Na rede

terça-feira, março 25, 2003

Se o tirano quer guerra...
Alimento para o pensamento


"Noite
passada conversei com uma cara bem legal, o Hernani
Dimantas
, do Projeto Metáfora,
e após tentar nos comunicar em Português e inglês, ficamos
com o espanhol. Ele falou-me de grandes planos de levar computadores e a tecnologia
da internet para as Massas. Discuti com ele que a enfâse era contrária.
Mais importante que levar a tecnologia às Massas – o que me cheira
um pouco a caridade o que pode perigosamente levar a condensação
de um pensamento e ação colonial – é meu ponto
de vista que as Massas devem ter de volta o controle da tecnologia. Não
quero levar a tecnologia para as Massas. Quero seguir as Massas para reconstruir
a tecnologia. Esse ponto pode parecer uma pequeno problema de semântica
mas acho que faz toda a diferença do mundo.


Sou um ludita não muito comum; um dos primeiros a lutar pela liberdade
de imprensa na Internet que odeia a Internet! Trabalho na Internet. Desconfio
da Internet. A Internet é um mundo de vigilância total. Sou o
editor chefe de um jornal online tri-lingue que recebe dois milhões
de visitas por mês: narconews.com
(é um pontocom ainda que não seja comercial, e não um
pontoorg como está no programa do Mídia Tática; o Narco
News não é uma “organização”, operamos
mais sobre o conceito de Deleuze e Guattari; “máquina de guerra
fora do Estado”).


Convido-lhes a visitar o Narconews.com
na Internet – agora publicamos em português
também, em adição ao inglês
e ao espanhol
e a participar nessa máquina de guerra; a participar nessa guerra,
porque estamos em guerra, um tipo de guerra civil internacional, um conflito
armado – armado com computadores, câmeras, papel e caneta e armas
parecidas – para tomar de volta o jornalismo das mão de tiranias
enconômicas que roubaram e destruíram o jornalismo de nossas
vidas; algumas pessoas chamam isso de revolução. Narco News
não é um brinquedinho tech. Não é um esquema para
fazer dinheiro. Estamos em guerra."



Veja a íntegra do texto As
Massas contra a Mídia
, por Al
Giordano
, e também vale conferir If
The Tyrants Want War
.

domingo, março 23, 2003

Rede de Mídia Tática
- Como ajudar um shaman sulamericano em apuros no Canadá

Comecei buscando formas de dar visibilidade ao problema

de Juan Uyunkar
, um shaman ecuatoriano da tribo Shuar que está detido
no Canadá acusado de negligência na morte de uma senhora de 70
anos, conforme relatado no Santodaime.org.
Ao mesmo tempo checava as repercussões do Mídia
Tática Brasil
e a busca me fez chegar numa entrevista
do Al Giordano
, que é editor do Narco
News
, "site de notícias que cobre a guerra contra as drogas
promovida pelos EUA de um ponto de vista heterodoxo". Ele esteve presente
no evento da semana passada em SP falando sobre "jornalismo
autêntico
", uma "versão moderna do intelectual
orgânico
proposto por Antonio Gramsci". Pensei um pouco e mandei
um e-mail notificando a galera sobre o caso do Juan.


Seguindo a trilha, foi fácil achar informações sobre os
eventos
que o Narco News vem promovendo em parceria com o Guerrilla
News Network
(GNN), contando com a participação de vários
brasileiros - o que faz com que o site já tenha uma versão
em português
. Mas o GNN foi o maior peixe da pescaria do dia, e foi
onde encontrei um excelente conceito
de utilização de vídeo
no contexto da mídia
tática na web. A galera é tão radical e arrojada na linguagem
e na postura política que foi convidada para fazer um clipe em flash
para o Eminem, o White
America
- imperdível! Outras peças que valem à pena:
The Quiet and Subtle Cyclone,
fruto de um workshop de produção de vídeo realizado em
Diamantina, Brasil; o já clássico vídeo-rap S-11
Redux
, e o audacioso Crack
the CIA
, que fala sobre o envovimento do governo americano com o tráfico
de drogas. Sinistro.


O
GNN em sua tática não despreza uma boa circulação
impressa, e por isso está disponibilizando a primeira edição
de um panfleto em pdf para
distribuição tática via web: o Guerrilla Deprogrammer.
Neste primeiro número conta com a surpreendente foto (ao lado) onde Donald
Rumsfeld
, Secretário de Defesa dos Estados Unidos, aparece cumprimentando
Saddam Hussein. A história é detalhada também aqui,
em mais um nó dessa rede tática.


Enquanto isso, a big
mídia
continua demonstrando seu
desconforto
com as ações de mídia tática que
começam a se desenvolver neste começo de guerra. A CNN
acaba de solicitar a Kevin Sites
que pare de
blogar
, e enquanto isso a rede ridiculariza Bush com o vídeo
da cabeleleira
(versão
ampliada
). A BBC publicou,
e a Casa
Branca foi à loucura
. O vírus da mídia está
solto, e os poderes estabelecidos não estão percebendo a dimensão
do rombo em seu casco - vai ser interessante acompanhar o desenrolar dos fatos.


Comecei tentando ajudar no caso do ayahuasqueiro
detido lá no Canadá
, e num passeio pelo universo da mídia
alternativa na web neste momento da história, pude perceber que o mundo
está mudando muito rapidamente...

quarta-feira, março 19, 2003

Rio de Janeiro, capital mundial da Internet
- Pelo menos na semana que vem, com dois eventos quentes

A semana que vem vai transformar o Rio de Janeiro em um caldeirão de
discussões digitais, e será importante acompanhar pois a movimentação
poderá influenciar o futuro e o desenvolvimento da Internet no país.


De 23 a 27 de março, domingo a sexta, vai rolar o ICANN
Meetings in Rio de Janeiro
. As conversas são muito técnicas,
e centradas nas questões
de domínio
, como a introdução de novos TLDs (Top-Level
Domains
), mas quem tiver pela área pode tentar dar uma olhada pois
o evento é grátis em sua parte
pública
. Desde 2000 rola uma discussão sobre se o ICANN deveria
alargar seu escopo de ação, mas o board parece ainda perdido em
relação à própria representatividade
e legitimidade
, balançando entre os interesses dos usuários
e da indústria. Parece que vai haver algum
webcast
, e para se inteirar do que está rolando no tema vale à
pena acompanhar o ICANNBlog e ICANNWatch.
Na programação está previsto também o Encontro
dos Provedores
, onde certamente será quente o debate sobre a Internet
Gratuita
no país.


O outro evento é o Internet
Law Program 2003
de 24 a 28 de março, que na programação
anuncia, entre outras
estrelas
, a presença do herói de todos nós Lawrence
Lessig
. Ao contrário do outro, este evento é caro prá
xuxu: US$ 700 o pacote completo, US$ 200 por dia. Ficamos na esperança
(quase certeza) de que alguém vai blogar as apresentações,
né? De quebra vamos começando a fazer barulho sobre o que significa
este evento, principalmente no que toca aos
copyrigths deles
, e ao nosso
copyleft
aqui em território brazuca - blogueiros.br, uni-vos!. Mais
informações a qualquer momento, e por ora, a última
(e brilhante) aparição
do Lessig na SXSW.

Inclusão digital - Participe!

Se você possui acesso à internet e é 'alfabetizado tecnologicamente' (sabe usar um micro, mesmo que apenas o b?sico), parabéns. Você n?o é um analfabeto digital e faz parte de menos de 10% da populaç?o brasileira. Se você se importa com os outros 90% clique na logo abaixo...


sexta-feira, março 14, 2003

Big Globo se irrita com Mídia Tática:- Repórter do gigante do broadcasting ofende ativista digital

Ninguém pode perder o vídeo que mostra a baixaria protagonizada pelo repórter Britto Jr. (foto, horroroso!), do Jornal SP TV, ao tentar montar um cenário que se encaixasse em seu roteiro próprio do que seria uma reportagem de cobertura da big mídia no Festival Mídia Tática Brasil.

