Na rede
domingo, setembro 27, 2009
Douglas Rushkoff apresenta 'Life Inc'
Postado por Unknown às 12:04 |
Marcadores: culturadigitalbr, openness
terça-feira, junho 30, 2009
Yochai Benkler na Open Video Conference em NY - Imperdível
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"O video na web não pode se tornar uma simples 'TV na Internet', ou um super sistema de vídeo on-demand. Para que o potencial da linguagem audiovisual possa se realizar plenamente, o video online tem que se transformar em uma mídia dinâmica, que convida os usuários a realizar recortes, arquivamentos, remixes, colagens, reedições, paródias e outros processos de transformação que hoje são inibidos por marcos regulatórios ou pela ausência de ferramentas apropriadas.
Como mídia, o video online será mais poderoso quando se tornar fluido, como uma conversa. Assim como o restante da Internet, o video online tem que ser implementado para encorajar a participação, e não o consumo passivo. É crucial que o video online seja apoiado por uma sólida fundamentação baseada em tecnologias e padrões abertos."
Postado por Unknown às 16:11 |
Marcadores: culturadigitalbr, open video, openness, yochai benkler
terça-feira, maio 20, 2008
Conferência de James Boyle, o pai da Ecologia Digital, no evento europeu do Google

James Boyle, o pai da Ecologia Digital, realizou uma conferência no EuroZeitgeist08 do Google, e foi brilhante como sempre. Entre o material distribuído para os participantes do evento -- gente de alto calibre entre empresários, acadêmicos, artistas e representates de governos (o ministro Gil lá estava) -- figurava o 'comic book' de sua autoria, 'Bound by Law?' (ao lado), que apresenta o tema da necessidade de revisão conceitual das leis de copyright na era da informação para novos públicos.
Em sua apresentação, Boyle falou basicamente de dois aspectos sutis que em geral não são percebidos quando tratamos da revisão dos marcos regulatórios ligados aos direitos autorais:
(1) Somos extremamente incompetentes em compreender 'openness' -- nem ao menos temos uma palavra específica em português, pois 'abertura' não traduz o sendido, talvez 'aberturidade' ; somos muito ruins em prever como irão funcionar e quais serão os resultados de sistemas abertos e distribuídos, particularmente as experiências online; e somos péssimos na compreensão das virtudes da criatividade distribuída, como no caso dos coletivos que trabalham em novos contextos de trabalho colaborativo conectado e não hierarquizados. Por outro lado, somos extremamente competentes em detectar os perigos criados pela abertura ('openness').
Boyle menciona a natural 'aversão à riscos' da humanidade e argumenta que, se durante o desenvolvimento da Internet estivéssemos avaliando, decidindo e regulando sobre como a rede deveria ser, para o nosso total prejuízo jamais teríamos o ambiente digital do qual desfrutamos hoje. Ele está certo.
"- então quer dizer que a lei de copyright não é somente uma forma de trancafiar os conteúdos?- de forma alguma. o copyright também proteje os direitos dos usuários e futuros criadores. para
encorajar a criatividade, o marco legal do copyright deve atingir um equilíbrio delicado."
(2) Nos últimos 20 anos os seres humanos vêm se tornando objeto (e sujeito) das leis de copyright, de uma forma que nunca havia acontecido antes. As pessoas comuns, interagindo com conteúdos, nunca antes estiveram em posição de cometer atos pelos quais pudessem ser punidas pelas leis de copyright, da forma como empresas e piratas sempre estiveram. As diferenças de escala criavam distinções naturais entre personalidades físicas e jurídicas.
As leis de copyright sempre foram regulações intra-industriais, regulando horizontalmente as relações entre os proprietários de infra-estruturas de broadcast, impressoras de grande escala, e estúdios de cinema. Ou seja, redes de produção e distribuição altamente capitalizadas, cujos interesses precisaram ser acomodados e regulados. Também a proteção aos criadores e autores em sua relação com esta indústria, compôs o quadro para a construção do marco regulatório que temos hoje.
