esplanada dos Ministérios e da Praça dos
Três Poderes (tudo pertinho!). Santanna comentou sua estranheza com o
fato de não haver nenhuma rede de fibra ótica do goerno interligando
os prédios na eplanada (!?). Só a Remav,
da antiga Telebrasília.
Em seguida abordou também a questão do compartilhamento racional
da infraestrutura de redes, o que deve assustar as telecons. Mencionou a necessidade
de independência com relação a esquemas monopolistas / proprietários
no fornecimento de sistemas, o que implica diretamente na questão do
software livre, e colocou como desafio a integração do E-gov com
estados e municípios. Chegou a mencionar o papel importante das empresas
estaduais de processamento de dados neste processo, através do forum
que é a ABEP. Como conhecedor
do ramo, afirmou também que estas empresas precisam passar por uma grande
reformulação em termos de gestão.
Como desafio futuro mencionou a implantação de uma politica de
gestão de sistemas legados, destacando que este aspecto da gestão
de TI mobiliza manobras gigantescas na estrutura dos órgãos governamentais,
e portanto deve operar de acordo com diretrizes gerais que promovam a integração
dos sistemas em nível amplo e o manejo racional dos recursos de TI.
A proposta de implementação do ComprasNet a nível nacional,
de forma a permitir uma política de fomento setorial às micro,
pequenas e médias empresas, ou ainda àquelas que investem em inovação,
através de diretrizes específicas para as compras governamentais
também me pareceu um projeto de primeira. É uma herança
positiva do trabalho realizado no governo passado.
Entre
uma e outra frase interessante, Rogério Santanna mandou lá que
"nenhum processador pode estar sendo desperdiçado no Brasil",
uma boa frase de efeito para o MetaReciclagem.
Deixou claro que o próximo passo do governo em termos de inclusão
digitral será a "Segunda Oficina de Inclusão Digital"
que deve acontecer neste mesmo BlueTree no mês que vem. Este será
o forum onde os vários parceiros desta obra poderão se conhecer,
e de acordo com o posicionamento do novo SLTI do MP (código de siglas
típico de Brasília...), terceiro setor e universidades são
presença fundamental.
Saindo do recinto da Conferência, lá estamos cercados de logomarcas
e gatas em grande estilo - é o bombardeamento dos sentidos. O pessoal
do Serpro realmente caprichou no lanche, mas contamos com o bom discernimento
do novo Secretário para que marcas menos hegemônicas e menos fisiológicas
possam ter a chance de mostrar serviço ao novo governo.
Postado por Unknown às 15:27 |
terça-feira, abril 08, 2003
A rede em tempos de guerra
A questão da Akamai não
querer hospedar a versão em inglês
do site da Al Jazeera (como reportou
o NYTimes) mostra um grave sinal de politização
da infraestrutura da rede. Um artigo
de John Lettice no The Register
comenta que a atuação da tv Al Jazeera por satélite é
uma garantia contra tal censura, e pensar no que implicaria uma autonomia análoga
no âmbito da comunicação via web pode nos levar à
conclusão de que a liberdade de expressão na rede é muito
menor do que imaginávamos.
Enquanto isso, a Wired
mostra que o blog independente de informações de guerra que
vinha tendo um dos melhores desempenhos em termos de visitação,
o The Agonist, acaba de ser desmascarado
por plagiar descaradamente dados de um serviço de informações
pago baseado no Texas, o Stratfor.
Aqui o autor pede
desculpas pelo plágio. Aos que pretendam usar o fato para atacar
a credibilidade da blogosfera em relação à big mídia,
lembramos que o The Agonist foi louvado
pelo NYTimes para depois ser desmascarado por outro
blogueiro.
Postado por Unknown às 18:46 |