O tal sujeito achou-se no direito de "rodar a baiana" e agredir verbalmente a Tati Wells!!! Basta assistir a
peça
para perceber que o tal brito atuou um tremendo "ato falho", farto de simbolismo expresso na frase que fecha o vídeo: "não é coisa que pessoas comuns, que não entendem deste ramo, tenham condição de dar palpite". Big mídia vs. formiguinhas.

A Folha, que apoiou o evento, cobriu ironizando o exotismo das propostas e dos proponentes. Já o Estadão parece não entender a proposta ao começar sua crítica ao evento afirmando que o MTB propõe "uma comunicação de massa radicalmente oposta àquela produzida pelas grandes empresas de jornalismo e publicidade". Radicalismo sim, mas que começa com o desenvolvimento da potência da comunicação das pontas, desprezando a massificação da informação.

Alô alô galera, até o ministro aderiu. Venha conhecer o Mídia Tática Brasil.

Hoje rolou a instalação da Rádio Pega Eu, com o objetivo de denunciar a ação da PF contra as rádios comunitárias. Confira também o blog da turma do MTB. O evento está na Casa das Rosas, na Av. Paulista, São Paulo, até domingo (16), quando vai rolar o workshop do HD e do Felipe. As formiguinhas agradecem a presença, e se o big brother quiser vir, favor não perturbar o nosso caos.

UPDATE: ótima reportagem sobre o MTB no Furdunzzo

sexta-feira, fevereiro 28, 2003

Aí vem o Ev
- Ficou esquisito o título mas é isso mesmo.

Quanto abri meus referrals
stats
hoje dei de cara com uma entrada por link do blog
do EV
an "Blogger/Google"
Williams, que remete para o The
Blogger-Google F.A.Q
. É a blogada mais esperada das últimas
duas semanas, quem não vai linkar?
E lá tem também uma página dando toques sobre layout
em CSS.
Legalzão! Só achei estranho o Ev ter entrado na minha
lista de referrals - será um novo tipo bloogggle de spam? Acho
que já tinha ouvido falar disso.... Funciona bem! Será que foi
isso? Pode ter sido o link do NextBlogSpot...
maybe.

quarta-feira, fevereiro 26, 2003

FCC e Anatel
- Como (des)regular o mercado de acesso a Internet

A questão da regulamentação das telecomunicações
no que se refere ao acesso à Internet têm sido objeto de muita
argumentação e disputa em todo o mundo. Ainda na semana passada
o FCC americano votou
um conjunto de regulamentações
, o qual foi considerado
incoerente
pelo próprio Chairman da comissão, Michael Powell.
Tentar entender agora o que se passa no contexto norte-americano pode ajudar-nos
a antecipar situações futuras do nosso mercado.


Está claro que as entidades que se fazem representar no FCC, incluindo
as chamadas baby "Bells" (Verizon, BellSouth, SBC e Qwest), telecoms
de atuação regional, e as grandes AT&T e Worldcom, assim como
as empresas do setor de tecnologia (que no caso também se dividem em
fornecedores de software, de hardware, e provedores de serviço de acesso),
como no Brasil, não estão conseguindo chegar a um acordo sobre
como repartir o mercado.


Arrisco afirmar que a maioria destas empresas ainda não entenderam bem
a dinâmica da Internet, e por terem dificuldade de conceber o próprio
espaço no cenário futuro do mercado de acesso, ficam paranóicas
e batendo cabeça no intenso lobby sobre as instâncias reguladoras,
gerando normatizações
incoerentes
que terão como resultado entupir os tribunais de questionamentos
legais nos próximos meses. O sindicato dos lobistas e dos advogados só
têm a agradecer.


Aqui no Brasil estamos por aguardar a consolidação da Consulta
417
pela Anatel,
e bom seria se os responsáveis pelos resultados do processo estivessem
acompanhando de perto a bagunça que o FCC está causando por lá,
e tentassem evitar a possibilidade da Anatel repetir a lambança por aqui.
Rogério
Gonçalves
no Observatório
dá as últimas informações sobre o processo, colocando
esperanças numa melhora da formação do Conselho Consultivo
da agência, que hoje tem vários membros que também são
dirigentes de telecons(!). Assim dá até para dispensar o lobby...







O fenômeno wireless

the last mile


No momento existe um fator que precisa ser incluído com urgência
na presente discussão - a tecnologia
wireless como solução
para a conexão final da Internet
aos usuários. A Lei
de Moore
determina que a tecnologia de pacotes do protocolo Internet irá
dominar o mercado de telecomunicações, eliminando o protocolo
de circuitos das linhas telefônicas que utiliza ineficientemente o espectro.
A novidade é que a mesma lei agora começa a ter impacto no uso
do espectro wireless. Como?


O modelo tradicional funciona hoje alocando bandas de espectro de rádio
para usuários particulares, como por exemplo, os canais de televisão.
O novo modelo
propõe a livre utilização do espectro (Open
Spectrum
), deixando que a aumentada capacidade dos modernos receptores selecionem
as mensagens. Tais receptores irão aumentar a eficiência das bandas
de espectro valendo-se do desenvolvimento contínuo de sua capacidade
de processamento. Adivinhe qual modelo será diretamente alavancado pela
Lei de Moore?


Visão de futuro:
hoje estou conectando
pontos de acesso
wireless aqui na minha comunidade para compartilhar uma
conexão banda larga via cable modem. Imagino que rapidamente este modelo
de acesso irá dançar, e eu estarei conectado diretamente a uma
rede wireless local (pública, comercial ou comunitária), e esta
se ligará diretamente a um transmissor acoplado no backbone da Internet.
Tecnologias que indicam
este caminho
para o acesso dos usuários finais estão surgindo
a cada instante. Quem sabe a minha pequena rede não é o embrião
da organização quer irá reunir os usuários finais
do vale onde moro em um projeto comunitário
mais amplo
, que irá se ligar diretamente ao backbone da rede se utilizando
das facilidades do modelo de espectro
aberto
?


A rede de comunicação do futuro terá, ao que tudo indica,
um esqueleto de cabos e uma pele wireless.

sexta-feira, fevereiro 21, 2003

WiFi na veia
- Lições práticas e visão de futuro


Hoje instalei mais um nó na rede wireless (WiFi)
que estou montando na minha comunidade. Foi impossível não perceber
uma sensação de estar realizando algo muito significativo, que
terá grandes repercussões no futuro. Estamos disponibilizando
um acesso broadband e iniciando experiências de trabalho colaborativo,
preparados para distribuir 6 pontos de acesso wireless e 4 wired, além
de criar um hotspot de acesso free em pleno cerrado brasiliense. A antena ainda
é pequena, mas a idéia é estar expandindo o alcance da
rede e provomendo a adesão de todos os moradores do vale (vide foto),
que avista a capital à distância. Espero poder estar compartilhando
sobre a experiência com o povo que acompanha o Ecologia
Digital
.


Um dos postos avançados na estratégia mundial de ocupação
wireless é a nycwireless,
organização comunitária que integra as iniciativas locais
de disponibilizar acesso à Internet público e gratuito na área
metropolitana de Nova Iorque (veja
a cobertura
), e que também promove um forum
de discussão para "assuntos wireless" e suporte ao desenvolvimento
de pontos de acesso. Seria o modelo a seguir no plano de expansão.


Mais especificamente em Manhattan, a MNN (Neighborhood
Network)
sedia um TV
lab
e está "inventando" o wireless
broadcast
, que busca romper com o formato clássico (e caro) de produção
de TV possibilitando a transmissão de locais remotos para a rede TV a
cabo ou satélite, promovendo alternativas criativas de programação
partindo de uma rede
P2P
. Os primeiros testes já mostraram êxito em divulgar para
os participantes da rede imagens das manifestações contra a invasão
do Iraque do último dia 15, as quais foram ignoradas pelos big players
da mídia em solo americano.