Nos dias de hoje, não passamos nenhum dia sem copiar e distribuir em escalas variáveis, ou seja, estamos sempre realizando todas estas coisas que as leis de copyright nos dizem que não podemos fazer. Temos que admitir qua a vida moderna seria impossível se estívessemos cumprindo todas estas leis à risca.
A combinação destes dois temas traz implicações para os debates que precisamos ter, em particular na questão de como devemos pensar sobre as novas perspectivas trazidas pelo mundo online, e como tudo isto transforma o ambiente para distribuição, criação e incentivo à cultura.
Boyle, no final de sua apresentação, alerta para o risco de retrocesso que corremos enquanto cultura em função de nossa aversão à abertura ('openness'), nossa agorafobia. Pelo fato de enxergarmos muito melhor os riscos do que as possibilidades, podemos chegar ao ponto em que estejamos limitados nas funções que podemos utilizar em nossos aparelhos de conexão à rede.
Vale à pena conferir a palestra...
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Em 2008: redes sociais abertas para todos
Muito se tem falado do choque de gerações que está acontecendo, entre a galera que está entrando no mercado de trabalho tendo convivido intimamente com a Internet e explorado as possibilidades das redes sociais durante toda a adolescência, e a turma mais velha, os que ainda se escandalizam com a "despudorada" exposição que enxergam nos perfis de seus filhos no orkut.
Tenho lidado com a capacitação para o uso corporativo das ferramentas web, e portanto venho observando o fenômeno. O resultado prático é que, hoje, fica muito mais fácil contratar uns 'meninos' para as funções que precisam ser desempenhadas do que 'convencer' os mais velhos a se apropriarem das ferramentas de comunicação e colaboração disponíveis. A solução têm sido juntar um especialista experiente (curador) com um 'blogueiro', um 'menino' que saiba publicar e fazer uso das redes sociais e das múltiplas possibilidades de comunicação em tempo real. É bom frisar que estes desta galerinha se apresentam não só familiarizados com a tecnologia, mas também dispondo de uma habilidade de composição editorial multimídia 'em tempo real' que torna-se um diferencial.
Hoje li um artigo -- 'The Rediscovery of Discretion', na ótima edição da Economist (The World in 2008) -- que me chamou a atenção. Entre as previsões para o próximo ano está a aproximação desta turma dos mais velhos às possibilidades das redes sociais, e o autor afirma que isto será fruto de evoluções na tecnologia. Alguns trechos me pareceram bem interessantes:
Durante os primeiros 200 milênios das espécies, as redes sociais humanas permaneceram tecnologicamente estáveis. As pessoas se sentavam em círculo em torno a fogueiras, contavam estórias e cultivavam relações. A literatura e as cartas, e mais tarde o telefone, ajudaram a extender esta possibilidade à distância. Mas a questão mais complicada sempre foi encontrar o equilíbrio certo entre divulgar de mais ou de menos à rede, e entre ser demasiado arrojado ou tímido na busca de novas amizades, parcerias e alianças.No final do artigo o autor menciona o Ning como um exemplo destes kits de ferramentas, e nós poderíamos falar também que a iniciativa Open Social do Google vai na mesma direção, e talvez mencionar o artigo no GigaOm que fala das possibilidades do Wordpress como plataforma para redes sociais. Ou seja, várias indicações de um movimento forte na direção das plataformas abertas 'centradas-na-pessoa', customizáveis para atender às perspectivas particulares de como interagir na rede e passíves de se conectar de variadas formas a outras redes e plataformas.
Então, durante a primeira década do século 21, a internet pareceu resolver temporariamente esta dificuldade ao gerar as várias redes sociais online -- trazendo nomes como MySpace e Facebook -- que tiveram forte apelo junto às psiques frágeis de uma geração, denominada "Y", e deixaram a geração precedente, chamada "X", perplexa e horrorizada.
