Segunda-feira, Agosto 19, 2002

Mergulhando no mundo Blog
Estaremos diante do jornalismo do futuro? Tem gente apostando que sim...



Por algum tempo desdenhei a ferramenta blog, que a começar pelo nome,
me passava a impressão de algo pouco produtivo, ou de significado limitado.
Confesso que a primeira vez que o termo blog me chamou a atenção
foi em março último, no anúncio da aposta
de 1 milhão de dólares
que Dave
Winer
(Scripting News), CEO da Userland.com,
fez com Martin
Nisenholtz
, CEO do NYTimes
Digital
. O desafio será decidido em 2007, tendo como critério
cinco buscas a serem realizadas no Google - se um blog figurar na frente do
NYTimes.com na lista de resultados em três ou mais buscas, Winer vence.
Em caso contrário, ou na hipótese das empresas de mídia
se apropriarem do formato blog para publicar seu próprio conteúdo,
e um blog no NYTimes figurar no topo das pesquisas em 2007, Nisenholtz vence.
Esta e outras apostas "visionárias"
podem ser acompanhadas no site LongBets.com.


Dave Winer
e a comunidade blog apostam que, no prazo de 5 anos, pessoas bem conectadas e
informadas passarão a buscar análises confiáveis em blogs.
Isto se daria como resultado da incapacidade da mídia tradicional em especializar
seus reduzidos quadros de redatores e editores no acompanhamento do amplo espectro
de assuntos circulando na rede. Ainda segundo esta visão, a web acostuma
seus usuários a esperar "sempre mais", e o sucesso dos blogs
é condicionado pela incapacidade da mídia tradicional em disponibilizar,
sob variados ângulos e na agilidade necessária, a sempre crescente
diversidade multi-dimensional dos temas. De fato, a independência, transparência
e agilidade editorial dos bloggeiros pode realmente significar um golpe no vigente
paradigma dos grandes veículos de mídia na rede. No entanto, nada
impede que as grande corporações assimilem o formato e o adaptem
favoravelmente para seu próprio uso - o que, se for realizado com êxito,
significa vitória para o NYTimes na aposta a ser conferida em 2007. Como
exemplo, o jornal britânico Guardian
já disponibiliza seu próprio weblog.

Mas,
independentemente da disputa que me chamou a atenção, o fato é
que ao fim de poucas horas de pesquisa me rendi completamente ao fenômeno
e estou encantado com as possibilidades desse novo formato de mídia. Também
saltam aos olhos, num primeiro momento, as formas de interatividade que estão
sendo propostas pela comunidade engajada com o objetivo de conferir visibilidade
aos blogs que surgem em profusão. Para não ficar olhando a festa
do lado de fora, fui direto ao Blogger,
referenciado como o melhor serviço de hospedagem de blogs na rede. Alguns
momentos depois já estava devidamente "iniciado" - o feliz proprietário
de um blog novinho em folha.

Com alguns cliques configurei meu novo endereço,
incluíndo comentários e estatística de visitação.
Uma rápida olhada no Google me deu a dica de blogs relacionados ao tema
que escolhi, aonde pude colher referências interessantes para ajustar minha
idéia inicial às especificidades do formato. O estilo e a temática
dos blogs de Doc Seals (um dos autores do
Manifesto Cluetrain - veja
entrevista em português
) e de David Weinberger (JOHO),
dois grandes ativistas do meio ambiente digital, serviram como ponto de partida.
O acompanhamento de diretórios como o Blogging
Ecosystem
me permitiu sentir o "clima" do que está rolando
no meio bloggeiro mundial, e em termos nacionais não posso deixar de citar
o simpático InternETC. da Cora Rónai
como ótima fonte de inspiração.

Uma vez publicado,
o blog carece de um item importantíssimo - visibilidade - , e é
exatamente neste quesito que a comunidade blog apresenta as idéias mais
criativas. Para começar, cada blog dispobiliza o seu "blogrolodex",
ou listas que indicam as recomendações do autor, e linkar outros
blogs nos próprios textos disponinilizados também é prática
usual, fazendo do universo bloggeiro uma grande corrente. Mas o marketing dos
blogs não para por aí: vasculhando nas ferramentas de divulgação
deparei com o BlogTree, um serviço
gratuito aonde você pode registrar os "pais" conceituais do seu
blog. E então, ganhei inúmeros
irmãos
(filhos dos mesmos blogs que registrei como pais). Ao testemunhar
no universo blog tamanha dinâmica e apelo aos nossos instintos editoriais,
percebo que minha aventura na área está apenas começando
...