Isso é revolução!! Segura a onda aí que lá
vem repressão.

domingo, fevereiro 16, 2003

15/02/2003 - PAZ
Enquanto isso, na rede...

Enquanto rolava o "Live
from the Blogosphere
", e o Ev
anunciava que o Google estava fechando
a compra do Blogger (Pyra
Labs
), milhões de pessoas saíam às ruas para reafirmar
o desejo de paz. É tão bonito e significativo que tem que ficar registrado. Mas,
voltando ao Blogger, a notícia da aquisição é muito
significativa para o novo ciberespaço e a análise terá
que ser mais aprodundada. Por agora, deixo um link
paranóico
com argumentações sobre se o Google merece
o título de Big Brother do Ano, direto do GoogleWatch. Veja também artigo do Dan Gilmour sobre o assunto.

UPDATE 3: Doc, como sempre, traduz nossos anseios sobre o tema.




Madri - 2 milhões de pessoas





















Londres





Paris



Nova Iorque





Berlim


Roma





No Rio, foi meio fraco.

Assim como em Brasília, a chuva atrapalhou.


A maior manifestação já vista em Londres




Barcelona




Enqanto isso, no Iraque...



UPDATE: muito mais imagens do dia 15 aqui.

UPDATE 2: NYTimes: "How the protesters mobilized".

terça-feira, fevereiro 11, 2003

Internet Gratuita
Quem tem razão?

Desde a
última postagem vinha eu a pesquisar sobre o imbróglio
nebuloso em que se transformou a questão da Internet Gratuita
na mídia brasileira. Tudo começou com os ataques
explícitos do UOL
, que certamente devem ter sido precedidos
por algumas pressões endógenas que resultaram na Consulta
Pública 147
da Anatel
(Proposta
de Regulamento para Uso de Serviços e Redes de Telecomunicações
no Acesso a Serviços de Internet
), a qual já produziu
as devidas
respostas
. A remessa de manifestações sobre a consulta
foi tão grande que o prazo de recebimento teve
que ser prorrogado
para o próximo dia 15, o que mostra como
as decisões sobre o tema "acesso à Internet"
são importantes e merecem a atenção da sociedade.


O que é
interessante observar, conforme destaca
Renato Cruz no Estadão
(o ótimo diagrama abaixo também
é da matéria do Estadão), é que apesar do
racha da Abranet (que ainda
publica em word
na rede!! vai ser anti-ecológico assim...) e da criação
do Comitê Nacional de defesa do modelo gratuito
, os maiores
provedores do Brasil têm operadoras de telecomunicações
como acionistas, independente de oferecerem acesso gratuito ou pago.
O iG tem a Telemar; o iBest, a Brasil Telecom; o Terra e o iTelefônica,
a Telefônica; e o UOL, a Portugal Telecom.


Existe
portanto um ponto de convergência: os provedores gratuitos defendem
que a Anatel
regulamente o compartilhamento de receitas, medida permitida em países
como a Inglaterra
e a Argentina
, e os provedores pagos acreditam que a medida poderia
melhorar as condições de mercado de acesso em geral, se
a alternativa não ficasse restrita a umas poucas empresas de
acesso grátis.


Para a
Anatel, o repasse
a terceiros da receita de telefonia fixa é proibido por lei.
Segundo a visão expressa pelo Superintendente de Universalização
da agência, Edmundo Matarazzo, se existe espaço para o
repasse o que deveria ocorrer seria a redução da tarifa
para o cliente final. Mas até aí nada está sendo
feito por parte da agência reguladora para incentivar a democratização
do acesso à rede, questão estratégica para o País.


Esta semana
o assunto continua quente com movimentações do
Comitê
e da
Abranet
. Como ressalta Luiz
Egypto no Observatório
, "no fundo da questão
está o acesso universal e democrático à internet
e às suas conhecidas possibilidades de produção
e difusão do conhecimento. Na superfície do debate, o
tráfego de telefonia e sua tarifação
".


Alberto
Dines
, também no Observatório,
levanta aspectos interessantes que explicam porque os veículos
de comunicação tem se comportado de forma tão estranha
em relação ao assunto. Enquanto a mídia impressa
revela-se distante, e por outro lado comprometida com uma das posições
(alguns veículos impressos são parceiros dos provedores
"tradicionais" de acesso pago), a mídia eletrônica
preocupa-se com o avanço das empresas de telecomunicações
no mercado de disponibilização conteúdo. Nesse
quadro fica clara a posição dos impérios midiáticos
em impedir a urgente e necessária democratização
do mercado de comunicação.


Nós
aqui, partindo
de uma visão ecológica digitalmente, sabemos a importância
do modelo gratuito neste momento de difusão das possibilidades
do ambiente digital. Com base nesta visão, e analisando as posições
dos envolvidos, parece difícil neste momento imaginar que o negócio
de acesso tenha sentido sem estar associado a uma operadora de telecomunicações,
e portanto, a bola está com a Anatel em regulamentar o mercado
de forma inteligente, e não movida a pressões. Quanto
ao medo pânico da grande mídia em relação
à perda de poder, o resultado é esse - desinformação
para a sociedade. Como diz o Alberto:



"Indispensável
um mínimo de regulamentação – a própria
velocidade da tecnologia o impõe. Mas esta regulamentação
não pode restringir-se apenas à área da internet
e internet grátis deixando-se o resto como está. O sistema
informativo brasileiro, como um todo, precisa ser avaliado. Está
na hora de examinar em profundidade a questão intocada da "propriedade
cruzada" dos meios de comunicação num determinada
cidade ou região e seus efeitos perniciosos na diversificação
das fontes. A questão da concentração da mídia
no país não pode ser segmentada ou enviesada, regulamentando-se
um setor e deixando-se os demais na mesma condição em
que se encontram há algumas décadas. O debate ora iniciado
sobre a internet gratuita em algum momento terá que ser complementado
na mesa de negociações. Nenhuma das partes quer perder

vantagens. Nem a sociedade."


quinta-feira, janeiro 30, 2003

UOL é a face perversa da rede brazuca...
... e segue orgulhoso em ser o "Rei do Conteúdo Fechado"

By: DBTH

Baguete: UOL
cancela contrato e deixa mais de 200 provedores à míngua


Veja também: Madrugada
Infernal
e Entrevista

Da parte do UOL: UOL
expande rede e passa a atender 560 cidades



"Mais um motivo para nunca ser usuário UOL. Espero que essa
droga de empresa continue perdendo a noção da realidade e afunde
de vez. Afinal até agora ela tem se revelado mais daninha à
Internet brasileira do que qualquer coisa. Afinal, só para dar uma
palhinha, quem foi que começou com a história de conteúdo
fechado por aqui? Quer atitude menos internet do que essa?"
by: DBTH
- Veja também no IDG,
e outro update.



Não bastasse a antipática campanha
contra a internet grátis
desenvolvida há umas 2 semanas atrás,
respondida
pelo IG
(colocando
a Embratel no rolo
), o UOL continua querendo ser a "hollywood da web"
implementando estratégias predatórias que demonstram o objetivo claro de forçar uma posição
hegemônica da marca no ciberespaço nacional. Sobre a questão da internet
grátis, veja o didático artigo
de Matinas Suzuki
, presidente do IG. (e também o comentário
de Renato Cruz
, ambos no observatório).
O que não dá para entender é a
posição
da ABRANET
(Associação dos Provedores), que coloca em sua página banner
linkando para artigo
no UOL
(!?).