O que atraiu os "Y"s foi a trementa escalabilidade do meio (promovendo enormes ganhos de eficiência na busca de relacionamentos amorosos), sua vocação para a propaganda pessoal (com fotos 'selvagens' para, digamos, anunciar popularidade), e acima de tudo, a suspensão temporária das dificuldades que surgem no trato das relações sociais na vida real. Os velhos escrúpulos em questões de discreção pareceram tecnologicamente obsoletos. Entretanto, foi exatamente o uso relaxado destas 'funcionalidades' pelos "Y"s que deixaram os "X"s perplexos, e depois horrorizados, ao aterrisarem nestas redes no papel de 'pais e/ou responsáveis' realizando jornadas inquisidoras...
... Isto vai mudar em 2008, na medida em que a tecnologia das redes sociais se adapte à natureza humana, ao invés de forçar a natureza humana a se adaptar à tecnologia. Os líderes da indústria em 2007 foram estes antiquados 'walled gardens' (jardins murados). Eles surgiram com templates genéricos, com os aspectos sociais cruciais -- qual informação fornecer em um perfil, etc. -- pre-determinados por programadores. Sim, eles permitiram que os usuários customizasem suas páginas iniciais, mas isto já era possível nos 'walled gardens' do início dos anos 90, em serviços online como AOL ou Compuserve.
Estes serviços fechados faliram e deram espaço, após a revolução do Netscape e seus emuladores, à Web aberta e polivalente. A mesma coisa irá acontecer em 2008 no mundo das redes sociais. No lugar dos 'jardim murados' para incapacitados, irão surgir kits de ferramentas abertas que permitirão a qualquer um, com alguns poucos e simples clicks, criar sua própria rede social, que será uma extensão das relações existentes na vida real.
Troque seu Orkut por um Blog
Neste clima de otimismo para o próximo ano, e buscando traduzir estas tendências globais em uma mensagem pertinente para o público local, só posso relembrar a campanha lançada pelo meu amigo Roberto Taddei em abril de 2006, e que a cada dia se torna mais atual.
- Pelo uso inteligente do tempo online.
- Pela (re)afirmação da cultura.
- Pela interatividade real.
- Pela inteligência colaborativa.
- Pela conquista do espaço virtual aberto e livre.
- Pela manutenção e recriação do português.
- Pelo não ao voyeurismo tímido.
- Pela cara a tapa.
- Pela contribuição milionária de todos os pontos de vista.
- Pelo mundo ao contrário.
- Participe você também da campanha “Troque seu orkut por um blog”.

Postado por Unknown às 10:48 |
Marcadores: open social, openness, redes, redes sociais
terça-feira, novembro 06, 2007
Open Google. Será?

Voltando rapidamente a este blog deveras abandonado, tenho que atualizar os poucos insistentes leitores nas novidades da última semana, que causaram 'marolas significativas' no ambiente digital. Duas delas paridas pelo gigante Google: o lançamento da plataforma 'Open Social', onde o 'conceito é ter um único padrão de produzir programas e extensões para várias redes sociais'; e o anúncio da 'Open Handset Alliance' powered by 'Android': uma plataforma open source de desenvolvimento para celulares baseada na licença Apache 2, OS Linux, e linguagem Java, e que já conta com Motorola, NTT DoCoMo e Telecom Italia entre os 30 parceiros iniciais.
O timing desta avalanche mercadológica do Google baseada no conceito 'open' até parece ser uma reação desproporcional ao sucesso do Facebook, e para os desenvolvedores será necessário aguardar um pouco mais para descobrir o real valor das iniciativas. Ao mesmo tempo em que é interessante ver o conceito 'open' ser promovido pelo maior player da rede, cada vez mais temos a impressão de que o Google se abre com o único objetivo de engolir-nos a todos em seu gigantesco silo colorido.
De fato, alguns comentaristas destacam que o gigante da web promove o conceito 'open' somente quando conveniente, e geralmente em setores nos quais se encontra em desvantagem competitiva. No âmbito das máquinas de busca por exemplo, onde o reinado do Google se baseia em sua capacidade aparentemente infinita de escalar seu index de conteúdos da web, porque não lançar uma 'Open Index Alliance'?
