... em busca de novas iluminações nos conceitos da Ecologia Digital.
Henri Bergson (filósofo
francês falecido em 1941) escreveu:
"A consciência parece ser proporcional ao poder de escolha
do ser vivo. Ilumina a zona de potencialidades que envolve o ato e preenche
o intervalo entre o que é feito e o que poderia ser realizado"
Roy Ascott observa (in
"Turning on Technology"):
"Para Bergson, admirado por sua reafirmação do fluxo
de Heráclito
(fisósofo pré-socrático), faltou apenas conhecer a dinâmica
de nossa "networked hypermedia" (Internet) para completar o seu
modelo da mente. Os ritmos cognitivos, os saltos e mergulhos, os hiperlinks,
criando túneis de mente para mente, imagem para som, som para texto,
partindo de locações reais para lugares virtuais, de pessoas
nas ruas para identidades no ciberespaço - tudo isso caracteriza os
desejos e ambições dos artistas capturados nesta dança
tecno-sedutora da mente."
Este Roy Ascott, que muito antes do e-mail e da Internet já era famoso
por propor o "abraço telemático" (Telematic
Embrace), esteve por aqui como mentor do "Invenção",
evento patrocinado pelo ItaúCultural
em agosto de 99, onde deixou o seguinte recado:
"Para Roy Ascott a arte dos próximos 30 anos será a
arte da consciência. Mas uma consciência dupla, uma mente aberta
à ciberpercepção. Ascott usa o termo technoetic, que
significa consciência + tecnologia. Ele engloba o antigo e o moderno,
o espiritual e o artificial, o cósmico e o cultural. O corpo humano
e os seres artificiais passam a ter um habitat em comum. É o desenvolvimento
pós biológico. Uma troca entre o humano e o eletrônico,
a moistmedia (mídia úmida). "
(Plugado, molhado
e úmido: arte na beira da Net)
Mas o que chamou mesmo a atenção é que o tal Roy Ascott,
diretor do CAiiA-STAR (trabalho colaborativo
em artes interativas), está propondo em suas últimas palestras
o surgimento de uma nova cultura planetária tecnoética, baseada
em 3 "V-Realidades": a Validadal, a Virtual, e a Vegetal.
"Nosso foco é Arte, a tecnologia e a consciência, de
onde uma cultura planetária tecnoética poderia emergir baseada
em 3 RVs: Realidade Validada: abrangendo a tecnologia mecânica
em um prosaico mundo Newtoniano; Realidade Virtual: abrangendo tecnologia
digital e interativa em um mundo de imersão telemática; Realidade
Vegetal: abrandendo a tecnologia das plantas psicoativas em um mundo espiritual
enteogênico. Para essa finalidade, são necessárias pesquisas
transdisciplinares e colaborativas para que ferramentas de aprendizado e produtividade
inteiramente novas possam surgir. Em nossa busca de um paradigma interativo,
CAiiA-STAR e o Planetary
Collegium são as respostas iniciais para esta necessidade."
(Planetary Technoetics:
art, technology and consciousness.)
Muito interessante...