UPDATE: Provedores lançam Comitê Nacional em defesa do modelo gratuito
"No momento que a associação que representa os provedores é contra o acesso gratuito, nós somos o Plano B"

UPDATE 2: "Internet grátis não pode acabar", defende futuro diretor do Instituto de Tecnologia da Informação, do governo Lula - é Sérgio Amadeu no Palácio do Planalto. Será que enfim teremos cabeças pensando Internet em nosso governo eletrônico?

Que as forças lógicas da hiperconexão possam defenestrar
(ou cooptar) esta ameaça aos princípios ecológicos do ambiente
digital.

terça-feira, janeiro 28, 2003

Playstation 2 para Bush: A rede busca meios de apaziguar o "Commander in Chief"

Enquanto o mundo se prepara para ouvir o que Bush vai dizer no "State of the Union" desta noite, e os habitantes dos países que fazem parte do "eixo do mal" (axis of evil) aguardam pelas bombas que irão "corrigí-los" de seus pensamentos "malévolos", o movimento pacifista na rede marca posição com inúmeras iniciativas.
[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] [8].

A campanha mais interessante, de acordo com os princípios da Ecologia Digital, é a do banner à direita, que realizou uma coleta de recursos para enviar ao sr. presidente na Casa Branca um Playstation2, acompanhado de cópias dos jogos Conflict:
Desert Storm
(caça a Saddam), e SOCOM: U.S. Navy SEALs. Os promotores da campanha não se esqueceram de mandar também um controlador extra Dual Shock 2 para o vice Cheney, e um memory card para o sr. presidente não ter que deixar o console ligado por muito tempo. Ou seja, o kit guerra completo. Veja abaixo como surgiu a inspiração para a campanha, e também uma tela do jogo 'Desert Storm'.

As I sat pondering the President's motives one day, it suddenly dawned on me that it is entirely likely our Commander in Chief has never played a single video game in his life. "Of course!" I exclaimed, startling my girlfriend, who was driving at the time. "Without the catharsis that video games provide, Bush has no way of fulfilling his militaristic fantasies other than actually fighting wars."
Mikel Reparaz - Buy Bush a PlayStation 2 Campaign

UPDATE: a turma dos DJs virtuais não podiam ficar para traz nesta movimentação - 'Not In My Name - Pledge Of Resistance' (mp3 - 3,54 mb)

+ blogs...

... na lista de vencedores do Second
Annual Weblog Awards
da Fairvue.

O DPádua está concorrendo com o blogchalking ao prêmio deste ano. É clicar e votar (na categoria "best meme") - no mínimo, um monte de bons links de blogs, além de alguns ótimos textos teóricos sobre o fenômeno da blogosfera.
- What We're Doing When We Blog
- ...Find a Blog
- 30 Days to a More Accessible Weblog
- Is This One Nation, Under Blog?
- They Don't Get Blog

segunda-feira, janeiro 27, 2003

FILE
Festival Internacional de Linguagem Eletrônica

"As redes virtuais constituem um plano de imanência. Elas são transcendentais. Tanto as produções digitais como a cultura digital fazem parte do plano de imanência cuja proliferação as precipitam numa potencialização sem precedentes. Há um processo constante de heterogenização que se dá principalmente por replicações livres e por procedimentos de alteridade através de devires descodificados. Disto advém o principal acontecimento da cultura da imanência que é o anarqui-culturalismo, ele é o jogo livre entre todas as performances que ocorrem no mundo da imanência, libertando-se das instituições transcendentes baseadas na autoridade e na unicidade provocando por todos os lados um descontrole que não se pode capturar. Deste modo, só podemos falar de "arte digital" no sentido metafórico, pois no anarqui-culturalismo a "arte digital" significa todas as demais disciplinas potencialmente intercruzadas num processo de transcodificação. O anarqui-culturalismo ocorre, quando a autoridade cultural não pode mais exercer nenhum poder sobre as manifestações culturais ou sobre os seus produtores; quando os seus produtos não são mais comercializados; quando o valor do produto cultural não repousa sobre a sacralização ou sobre a propriedade, mas na sua capacidade de potencializar os agentes que com ele se conectam; quando o produtor cultural liberta-se de seu ego, liberta-se de seu nome, liberta-se da pretensão inócua de entrar para a história e, então, ao se desterritorializar pode participar de um plano mais complexo, onde o sentido construído pelo autor é substituído pelas estratégias de múltiplos sentidos em co-autoria com seus interagentes; quando o produto cultural deixa de ser linear e analógico e passa a ser um sistema ubíquo de complexidade interativa enfatizando seus aspectos imersivos e bioculturais, tornando-se portanto máquina de transformação cultural; quando não há mais o mundo próprio das artes, das ciências ou de qualquer outra disciplina, mas o jogo livre entre seus códigos, o jogo livre das diagonais que atravessam todos os planos, todas as disciplinas e que entrelaçam as multiplicidades heterogêneas num jogo livre das conexões. A cultura da imanência procede por replicação. Este é um acontecimento que aproxima o mundo virtual das redes ao mundo da vida, tanto um quanto o outro são digitais."
Ricardo Barreto e Paula Perissinotto
Organizadores do FILE - festival internacional de linguagem eletrônica


No FILE2003 poderão ser feitas inscrições relativas aos trabalhos hipemidiáticos: webarts, netarts, vida artificial, narrativas hipertextuais, web cam arte, animações computadorizadas, desing digital, tele-conferências, realidades virtuais, filmes interativos, e-videos de robótica on line. No FILE SYMPOSIUM poderão ser feitas inscrições relativas a "papers" teóricos, a apresentação de trabalhos, que participe do FILE e a performances tecno-digitais. No HIPERSÔNICA poderão ser feitas inscrições relativas aos trabalhos que exploram as sonoridades: música eletrônica erudita, música eletrônica pop(techno; drum'n'bass; trance; hardcoretechno; breakbeat...), música biológica, música genética, instalações sonoras, performances sonoras, c música, dramaturgias radiofônicas, rádio arte, paisagens sonoras, robótica sonora, video música e poesia sonora.

sexta-feira, janeiro 17, 2003

Dos pré-socráticos à fenomenologia do século passado... chegando à arte interativa do século 21

... em busca de novas iluminações nos conceitos da Ecologia Digital.

Henri Bergson (filósofo francês falecido em 1941) escreveu:
"A consciência parece ser proporcional ao poder de escolha do ser vivo. Ilumina a zona de potencialidades que envolve o ato e preenche o intervalo entre o que é feito e o que poderia ser realizado"
Roy Ascott observa (in "Turning on Technology"):
"Para Bergson, admirado por sua reafirmação do fluxo de Heráclito (fisósofo pré-socrático), faltou apenas conhecer a dinâmica de nossa "networked hypermedia" (Internet) para completar o seu modelo da mente. Os ritmos cognitivos, os saltos e mergulhos, os hiperlinks, criando túneis de mente para mente, imagem para som, som para texto, partindo de locações reais para lugares virtuais, de pessoas nas ruas para identidades no ciberespaço - tudo isso caracteriza os desejos e ambições dos artistas capturados nesta dança tecno-sedutora da mente."
Este Roy Ascott, que muito antes do e-mail e da Internet já era famoso por propor o "abraço telemático" (Telematic Embrace), esteve por aqui como mentor do "Invenção", evento patrocinado pelo ItaúCultural em agosto de 99, onde deixou o seguinte recado:
"Para Roy Ascott a arte dos próximos 30 anos será a arte da consciência. Mas uma consciência dupla, uma mente aberta à ciberpercepção. Ascott usa o termo technoetic, que significa consciência + tecnologia. Ele engloba o antigo e o moderno, o espiritual e o artificial, o cósmico e o cultural. O corpo humano e os seres artificiais passam a ter um habitat em comum. É o desenvolvimento pós biológico. Uma troca entre o humano e o eletrônico, a moistmedia (mídia úmida). "
(Plugado, molhado e úmido: arte na beira da Net)
Mas o que chamou mesmo a atenção é que o tal Roy Ascott, diretor do CAiiA-STAR (trabalho colaborativo em artes interativas), está propondo em suas últimas palestras o surgimento de uma nova cultura planetária tecnoética, baseada em 3 "V-Realidades": a Validadal, a Virtual, e a Vegetal.
"Nosso foco é Arte, a tecnologia e a consciência, de onde uma cultura planetária tecnoética poderia emergir baseada em 3 RVs: Realidade Validada: abrangendo a tecnologia mecânica em um prosaico mundo Newtoniano; Realidade Virtual: abrangendo tecnologia digital e interativa em um mundo de imersão telemática; Realidade Vegetal: abrandendo a tecnologia das plantas psicoativas em um mundo espiritual enteogênico. Para essa finalidade, são necessárias pesquisas transdisciplinares e colaborativas para que ferramentas de aprendizado e produtividade inteiramente novas possam surgir. Em nossa busca de um paradigma interativo, CAiiA-STAR e o Planetary Collegium são as respostas iniciais para esta necessidade." (Planetary Technoetics: art, technology and consciousness.)
 Muito interessante...