Aposto 1 contra 100 como esta iniciativa não vai partir do Google. Entretanto, vale à pena acompanhar o projeto de 'open search' que surgiu do encontro de Jeremie Miller , o pai do Jabber e do protocolo XMPP, com Jimmy 'Wikipedia' Wales e seu novo projeto comunitário, o Wikia. O Wikia Search pretende tornar a busca uma parte da infraestrutura da web baseada no protocolo aberto Atlas: ao invés de um sistema monolítico (o silo Google), uma ação integrada de várias entidades independentes que irão desempenhar diferentes papéis, tornando a busca na rede o resultado de uma infraestrutura global totalmente distribuída e interoperável. Sobre este assunto, vale explorar o conceito de 'Economia do Significado' ('The Meaning Economy') desenvolvido pelo Jeremie Miller em seu blog:
O futuro da busca está na cooperação (e competição) abertas baseada na 'Economia do Significado' - criar significados, negociar significados, servir significados. Minha visão se inicia com um protocolo aberto, que permita a redes independentes que realizam funções de busca (pesquisa, indexação, ranking, hospedagem, etc) compartilhar e interoperar. Todas as relações entre estas redes são sempre absolutamente transparentes e abertamente publicadas. Redes trocam conhecimento entre si, cada uma adicionando novos significados à informação, cada uma delas responsável pelas reputações de seus participantes e pares. Este é o verdadeiro fundamento da 'Economia do Significado'. O 'amanhã' tem um significado que todos nós podemos ajudar a construir.Outra área na qual o Google não demonstra qualquer abertura é em sua estratégia de digitalização e disponibilização do conteúdo de bibliotecas (Book Search). Em contraste com as iniciativas da Open Content Alliance, que promete acesso público irrestrito ao conteúdo e informações digitalizados, a empresa que costumava se gabar de 'não ser do mal' ('Google is not evil') parece tentar se colocar como o único lugar na rede onde tais conteúdos podem ser encontrados -- a única biblioteca, o único acesso. Brewster Khale, do Internet Archive, alerta que a possibilidade do controle sobre a biblioteca do conhecimento humano por parte de uma só empresa pode se tornar um pesadelo.
The Meaning Economy - Temporally Relevant
Querem outra dimensão absolutamente opaca do Google? Os programas AdWords e AdSense -- sua galinha dos ovos de ouro. Concordo com o argumento de que a empresa não tem nenhuma obrigação de compartilhar seus segredos estratégicos, mas a falta de transparência destes serviços são credenciais negativas para qualquer aspirante à promotor da tendência 'open' na rede. Afinal, o custo de um 'adword' pode variar muito de acordo com o misterioso 'score de qualidade', e um simples ajuste no algoritmo pode fazer com que estratégias de AdWords que funcionaram por anos se transformem subitamente em totais fracassos.
Também o AdSense está longe de ser um mercado aberto ('open') onde veículos podem definir o seu preço para expor anúncios em suas páginas, e ao mesmo tempo acompanhar quantos anunciantes estão interessados em pagar pelo serviço. Enquanto ficamos todos a especular sobre volumes e valores, só Deus sabe a parte que cabe ao Google nesta equação. O fato do valor da ação da empresa bater a casa dos 700 dólares nos últimos dias tem o efeito de tornar nossas adivinhações sobre o tema em fantasias estratosféricas. Seria o Google a nova Microsoft?
Em síntese, não há como negar a importância do Google para o movimento Open Source. A empresa não nega em momento algum que a base de seu sucesso é a plataforma Linux, e recentemente se juntou à 'Open Invention Network', uma inovadora organização para compartilhamento de patentes criada com o objetivo de fomentar um ambiente legalmente protegido para todos aqueles que utilizam Linux.
Também não podemos esquecer iniciativas como o Summer of Code, ou o apoio a eventos como o Ubuntu Developer Summit e o Linux Foundation Innovation Summit. Mas é importante perceber que as principais iniciativas 'open' do Google acontecem porque configuram-se como boas opções para os negócios da empresa, e não porque obedecem a qualquer princípio institucional ou filosófico. Que acham vocês?
Postado por Unknown às 11:11 |
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