Anatel em ação
Consulta pública para regulamentar o acesso à Internet no país


“Temos mais de 5.300 municípios no Brasil e apenas 350 dispõem
de provedores de acesso à Internet”.



Com esta frase, dando conta do abismo a ser ultrapassado a nível de universalização do acesso
em nosso país, foi aberta a audiência pública
para esclarecimento da Consulta
Pública n.º 417 – Proposta de Regulamento para Uso de Serviços
e Redes de Telecomunicações no Acesso a Serviços de Internet.


A Anatel
está propondo
que, além do atual modelo de cobrança
por pulso telefônico, também exista um modelo de código
não-geográfico, para que moradores de cidades sem provedor local
não precisem pagar interurbano nas conexões, e um terceiro, que
crie um código de quatro dígitos que transfira todo acesso à
internet para uma rede de dados, fora da rede de telefonia local.


No entanto, parece que o grande tema da parada é o futuro dos recursos
que as operadoras de telefonia pagam umas às outras pelo tráfego
gerado pela internet (tarifas de interconexão, clique
para entender
). Durante a semana,
manifestações da Anatel
contra o atual formato da Internet
grátis deram o tom das discussões, e apesar do efeito
social resultante
, parece realmente que algumas
distorções precisam ser corrigidas
.


Vamos acompanhar e retornamos no caso de novidades pertinentes.

Sobre o assunto: UOL,
IG.

Lula e o software
A escolha que pode determinar o futuro digital no Brasil

A turma do Metáfora , através
do Gasli (Grupo de Argumentação
para o Software Livre), não para de buzinar para todos os cantos que
o momento é importante e exige mobilização alerta. Do outro
lado já existe a tal Coalizão
pela Livre Escolha de Software
, iniciativa da Camara-e.net
(Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico) que "lutará
para impedir que a adoção de software livre se torne uma política
pública de governos municipais, estaduais e federal
".


O debate está quente, e vale à pena checar a real argumentação.
De um lado pode-se conferir artigo
de Marcelo Branco
, da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS),
responsável pela implantação de redes de sistemas livres
na instituição de ensino localizada num estado cujo governo adotou
o software livre como linha de frente de uma política pública
de desenvolvimento da informática; do outro está Eduardo
Campos de Oliveira
, gerente de servidores da Microsoft do Brasil.


Artigo
de Rafael Evangelista
no Obsevatório
dá uma boa visão da situação:



"Atrás do que parece ser uma simples disputa entre profissionais
especializados, que buscam enfatizar a excelência e a adequação
de duas tecnologias diferentes e nas quais são especialistas, esconde-se
um enfrentamento mais profundo, de dois grupos profissionais que parecem carregar
consigo visões de mundo e ideologias diferentes e

opostas."



A Ecologia Digital percebe que a solução não está
unicamente em um ou outro caminho, mas identifica que lobbys corporativos milionários
têm influenciado as políticas públicas nos últimos
anos no Brasil em favor do software propietário. Portanto, é engraçado (para não dizer outra
coisa) ver esta coalizão
pela livre escolha
tentar impedir que a nova ideologia eleita democraticamente
utilize de seus intrumentos de implementação de políticas
públicas nas questões relativas ao futuro digital do país.


Ou como diria o Joelhasso, "livrescolha
o caralho
".

quarta-feira, janeiro 15, 2003

Disney venceu em "Eldred vs. Ashcroft"
Mas o movimento iniciado parece ser muito maior que a decisão judicial de hoje

A Suprema Corte americana decidiu
(por 7 a 2)
manter a autoridade do Congresso em regular pela extensão
dos direitos autorais ("Sonny
Bono's Copyright Term Extension Act
") que protegem os lucros de canções,
livros e personagens de desenho animado, rejeitando os argumentos contrários
baseados no princípio da Ecologia
Digital
no já famoso caso "Eldred
vs. Ashcroft
".


Lawrence
Lessig
foi o advogado que teve a incumbência de demonstrar aos juízes
que o estado atual da legislação distorce a função
essencial do copyright na Constituição. Ele declara
hoje em seu blog
esperar que a decisão desfavorável crie a
mobilização necessária para que se restabeleça o
"direito
dos comuns
" na questão.


O melhor acompanhamento do assunto está no Copyfight.

terça-feira, janeiro 07, 2003

Voltando...
... e saudando a vitória do dia no âmbito da Ecologia Digital



eu mesmo, em uma praia perto de Half Moon Bay,
no caminho de San Francisco - paraíso dos surfistas


Voltando dos EUA, depois de passar por San Francisco, conhecer a comunidade
de Kayumari
, que fica em Columbia,
aos pés da Sierra Nevada,
descendo as montanhas depois para encontrar amigos nas praias de Santa
Cruz
, e aí novamente San Francisco para depois subir para Ashland,
no Oregon, para encontrar (e conhecer) novos amigos, cá estou novamente
neste paciente blog.


Aos amigos que tentaram acompanhar as minhas andanças via blog (Us,
and then...
), desculpo-me pelas expectativas que possa ter criado em relação
aos conteúdos prometidos. Espero poder comentar o que se passou tentando
recuperar o que for pertinente e esclarecedor para os princípios da Ecologia
Digital.


E retorno com uma boa e fresca notícia para os que acompanham as batalhas
judiciais
relacionadas ao DMCA. Jon Johansen, o rapaz norueguês que
estava sendo processado pela MPAA por ter
descoberto e divulgado pela Internet o DeCSS,
que quebra a encriptação que impedia Jon de visualizar em seu
Linux PC os DVDs que adquiria legalmente, foi inocentado pela justiça
da Noruega. Notícia no The
Register
, e informação completa com a EFF.

quinta-feira, novembro 28, 2002

US, and then...: Ecologia digital em imersão cognitiva na "terra da abundância"

Mas que ilustração bem sacada, hein? Uma super-metáfora do ambiente digital na temática blog.

Tive que abrir espaço para esta inspiração do Ray Vella, que está ilustrando uma matéria
sobre blogs
do NYTimes. A feminista de plantão tentou vender a idéia de que a blogosfera é machista, mas quem fez o filme foi o ilustrador...

Se alguém de vocês ainda não sabe, o conteúdo do NYT não é fechado, mas exige que se faça um cadastro. Vale à pena se registar pois, apesar da matéria sobre blogs ser muito ruim, este jornalzão é um fiel termômetro de como a grande mídia encara os temas do momento, e portanto é válido acompanhar.

By the way, para quem acomapanha o Ecologia Digital vou avisando que possivelmente estarei um pouco ausente nos próximos dias. Estou embarcando para San Francisco à noite (legal!), para encontrar amigos e participar de um evento da maior importância. Como disse no título,
trata-se também de um processo de imersão cognitiva dos conceitos da Ecologia Digital nos mecanismos e paradigmas da sociedade afluente, ou como diz meu amigo Lou Gold, compreender o que faz daquilo lá "the land of abundance".

Vou estar blogando no US, and then..., um blog de viagem experimental que pode ser visitado por quem tiver interesse em acompanhar os detalhes da jornada...

domingo, novembro 24, 2002

Ellen Feiss fala: Nossa musa quebra o silêncio em entrevista a jornal universitário


update 14/04/2007: o video do youtube substitui imagem original que ilustrava o post e se perdeu na deslinkania

Jornal Universitário da Brown University conseguiu o que Jay Leno, David Letterman e a MTV tentaram sem êxito: uma entrevista com a musa da Ecologia Digital, Ellen Feiss. Artigo da Wired no Terra complementa a informação. Para nós, finalmente fica esclarecido o mais importante - qual o tema do trabalho que o diabólico PC do pai de nossa heroína engoliu:

What was the paper about?

Ellen: "It was about Chinatown, and the formation of Chinatowns in America. I lost like three pages of it; it was terrible. It was a really, really good paper."


sexta-feira, novembro 22, 2002

Warchalking é roubo? A Nokia diz que sim...

O hobby geek preferido desde julho, o Warchalking, acaba de receber o primeiro golpe do mundo corporativo. Se ninguém tinha se manifestado até agora, é a Nokia a primeira a chiar. Veja matéria e comentários no site da BBC.

A empresa lançou um comunicado declarando que, qualquer pessoa que use serviços de rede sem a permissão da pessoa que paga por este serviço, está roubando. O comunicado surge logo após uma advertência do FBI sobre a "maluquice" wireless.

Warchalkers afirmam que estão realizando um serviço útil aos administradores de rede ao informar sobre as deficiências de segurança encontradas, e argumentam que se estivessem fazendo algo de intenção duvidosa, não estariam deixando rastros por aí. Por outro lado, se administradores de redes wireless deixam suas portas abertas em lugares públicos, não deveriam se surpreender se alguém entra para dar uma olhada. Deveriam estar agradecidos...

terça-feira, novembro 19, 2002

WWW novamente: Wi-Fi, Weblogs e Webservices renovam a utopia humanista da web

Decentralização é a palavra. Quando a Internet parecia sufocada pelo aparente fracasso da Nova Economia (um mito?), sob o ataque dos economistas conservadores do mercado, eis que surge um novo trio de Ws para recolocar o princípio básico de volta ao eixo central da revolução da web. Decentralização (veja Kevin Werbach). Mas a proposta não era esta desde o princípio? O que aconteceu no caminho?

Algumas perguntas podem ajudar-nos a compreender a questão: quais os setores da indústria sãos os "big players" da infraestrutura da rede? Tecnologia, telecomunicações e mídia, certo? E qual ideologia organizacional norteou a entrada desta turma no negócio da rede? A premissa de que poderosas estruturas centrais iriam dominar no desenvolvimeno deste espaço. Como resultado, na (a) TI empresarial tornam-se padrão os grandes servidores centrais operando com aplicações monolíticas, nas (b) telecomunicações vemos as operadoras em dificuldades por terem investido em enormes (e caras) infra-estruturas proprietárias (G3, por exemplo), e na (c) mídia vemos os proprietários de conteúdo brigando com seus clientes (chamando-os de ladrões) no intuito de aumentar o controle central sobre os canais de distribuição de conteúdo.

De acordo com este quadro, se a Nova Economia falhou foi por incapacidade destes setores da Velha Economia em compreender a dinâmica da Ecologia Digital. Ideologias centralizadoras irão falhar neste ambiente por 3 motivos: (1) dificuldade em crescer na escala que a web propõe, (2) dificuldade em se adaptar ao mundo real diferenciado, (3) dificuldade em perceber os efeitos da liberdade viabilizada pela fenômeno da web na consciência humana. A complexidade da equação "diverso + extenso + humano" inviabiliza sistemas centralizados atuando em redes na escala planetária.

A teconologia Wi-Fi (veja o timeline) talvez seja o melhor exemplo para demonstrar o que está dito acima (veja artigo NYTimes). Assim como a web, que floresceu sobre os padrões de comunicação livremente acessíveis da Internet, o padrão Wi-Fi tornou-se possível pelo fato do governo americano ter configurado uma porção de frequências de rádio para serem abertamente compartilhadas por qualquer pessoa que seguisse um conjunto simples de regras (especificação 802.11b).

Esta tecnologia revoluciona ao trazer a facilidade e omnipresença da conexão à rede em velocidades comparáveis às mais rápidas linhas de telefone digital ou cable modem, e desmonta estratégias gananciosas de operadoras que sonhavam oferecer este serviço proprietariamente.

Falaremos sobre os dois outros novos Ws
(Weblogs e Webservices) na sequência. Da análise acima fica a idéia de que o elemento que tem mantido a pressão por soluções decentralizadas é o fator humano na rede. As pessoas
vem percebendo que podem buscar novas formas de comunicar e colaborar além dos limites artificiais das organizações e da geografia, e que podem acessar a sua própria música, em seus próprios termos, da mesma forma como querem poder estar online de qualquer lugar, a qualquer hora.

" O processo de decentralização não é automático nem absoluto. O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio - o tamanho ótimo dos grupos, os modelos viáveis e os compromissos sociais apropriados."
Kevin Werbach - (Tech's Big Challenge: Decentralization)

O importante, no âmbito da Ecologia Digital, é estarmos abertos à reorganização dos conceitos para não ficarmos falando bobagem, desperdiçando recursos, ou nos conformando com soluções limitadoras.

Decentralize, cause the Web is for the World, and it's Wide.
WWW again.

segunda-feira, novembro 18, 2002

O cumpadre cidadão João Arnolfo
Ecologista recebe título Honorário pelo ativismo ambiental em Brasília

Se
não fosse meu cumpadre, vizinho, amigo, irmão e companheiro de elocubrações
filosóficas sobre ecologias de todos os tipos, João
Arnolfo Carvalho de Oliveira
, candidato a Senador pelo PV-DF
nas últimas eleições majoritárias em Brasília,
ainda sim mereceria ser citado especialmente neste blog, na data de hoje. Já
teria conquistado a menção pela trajetória
destacada
em inúmeros ativismos e no ambiental especialmente, ainda
no tempo em que ecologia era um conceito alienígena.

Mas a significativa
cerimônia acontecida hoje pela manhã no plenário da Câmara
Legislativa do DF
, onde Arnolfo foi homenageado
com o título de Cidadão Honorário de Brasília, fez
da minha blogada pessoal uma notícia. Discursaram o senador eleito Cristóvam
Buarque
, o Deputado
Chico Floresta
(autor da moção), presidiu a mesa o chapa Rodrigo
Rollemberg
(meu candidato), e presentes estavam também representantes
do Forum das ONGs Ambientalistas do DF
(impulsionado pelo João), ativistas fardados da Patrulha
Ecológica
(João deu grande força), a turma da Comunidade
Céu do Planalto, que toca a Associação
Olhos D'Água de Proteção Ambiental - AOPA
(João
fundou), entre outros tantos grupos de ação ambiental.

Ainda
no sábado último, quando retornava do Seminário
das Rádios Comunitárias
, recebi a visita do cumpadre e filosofamos
um tanto sobre a importância dos movimentos sociais (e
outros ativismos
) se organizarem para que ocorra uma boa interlocução
na transição. E falamos sobre a Ecologia
Digital
, e sobre os mistérios da percepção humana que
ombro à ombro tantas vezes pesquisamos nas fileiras do Santo
Daime
, e mais uma vez insisti para que ele se iniciasse no mundo dos blogs.
Afinal o site da sua ONG ViaEcológica
e o jeitão de seu newsletter
já apresentam o estilo adequado - o João daria um ótimo blogueiro
ambiental. E seguimos nesta sintonia ecológica saudando o cumpadre cidadão.

domingo, novembro 17, 2002

Rádios Comunitárias na pauta: Evento da AMARC mobiliza agentes sociais por uma nova comunicação no país

O Seminário está se encerrando, e blogar offline realmente não é a "coisa real". Mas vou por aqui organizando os pensamentos ainda no clima de festa de um encontro efetivo e bem realizado. De onde estou vejo o Hudson Carlos da Rádio Favela (mais aqui) mandando ver no rap da Rádio Comunitária, acompanhado por Armando Coelho Neto, jornalista e Presidente da Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, que está lançando o livro "Rádio Comunitária não é crime" (Ícone Editora, tel. 11 - 3666.3095) .

A sensação que fica é que encontros deste tipo vão ser a boa onda da hora, e o entusiasmo da turma reflete a esperança que o novo governo inspira para os defensores da democratização das comunicações. Minha presença teve o objetivo de colocar a colher da Ecologia Digital neste caldo das Rádios Comunitárias, à princípio para conhecer a briga dessa turma pelo direito a comunicar, e na medida do possível apresentar as boas perspectivas do ambiente digital para o caso.

O peculiar momento político, acrescido da situação "estranha" do processo decisório do governo no setor da telecomunicação, indica que uma abrangente discussão sobre a democratização dos meios de comunicação é urgente. O programa do PT no âmbito da Comunicação Social, segundo informações no evento, está sendo formulado por Bernardo Kucinsky, o que tranqüiliza um pouco a turma. Mas a fragmentação política na abordagem a tão complexo tema indica que "as bases precisam ser ouvidas" (bordão do momento) para a definição do novo marco regulatório.

Nesta discussão tem papel de destaque o Conselho de Comunicação Social, que estava representado pela Berenice Mendes, integrante da Comissão de Trabalho do CCS e da Diretoria Executiva do Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC). Ficou a idéia da AMARC (Associação Mundial de Rádios Comunitárias, promotora do evento) sugerir ao FNDC a realização de um evento abrangente que possa prover subsídios à formulação do programa de governo para o setor, assim como restabelecer o Fórum como espaço legítimo da discussão sobre a democratização da comunicação.

Mas existem questões práticas a serem atacadas, como as vozes, antenas e microfones (além de CDs, MDs, etc) ainda hoje retidos pela PF com mandatos da ANATEL, em virtude das distorções contidas na lei 9.612, que regulamenta o exercício das rádios comunitárias.

Para isso será lançada a campanha "Libertem nossos Presos", que estaremos apoiando diretamente aqui no Ecologia Digital. Formação de agentes comunicadores, advogados populares (para socorrer os comunicadores presos), e caravanas de visita entre as rádios para intercâmbio foram outras propostas surgidas em meio à animação do final da festa.

De nossa parte, a surpresa foi perceber que éramos o único notebook presente ao evento, e que apenas poucas das rádios representadas fazem alguma utilização das possibilidades da web para a integração de sua atuação. Fiquei sabendo da situação indesejável da lei que atualmente regulamenta o funcionamento das RC, que limita frequência, potência, e ainda por cima veta (!) a formação de redes.

Liberdade de rede seria o primeiro ponto onde poderíamos colocar a colher da Ecologia Digital no caldo das Rádios Comunitárias. Sugestões da comunidade?

Estaremos ligados nos resultados que irão surgir em decorrência deste evento, agradecendo o vibrante entusiasmo da Taís Ladeira da AMARC - Brasil (cérebro, motor e graça do evento) pela oportunidade de conhecer esta turma tão interessante da Rádio Magnífica (Goiânia), que também participa da seção local do Centro de Mídia Independente, da Rádio Bicuda (RJ), Rádio Muda (Campinas), Rádio Rala Coco (Brasília), TV Viva, Rádio Terra (Uberaba), etc...

Acesse os textos do Seminário aqui.

sexta-feira, novembro 15, 2002

Regulamentando a Comunicação Social Eletrônica: Rádios Comunitárias querem influir na política de CS

Hoje estou blogando diretamente do Seminário Nacional de Legislação e Direito à Comunicação: Regulamentando a Comunicação Social Eletrônica. É a minha primeira experiência de blogar um evento, e aos poucos vou me acostumando com os "detalhes" da função.

O evento reúne em Brasília representantes de 17 estados brasileiros, todos eles envolvidos de alguma forma com as rádios comunitárias e as atividades sociais relacionadas. Fiquei sabendo do Seminário pelo informativo do RITS, e confesso que me espantei pelo fato do evento não dispor de um site - apenas e-mail!

O primeiro painel do dia foi o mais interessante. O professor Murilo César Ramos, Diretor da Faculdade de Comunicação da UnB, esboçou um histórico interessante do desenvolvimento da ideologia na comunicação social no Brasil. O departamento que dirige foi criado nos anos 70, quando o enfoque era "comunicação e desenvolvimento", e esta diretriz funcional e instrumental foi, segundo ele, determinante na estruturação do curso.

O professor destaca que políticas nacionais de comunicação arrojadas foram concebidas no âmbito da UNESCO nos anos 80, resultando no Relatório McBride . A aliança neoliberal homogênica da era Reagan / Tatcher tratou de articular a saída dos EUA da UNESCO, esvaziando a discussão. Nesta época se estabelece a ideologia de CS que dá ao cidadão o direito de ser informado, mas não de informar - consumir informação, e não produzir.

O professor Murilo Ramos, que acompanha de perto o funcionamento recente do Conselho de Comunicação Social, defende que a formulação de uma real política nacional de CS carece de um marco regulatório. A dispersão e fragmentação do processo decisório entre os poderes, nas questões relativas à CS, impossibilita que o assunto seja abordado de forma integrada.

O final da apresentação trouxe uma frase forte: Toda nova tecnologia traz uma promessa civilizatória. A lógica do mercado têm pervertido estas iniciativas.

O segundo a se manifestar seguiu no mesmo nível, Márcio Iório, Coordenador do Grupo de Trabalho sobre Regulamentação das Telecomunicações e professor de direito da UnB. Iniciou demonstrando como a concepção jurídica brasileira sobre o regime público configura e determina a forma como se desenvolve o negócio da comunicação. Esta especificidade explica, por exemplo, o fato do sucesso da TV aberta no Brasil, diferentemente dos EUA.

Explicou também que o futuro governo não terá tanta autonomia para transformar a atual situação no setor, já que os contratos com empresas prestadoras delimitam direitos cuja revisão dependerá de avaliação do congresso.

Novas categorias foram incluídos recentemente, como o Serviço Multimídia regulamentado pela Anatel em 2001, e o conceito de Comunicação Social Eletrônica introduzido pela Emenda Constitucional 36. Este último, segundo o professor Márcio, cria as condições para que se evite a fragmentação e descompromisso dos atores envolvidos nestas iniciativas.

O recado principal que percebi foi de que o direito à comunicação exercido pela radiodifusão comunitária ligada a políticas públicas sociais poderá criar o ambiente necessário para que novas e mais interessantes categorias jurídicas possam aparecer.

Bem, isto foi o que eu pude captar, e os links eu faço amanhã pois agora estou bem ocupado.

quinta-feira, novembro 14, 2002

Para sua segurança
- Boicote os discos com proteção anti-cópia

A
galera do Metáfora está
agitando mais um movimento, e o dpádua que não perde tempo já
lançou até o banner (ao lado):


"Discos com proteção anti-cópia restrigem os consumidores e são uma
grande ameaça à memória da cultura nacional. Os consumidores de discos devem
dar um enfático não a estes produtos mutilados que nem ao menos podem ser chamados
de CDs. Esta é uma convocação de boicote aos produtos culturais com limitações
anti-cópia
."


Saiba mais sobre o assunto aqui. O "Tribalistas" é um dos CDs que está sendo comercializado com esta proteção. Saiba detalhes sobre o que acontece com o CD mutilado aqui.

terça-feira, novembro 12, 2002

Hollywood orgulhosamente apresenta: Movielink
- Para bom entendedor, não passa de estratégia de relações públicas

Depois de anos de desenvolvimento, cinco dos sete maiores estúdios de Hollywood (Universal,
Paramount, Sony,
Warner Bros. e MGM) estão anunciando o lançamento do Movielink, o site "oficial" de video-on-demand - certamente o de maior acervo, começando com 175 filmes. Arquivos para download custam entre US$1.99 a $4.99, expiram a validade 24 horas depois de executado pela primeira vez, podem ficar guardados em um hd por 30 dias, só irá rodar na máquina que fez o download, mas poderá ser pausado, avançado e retrocedido à vontade. Os títulos só estarão disponíveis no site 6 semanas após terem sido lançados em DVD e VHS.

O serviço está disponível apenas para os EUA, e mesmo assim exclui todos os usuários Mac (ou Mozilla, ou Opera, ou qualquer coisa que não seja Windows). Sem banda larga, nem pense em usar o serviço, e mesmo assim pode ser mais rápido ir até o vídeo clube da esquina do que "baixar" 500 Mb. A menos que você tenha seu computador ligado à TV, vais ficar pendurado na frente do seu monitor assistindo o tal filme, e a economia não é significativa em relação ao pay-per-view das operadoras a cabo. O marketing do Movielink, segundo porta-vozes, está voltado para os jovens, mas será que este público já não está bem distraído "pirateando" filmes no Kazaa na mesma semana em que são lançados?

A pergunta é: o que faz Hollywood gastar munição com um negócio para o qual à princípio não existe demanda? HudsonHawk.com, no Slate, sugere que o site e os milhões de dólares ali enterrados pelos estúdios configuram estratégia de RP para evitar a comparação com os executivos da indústria da música no seu retumbante fracasso em atualizar seu modelo de negócio às demandas do público da Internet. O principal objetivo seria demonstrar que Hollywood está disponibilizando uma alternativa legal aos cine-piratas da web.

A primeira iniciativa de video-on-demand na web foi o Intertainer, mas entre os muitos equívocos de seu modelo de negócio, além da já citada falta de demanda, estava a dependência em relação aos estúdios para o licenciamento de títulos. O site fechou recentemente, e está processando alguns dos estúdios fornecedores por suposto boicote com intenção de promover antecipadamente o Movielink. Situação típica do conceito de broadcasting mal adaptado aos princípios de funcionamento
da web.

Bem mais de acordo com a Ecologia Digital, o MovieFlix é por enquanto o único site que está conseguindo manter um negócio viável oferecendo filmes online. Disponibiliza títulos já em domínio público e produções independentes, os quais tem custo (quase) zero para o licenciamento. Isto parece indicar que, à parte do fenômeno P2P, o mercado para video-on-demand na web está mais para iniciativas de menor escala que explorem nichos de conteúdo.

quinta-feira, novembro 07, 2002

A nossa Ecologia Digital, e a outra...
- Nós defendemos o mundo novo,eles buscam refúgio da overdose de dados da web

Ao girar pesquisas no google, uma em especial me chamou a atenção, destacando um artigo sobre Ecologia Digital de Javier Castañeda, do portal Baquia.com. O autor considera que estamos "sucumbindo ante os encantos da Era da Informação", e que precisamos de defesas que nos preservem "do ruído e do stress da comunicação permanente" - por isso, afirma que a ecologia digital (dele) é extremamente necessária pois irá salvar a humanidade desta triste situação.

Mas que overdose de informação é essa? E afinal, o que realmente é a web? Dave Weinberger me socorre tão pertinentemente com este artigo que só posso traduzir (quase) na íntegra:

"Passo a maior parte do dia na web, e sabes quanto tempo gasto lidando com informação? Em um bom dia, nada. Eu leio, escrevo, me relaciono com pessoas que conheço
ou passo a conhecer, processo e-mails, evito trabalho, etc. Informação é a última coisa que tenho em mente, e portanto soa estranho que o foco do assunto seja informação quando estamos falando do real substrato da web.

É fácil entender como esta abordagem foi concebida: a Teoria da Informação reduziu a comunicação humana a sinal e ruído, como uma forma de entender matematicamente o desafio
de mover padrões de A para B. Então vieram as bases de dados que reduziram ainda mais o significado da informação, registrando-a como a correlação de dados armazenados em linhas e colunas. Informação passou a ser considerada "coisa de computador".
...
Mas qual a importância desta discussão? Talvez tenha tudo a ver com a forma como experienciamos a Internet, e assim, com o que pensamos que seja a sua real utilidade, e o que consideramos que deva ser feito com a rede. A velha idéia de que trata-se de uma "Information Highway" foi adequada para governos e corporações em um determinado momento, mas obscureceu o fato de que a web está mais para conexão do que para transferência de dados. Está mais para um espaço onde humanos pouco organizados produzem toda a sorte de coisas que podem ser realizadas com palavras, figuras e sons, do que para um local onde seres racionais estão engajados em pesquisas. E é este o motivo pelo qual a Internet é um mundo, e não apenas uma mídia. Mídias se encarregam de mover bits, bytes, fatos
e informação de A para B. Um mundo é um rico contexto, irredutível e imprevisível - provedor do espaço onde seus habitantes podem arrancar os cabelos, se inflamarem ou se apaixonarem.

A informação que aparece na web é parte do mundo da web. Mas você nunca chegará ao mundo da web começando apenas com informação.

Como você usa a web? Meramente para transferências?"

Espero que tenha ficado claro de que Ecologia Digital estamos falando.

Agradecimento à comunidade
- Testemunho da calorosa acolhida do universo do blog-ativismo

Assim como quando o Ecologia Digital foi citado pela Cora, não poderia agora deixar de destacar a receptividade da blogosfera nacional à nossa presença no ambiente.

O Hernani
Dimantas do Marketing Hacker já havia linkado uma vez destacando a definição de Ecologia Digital, e depois outra sobre o nosso artigo (Eldred vs. Ashcroft) no MetaOng que inaugurou a seção específica do tema. Desde que comecei a circular no pedaço pude perceber a importância da atuação do hdhd na mundo blog nacional, e seu papel no reconhecimento da competência brazuca pelos 'pros' da rede. Merecem destaque suas participações em projetos como o Manifesto Cluetrain, Buzzine, Metáfora, e nos power blogs Gonzo-Engaged (Marketing Muito Maluco) e Small Pieces (Para que serve a web) - diga-se de passagem, todos extremamente sintonizados com os princípios da Ecologia Digital.

Teve também muito significado ser citado nos fluxos do Daniel Pádua, a quem já havia anteriormente declarado meu reconhecimento devido à sua especial presença neste admirável espaço novo. O Blogchalking já é um fenômeno consagrado, mas o cara manda bem também em outras investidas como o GASLI (Grupo de Argumentação
para o Software Livre) que está formulando colaborativamente um guia técnico para respaldar a Bancada do Software Livre no Congresso a criar problemas para Bill Gates aqui na Microsoftlândia, e o PROVOS, que propõe ações descentralizadas de mídia tática (entre elas o ZineProvos,
em Wiki, onde já meti minha colher). É dele também o manifesto do Projeto Metáfora, e foi sua
citação
o impulso necessário para que eu pudesse me apresentar melhor à galera metafórica.

Ativismo real se conectando através do ambiente tecnologicamente determinado. Ecologia Digital.


UPDATE 26/02/2003: Felipe Fonseca define o Metáfora "para quem ainda não entendeu".